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Reportagem Especial | É urgente preservar fontes sulfurosas de Salitre antes da mineração

Rubens Rocha Machado visita a região de Bebedouro e mostra a fonte de água sulforosa. Reprodução: Marelizio Cortes

A fonte está localizada na margem direita do ribeirão Bebedouro, a três quilômetros do distrito de Salitre de Minas

Da Redação da Rede Hoje

A fonte de água localizada no distrito de Salitre de Minas encontra-se em uma situação de vulnerabilidade ambiental significativa nos dias atuais. Situada à margem direita do Ribeirão Bebedouro, a nascente possui propriedades sulfurosas de alta qualidade reconhecidas historicamente pela população local. Atualmente, o entorno da fonte sofre com o impacto direto da mineração na região e o livre acesso de animais. O gado que circula pela propriedade acaba pisoteando a área, além do assoreamento das nascentes protegidas por pedras naturais que já apresentam sinais de degradação.

A riqueza hídrica da localidade estende-se por todo o entorno do Chapadão de Ferro onde se encontram águas minerais de caráter medicinal. O agrônomo Rubens Rocha Machado, especialista em cafeicultura e profundo conhecedor da biodiversidade regional, falou neste sábado à Rede Hoje da necessidade de preservação. Ele defende que as potencialidades naturais de Patrocínio precisam ser resguardadas contra os impactos severos causados pelas atividades extrativistas de minério. A preocupação central reside na possibilidade de destruição permanente das fontes para a abertura de cavas.

O especialista ressalta que a água sulfurosa de Salitre de Minas é considerada uma das melhores do país em termos de composição química. Existem registros de nascentes que jorram diretamente de estruturas rochosas localizadas em antigas propriedades rurais como a fazenda que era do Zico Cortes, indo no sentido Serra do Salitre. Rubens Rocha busca atualmente a documentação formal que comprove a importância histórica e terapêutica dessas águas para garantir sua proteção jurídica na Assembleia Legislativa de Minas. O objetivo é evitar que a riqueza mineral do subsolo seja priorizada em detrimento da conservação deste recurso hídrico vital.

O relato pessoal de Rubens Rocha Machado reforça o potencial medicinal da fonte no tratamento de problemas de saúde recorrentes. Ele afirma que utilizou a água sulfurosa há cinquenta anos para tratar cálculos renais e obteve resultados definitivos após orientações recebidas. O antigo proprietário do Hotel Serra Negra, Gentil Nascimento, foi um dos grandes entusiastas do uso terapêutico desses minerais na região. A força da composição química é evidenciada pela reação da água com objetos metálicos que chegam a escurecer.

Importância da preservação

As águas sulfurosas têm uma textura mais oleosa, um forte odor e cor escura

Análises laboratoriais realizadas em centros tecnológicos de São Paulo confirmaram a classificação da água como sendo estritamente medicinal e pura. Segundo o especialista, o laudo técnico foi emitido por um laboratório que atende grandes multinacionais do setor de bebidas como a Nestlé e a Coca-Cola. Os resultados mostraram que o volume hídrico que emerge das pedras é de muita qualidade. De acordo com as informações, a nascente das águas próxima ao Ribeirão Bebedouro mantém um fluxo constante durante todo 24 horas. A expectativa da comunidade é que decisões governamentais impeçam o avanço das mineradoras sobre esta área específica.

Como proteger

Embora não se tenha certeza absoluta se a fonte está dentro do perímetro exato de concessão minerária, a proximidade gera riscos iminentes. Rubens Rocha Machado argumenta que o subsolo pertence ao governo e a água deve ser tratada como um bem público prioritário. O uso voltado para a saúde pública justifica a criação de mecanismos de proteção mais rigorosos contra a exploração industrial. A preservação deve considerar não apenas o valor econômico do minério, mas o valor social da água medicinal.

História: Bandeirantes deram o nome

A história do local remete aos tempos dos bandeirantes que utilizavam a região de Patrocínio como ponto de parada em suas expedições rumo a Goiás. Patrocínio marcou o início da Picada de Goiás, aberta oficialmente em 1736 pela coroa portuguesa. O trajeto passava pelo Planalto dos Catiguás rumo às novas descobertas de ouro no Centro-Oeste. O nome da região do Ribeirão Bebedouro surgiu justamente porque os animais das comitivas paravam naquele trecho específico para consumir a água (e o sal) da fonte. A localização exata da nascente principal fica a cerca de três quilômetros de distância do distrito de Salitre de Minas. Este contexto histórico agrega valor cultural ao patrimônio natural que hoje se encontra sob constante ameaça de intervenção humana.

Rubens Rocha diz que a composição química da água de Salitre é apontada como superior às famosas estâncias hidrominerais de Araxá e da própria Serra Negra. O agrônomo descreve a situação como um tesouro natural que a população local ainda não aprendeu a valorizar plenamente. O enxofre presente na composição confere propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes que são raras em outras fontes naturais brasileiras. Sem a devida atenção das autoridades competentes, este recurso pode ser perdido antes mesmo de ser explorado de forma sustentável.

Propriedades terapêuticas identificadas

A água sulfurosa é rica em compostos de enxofre que atuam de forma benéfica na desintoxicação do organismo humano de maneira natural. No aspecto dermatológico, o líquido auxilia no tratamento de condições crônicas como acne, psoríase e diversos tipos de eczemas. As propriedades antibacterianas e antifúngicas da fonte funcionam como um agente auxiliar na regeneração dos tecidos cutâneos lesionados. A aplicação desses recursos minerais em tratamentos de saúde é uma prática reconhecida pela medicina termal em todo o mundo.

A redução de inflamações sistêmicas é outro benefício apontado por quem faz uso regular das águas da região de Salitre. O enxofre auxilia no alívio de dores articulares e musculares em pacientes diagnosticados com artrite e também com fibromialgia. Além disso, a ingestão ou imersão nessas águas contribui para a melhoria significativa da circulação sanguínea nos tecidos periféricos. A dilatação dos vasos sanguíneos promovida pelos componentes minerais facilita a oxigenação celular e melhora o fluxo de sangue.

O processo de desintoxicação estimulado pelo enxofre promove uma eliminação mais eficiente de toxinas acumuladas no corpo ao longo do tempo. Esse efeito gera uma sensação de bem-estar geral e ajuda no equilíbrio das funções metabólicas básicas do organismo humano. Os banhos realizados em águas sulfurosas também possuem um caráter relaxante que atua diretamente no sistema nervoso dos indivíduos. O relaxamento físico auxilia na redução dos níveis de estresse e ansiedade presentes na rotina das populações urbanas.

A manutenção dessas nascentes é fundamental para garantir que as futuras gerações tenham acesso a tratamentos naturais de baixo custo. O impacto ambiental provocado pela mineração pode alterar o curso das veias d’água e contaminar o lençol freático com resíduos químicos. Rubens Rocha Machado insiste que a exploração de minério deixa apenas buracos e degradação após o fim da atividade industrial. A água, se preservada, constitui um recurso renovável e permanente que beneficia toda a coletividade por tempo indeterminado.

Histórico e sustentabilidade

Rubens Rocha sobre as pedras da fonte de Bebedouro

A documentação que está sendo levantada visa criar uma base sólida para a transformação da área em um santuário ecológico. O reconhecimento oficial da qualidade da água por órgãos de saúde e mineração é o primeiro passo para a proteção. Existem histórias locais que atribuem curas consideradas difíceis ao uso constante da fonte do Ribeirão Bebedouro ao longo das décadas. A preservação da fauna e da flora que dependem desse ecossistema também entra na pauta de reivinações do agrônomo.

O equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental é o maior desafio enfrentado pelo distrito de Salitre de Minas. A mineração gera empregos e impostos, mas a destruição de fontes de água medicinal é considerada um prejuízo irreparável para a natureza. A mobilização da sociedade civil em torno da causa busca sensibilizar os gestores públicos sobre a importância do tema. O monitoramento das atividades nas proximidades da margem direita do ribeirão deve ser constante para evitar danos maiores.

A proteção das pedras que cercam a nascente é uma medida imediata sugerida para impedir que o gado continue a degradação. O isolamento da área de preservação permanente é uma exigência legal que precisa ser cumprida de forma rigorosa pelos proprietários rurais. A água sulfurosa de Patrocínio possui um potencial turístico e terapêutico que ainda não foi totalmente explorado pelo município mineiro. A união entre história, ciência e ecologia define a relevância da luta pela manutenção da integridade dessas fontes naturais.

@redehoje
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