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12 de janeiro, dia da cidade de Patrocínio | Primeira Coluna

Foto: Elias Miranda | Patrocínio VIP

Eustáquio Amaral

Histórico. 12 de janeiro é dedicado ao dia da Cidade de Patrocínio. Sim, completam 152 anos que o Município deixou de ser vila. Deixou de ser um simples arraial. Tornou-se cidade. Como foi esse acontecimento, como eram os políticos, como era a região, é bom saber um pouco. O cenário patrocinense referente à década de 70 do século XIX. Mais precisamente, de 1870 a 1879, é revivido.

SEGUNDA LEI MAIS IMPORTANTE DA HISTÓRIA RANGELIANA – A Lei nº 1.995, de 13 de novembro de 1873, eleva à “cathegoria de cidade a villa do Patrocínio, e incorpora ao mesmo município a freguesia de Sant’Anna do Espírito Santo”, e, foi sancionada assim:

Venâncio José d’Oliveira Lisboa, Presidente da Província de Minas Gerais, faço saber a todos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial decretou, e eu sancionei a Lei seguinte:

Art. 1º – Fica elevada à categoria de cidade, e com a mesma denominação, a villa do Patrocínio.

Art. 2º – Será incorporada ao município da referida cidade a freguesia de Sant’Anna do Espírito Santo, desmembrada para este fim do município de Santo Antonio dos Patos.”

EXPLICAÇÃO – Venâncio José (presidente) seria o governador de hoje. A capital era Ouro Preto. E Província é o Estado de agora. Santana de Patos, durante o período 1842/1900, ora pertencia a Patrocínio, ora a Patos. É o distrito mais antigo da região, inclusive mais antigo do que a própria cidade de Patos de Minas.

PASSAGEM DE “VILA” PARA “CIDADE” – Embora a Lei seja de novembro de 1873, a instalação definitiva de cidade do Patrocínio ocorreu 60 dias após. Nesse intervalo, as questões administrativas e materiais foram adotadas para a mudança de vila para cidade. Cidade (termo de origem romana) substituiria vila (termo de origem portuguesa). Além disso, cidade era geograficamente maior com mais funções urbanas do que vila. E cidade possuía maior presença política. Assim, a cidade do Patrocínio se instalou em 12 de janeiro de 1874. Há 152 anos.

POPULAÇÃO EM 1872 – Um ano antes da Lei, Patrocínio contava 31.378 habitantes. Incluindo Coromandel, Abadia dos Dourados e Serra do Salitre, que eram seus distritos. No ranking de todo o Império brasileiro, Patrocínio ocupava o 65º lugar de município mais populoso do Brasil. E o 28º da Província de Minas. E poucas palavras, Patrocínio era o município mais populoso do Triângulo Mineiro, nessa época.

A PRIMEIRA CÂMARA MUNICIPAL COMO CIDADE – No período de 1874 a 1877, como cidade, sete vereadores ocuparam as cadeiras do Legislativo Municipal. São eles: Felisbino Gonçalves dos Reis, Jacintho de Faria Vellozo, Antônio Gonçalves de Melo, Francisco Albino Rocha, Joaquim Gonçalves Torres, Delfino Gomes Roiz Câmara e Joaquim Pedro Barbosa. Este último o presidente da Câmara Municipal.

PRIMEIRO PREFEITO COMO “CIDADE” – Até o final do Império, o presidente da Câmara era também o prefeito, chamado agente executivo. A denominação “prefeito” foi consagrada mesmo a partir da “Era Vargas”, em 1930. E com a Constituição de 1934. Então, de 1874 a 1877, o vereador Joaquim Pedro Barbosa foi o primeiro agente executivo (prefeito) de Patrocínio, como cidade. Faleceu em 11/10/1879, aos 61 anos de idade, deixando oito filhos e esposa.

PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELA MUDANÇA – A coordenação do movimento para a elevação de vila à cidade coube ao vereador Bernardo Bueno da Silva ou Bernardo de Moraes Bueno (esse nome, seria o correto). Em 1864, Bernardo já era um dos vereadores da vila. Como também eram vereadores o ex-agente executivo (prefeito) Joaquim Antônio de Magalhães (parente do cronista Milton Magalhães e do pesquisador Adeilson Batista) e o primeiro prefeito Joaquim Pedro Barbosa. O incrível Antônio Correa Rangel, um líder que foi prefeito, vereador, presidente da Câmara e delegado em um mesmo tempo, por volta de 1850, era juiz municipal substituto em 1864. O intelectual patrocinense, de reconhecimento provincial, Francisco Alves de Souza e Oliveira era escrivão. Segundo o “Almanak” Administrativo, Civil e Industrial da Província, nesse ano de 1864, Patrocínio contava com 20.616 “almas” (habitantes) e 1.718 votantes (eleitores).

MAS QUEM FOI BERNARDO? – Nos três mandatos anteriores, ainda Patrocínio como vila, Bernardo Bueno era vereador. E segundo narrativas de Sebastião Elói, teria sido também agente executivo. E frequentava o poder provincial (governo estadual) em Ouro Preto, onde o seu prestígio foi demonstrado. Depois de 1874, Bernardo exerceu mais três mandatos. Então, Bernardo Bueno foi vereador por seis mandatos. Tio-avô de José Elói dos Santos, um dos primeiros jornalistas de Patrocínio, que é avô do Zé Elói (Maisumonline).

UM RETRATOS DE 1874 – Havia em Minas somente 74 municípios. Desses tão somente 61 cidades. Nem Uberlândia, nem Monte Carmelo, nem Patos de Minas, eram cidades. Aliás, no Triângulo/Noroeste existiam cinco cidades apenas. Araxá (1865), Patrocínio (1874), Uberaba (1856), Bagagem (1861, a partir de 1901 denominada Estrela do Sul), e, Paracatu (1840).

PATOS FAZ FESTA NO “DIA DA CIDADE”! – A vila de Santo Antônio dos Patos ganhou condição de cidade no dia 24 de maio de 1892. Ou seja, há 134 anos. Historicamente, os patenses sempre fazem grandes festividades nessa data, incluindo a famosa “Festa Nacional do Milho”. Porém, o distrito de Santo Antônio dos Patos emancipou-se de Patrocínio em 29 de fevereiro de 1868, cumprindo a Lei Provincial nº 1.291, de 30/10/1866. Conclusão: Patos de Minas comemora o dia que se tornou cidade (24 de maio) e não o dia que se emancipou (seja 29 de fevereiro, que é ano bissexto, ou, 30 de outubro, o da Lei).

ARAGUARI TAMBÉM FESTEJA NO “DIA DA CIDADE” – A Vila do Brejo Alegre (Araguari) desligou-se do município de Bagagem (Estrela do Sul) em 31/03/1884. E, quatro anos depois, em 28/08/1888 tornou-se a cidade de “Araguary”. A grande festa cívica araguarina acontece em 28 de agosto (dia da Cidade). Daí, a última festa comemorou os 137 anos de Araguari.

OUTRAS VILAS ELEVADAS À CIDADE – Em 1882, Carmo da Bagagemfoi elevada à categoria de vila. Dez anos depois, 24 de maio de 1892, ganhou o status de cidade. E em 1900, Carmo da Bagagem passa a ser denominada Monte Carmelo. Já Carmo do Paranaíbatornou-se vila em 1876 e cidade em 04/10/1887. Carmo também faz a sua festa no “Dia da Cidade” (04 de outubro). E Sacramentode vila (1871) transformou-se em cidade cinco anos depois (1876). Uberabafoi vila em 1836 e cidade em 1856. Contudo, a festa é em data diferente de ambos esses eventos. E a capital do Triângulo, Uberlândiacomemora o “Dia da Cidade” com muita festa, em 31 de agosto.

E PATROCÍNIO COMEMORA O “DIA DA CIDADE”? – Nem sabe o que é 12 de janeiro. O dia da emancipação, 07 de abril, sim, comemora. Todavia, a apresentação histórica das principais cidades da região e suas datas cívicas marcantes dá para concluir, outra vez, de que Patrocínio precisa reconhecer o dia 12 de janeiro. Pelo menos, conhecer e saber. Isso é cívico. Isso é cultura. Isso é ter Patrocínio no coração.

(eaamaral@hotmail.com)

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