
Emendas para hospital. O médico Rômulo Gonçalves, Cleitinho e Euclydes durante reunião no Congresso em 2023. Foto: Reprodução
Jornal O Globo, deste sábado, diz que caso vira embaraço a Cleitinho, que posou com dono de avião vendido a suspeitos de fraude, e Zema, que terá de depor
Da Redação da Rede Hoje
Assinada por Bernardo Mello, reportagem do jornal O Globo, neste sábado, com a manchete “Em Minas, CPI do INSS desgasta candidaturas ao governo e ao Senado”, diz na linha fina que “caso vira embaraço a Cleitinho, que posou com dono de avião vendido a suspeitos de fraude, e Zema, que terá de depor”. O texto informa que:
O avanço da CPI do INSS no Senado tem provocado repercussões no cenário político de Minas Gerais às vésperas da próxima eleição, com investigações que miram descontos fraudulentos em benefícios previdenciários e passam a atingir nomes citados para disputas majoritárias, envolvendo aliados e adversários com atuação no estado.
As apurações atingiram o entorno do governador Romeu Zema, do Novo, e também alcançaram o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos-MG, que aparecem em contextos distintos ligados aos trabalhos da comissão presidida pelo senador Carlos Viana, do Podemos-MG, que amplia sua visibilidade política.
Cleitinho é aliado do deputado federal Euclydes Pettersen, do Republicanos-MG, citado em depoimentos colhidos pela CPI do INSS por relações com ex-funcionários do instituto e entidades investigadas por suspeita de operar fraudes, em um momento em que ambos articulavam uma chapa para as próximas eleições.
Após as citações na CPI, Euclydes tornou-se alvo de operação da Polícia Federal realizada em novembro, que apura repasses de emendas parlamentares e a venda de aeronaves a pessoas ligadas às entidades suspeitas, incluindo um avião Cessna vendido em fevereiro de 2023 por R$ 400 mil.
Proximidade
A aeronave foi adquirida por Vinícius Ramos, ligado à ONG Instituto Terra e Trabalho, que recebeu R$ 2,5 milhões em emendas do deputado e tem vínculo familiar com o presidente da Conafer, entidade investigada, sendo apontado em depoimentos como usuário do avião.
O deputado afirma que não teve relação com a transação envolvendo a Conafer e sustenta que o avião já havia sido vendido anteriormente, permanecendo em seu nome apenas por questões administrativas, negando participação na negociação posterior citada na CPI.
Registros oficiais e depoimentos, no entanto, indicam a circulação do bem entre pessoas ligadas às entidades investigadas, e a CPI do INSS analisa a documentação apresentada pelos envolvidos para esclarecer a cadeia de transações da aeronave.
Apuração do jornal O Globo apontou relação entre Euclydes e o médico e empresário Rômulo Gonçalves, citado como verdadeiro dono do avião, que esteve no Congresso em setembro de 2023 solicitando emendas para o Hospital Samaritano, em Governador Valadares.
Portarias do Ministério da Saúde indicam que Cleitinho destinou ao menos R$ 3,5 milhões ao hospital em 2024, enquanto Euclydes direcionou R$ 5,8 milhões, com ambos mantendo atuação política vinculada à região, conforme dados públicos do governo federal.
Novas articulações
Em junho de 2025, a aeronave foi revendida por R$ 700 mil, quase o dobro do valor anterior, em transação registrada pela Anac como realizada de Vinícius Ramos para Silas da Costa Vaz, apontado em depoimentos como possível intermediário da Conafer.
No mês seguinte, o avião foi vendido novamente a um dono de aeroclube em Minas Gerais, em negociação intermediada por Leandro de Almeida Lima Alves, ex-assessor de Euclydes, que afirmou ter atuado como piloto para diferentes usuários da aeronave.
Leandro declarou que intermediou apenas a última venda registrada, que não tratou diretamente com Silas e que as negociações foram conduzidas por Vinícius, afirmando que a entidade enfrentava dificuldades financeiras no período, conforme entrevista ao jornal O Globo.
Euclydes reiterou que vendeu o avião a Rômulo Gonçalves, disse ter apresentado documentação à CPI do INSS e afirmou não saber informar a atuação do médico no hospital beneficiado, enquanto Cleitinho declarou que todos os fatos devem ser investigados.
Convocação

Romeu Zema (Novo)/ Governador de Minas Gerais| Crédito: Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O governador Romeu Zema foi convocado a depor na CPI do INSS em razão de uma empresa da família que atua com crédito consignado, com a comissão apurando possíveis descontos irregulares em benefícios, acusações que o governador nega.
O requerimento foi apresentado por parlamentares da oposição e aprovado de forma simbólica após acordo, enquanto aliados de Zema afirmam que o diálogo com a CPI tem sido mantido e que o presidente da comissão busca preservar relação institucional.
As investigações ampliaram a projeção política de Carlos Viana em Minas Gerais, segundo avaliações internas, e influenciam articulações para 2026, com o senador considerando a reeleição e negociações para composição de chapa ao lado de Cleitinho.





