
Donald Trump fala à imprensa após ação militar contra o governo venezuelano. reprodução CNN
Governo estadounidense declara controle temporário do pais; interesse nas reservas foi reiterado em comunicado oficial do governo venezuelano após os ataques.
Da Redação da Rede Hoje
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a Casa Branca administrará a Venezuela após a captura de Nicolás Maduro. A declaração ocorreu em entrevista coletiva realizada na tarde deste sábado, dia 3 de janeiro. Trump classificou a operação militar como um êxito e afirmou que não houve baixas entre as tropas norte-americanas. O mandatário também evidenciou os interesses dos Estados Unidos no petróleo venezuelano durante seu pronunciamento à imprensa nacional e internacional.
Segundo Trump, a administração direta do país será mantida até que uma transição democrática seja viabilizada. Ele afirmou que a gestão atual busca evitar riscos e garantir o bem do povo venezuelano. O presidente disse que os Estados Unidos permanecerão no território venezuelano até que condições adequadas para a transição sejam estabelecidas. No entanto, ele não apresentou detalhes concretos sobre como essa gestão será estruturada no curto prazo.
Trump mencionou a formação de um grupo para discutir a gestão, mas ressaltou a autonomia da Casa Branca no momento. Ele celebrou a operação que resultou na captura de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Os dois estariam em uma embarcação rumo a Nova York para serem julgados por acusações de tráfico de drogas. O governo venezuelano considera as acusações como fabricadas pelo governo dos Estados Unidos.
O governo venezuelano emitiu uma nota oficial repudiando a ação militar norte-americana. O texto afirma que a agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais na região. A nota também alega que a ofensiva tem como objetivo a apropriação de recursos estratégicos do país. Paralelamente, Trump afirmou manter conversações com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, sobre a gestão.
Interesse estratégico
Durante a coletiva, Trump assumiu o objetivo de retomar o controle do petróleo venezuelano. Ele afirmou que o recurso pertence aos Estados Unidos e que uma empresa norte-americana será deslocada para administrá-lo. O presidente disse que a estrutura petrolífera do país será corrigida por uma grande empresa dos Estados Unidos. A justificativa apresentada foi a de que o fluxo atual de produção e distribuição é considerado pequeno.
O interesse nas reservas foi reiterado em comunicado oficial do governo venezuelano após os ataques. O texto denuncia que o objetivo do ataque é confiscar os recursos estratégicos da Venezuela. A nota destaca a intenção de quebrar pela força a independência política da nação sul-americana. Anteriormente, a empresa Chevron mantinha uma operação conjunta com a estatal PDVSA no país, acordo revisto no ano passado.
Trump também afirmou que a ala chefiada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, venceu uma disputa interna. Essa vitória teria permitido a realização dos ataques militares na madrugada deste sábado. O julgamento de Maduro será decidido entre Nova York e a Flórida, estado de influência de Rubio. O secretário compareceu à coletiva e afirmou que Maduro teve chance de negociar sua saída.
O secretário de Guerra, Pete Hegseth, detalhou aspectos operacionais da ação militar em território venezuelano. Ele disse que uma aeronave foi atingida durante a resistência, mas que helicópteros entraram em Caracas com proteção. Hegseth comparou a operação com ações anteriores dos Estados Unidos no Afeganistão e contra o Irã. A conclusão foi a de que a presença na região visa defender interesses e projetar poder.
Trump e seus aliados citaram, sem apresentar provas, o suposto Cartel dos Sóis. Eles atribuíram a coordenação do grupo ao presidente capturado, Nicolás Maduro. A existência do cartel não é reconhecida por outras instituições internacionais. Eles afirmaram que Maduro será condenado pelas acusações relacionadas a essa suposta organização. O presidente norte-americano também afirmou que o sistema de defesa venezuelano foi completamente desarmado.
Da Redação da Rede Hoje.





