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Saúde | Vacinação piloto contra dengue com imunizante nacional começa em municípios

Ação de vacinação contra a dengue em Maranguape, no Ceará. Foto: Rafael Nascimento/MS

Vacina de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan começa a ser aplicada para avaliação de impacto.

Da Redação da Rede Hoje

O Governo do Brasil iniciou no sábado, 17 de janeiro, a vacinação contra a dengue com imunizante 100% nacional. A vacina foi desenvolvida pelo Instituto Butantan com apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social. A estratégia começou nos municípios-piloto de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais. A imunização contempla pessoas com idade entre 15 e 59 anos. A ação tem caráter avaliativo para futura ampliação.

A partir do domingo, 18 de janeiro, o município de Botucatu, em São Paulo, passou a integrar a estratégia piloto. O objetivo da iniciativa é avaliar o impacto da vacina na transmissão da dengue. Também serão reunidas evidências sobre a efetividade do imunizante. Os dados coletados devem subsidiar decisões sobre a expansão nacional. A aplicação ocorre em unidades de saúde locais. A estratégia segue protocolo definido pelo Ministério da Saúde.

Os municípios foram selecionados com base em critérios populacionais e estruturais. As cidades possuem população entre 100 mil e 200 mil habitantes. Outro fator considerado foi a existência de rede de saúde estruturada. Essa condição permite a implementação da vacinação e o monitoramento dos resultados. A escolha busca garantir dados consistentes sobre impacto e segurança. O acompanhamento será realizado ao longo de 1 ano.

Durante esse período, especialistas irão analisar a incidência da dengue nas cidades participantes. Também haverá monitoramento de possíveis eventos adversos raros. A metodologia adotada segue modelo semelhante ao utilizado em Botucatu na pandemia de Covid-19. Os dados serão comparados com períodos anteriores. O acompanhamento envolve equipes técnicas e instituições de pesquisa. Os resultados serão utilizados pelo Programa Nacional de Imunizações.

Distribuição de doses

Nesta primeira etapa, serão distribuídas 204,1 mil doses da vacina Butantan-DV. Botucatu receberá 80 mil doses destinadas à população-alvo. Maranguape contará com 60,1 mil doses. Nova Lima receberá 64 mil doses para aplicação. O quantitativo é suficiente para vacinação em massa nesses municípios. As doses fazem parte de um lote inicial produzido pelo Butantan.

O Instituto Butantan produziu 1,3 milhão de doses nesta fase inicial. A distribuição foi planejada de acordo com a população elegível. A vacina é aplicada em dose única, o que facilita a logística. A imunização ocorre em Unidades Básicas de Saúde e pontos definidos pelas prefeituras. As secretarias municipais de saúde são responsáveis pela execução local. O Ministério da Saúde coordena a estratégia nacional.

Para a faixa etária de 10 a 14 anos, segue disponível a vacina japonesa contra a dengue. Esse imunizante possui esquema de duas doses. Inicialmente, a vacina foi ofertada em 2,1 mil municípios prioritários. Atualmente, está disponível em mais de 5 mil municípios do país. A aplicação ocorre exclusivamente nas Unidades Básicas de Saúde. A estratégia permanece ativa paralelamente à nova vacina.

A vacina Butantan-DV é destinada às demais faixas etárias, entre 15 e 59 anos. O limite segue o que está estabelecido em bula e regulamentado pela Anvisa. A ampliação para outras idades dependerá da disponibilidade de doses. O uso do imunizante será gradativo conforme a produção. A estratégia considera critérios técnicos e regulatórios. O acompanhamento dos resultados orientará as próximas etapas.

Ampliação da estratégia

Com a chegada de novas doses, está prevista a vacinação de profissionais da Atenção Primária à Saúde. A etapa deve começar no início de fevereiro. Serão destinadas cerca de 1,1 milhão de doses a esses profissionais. O público inclui médicos, enfermeiros e agentes comunitários. A ação prioriza trabalhadores da linha de frente do SUS. A medida depende da liberação do volume de doses.

A estratégia nacional de vacinação do público geral será implementada conforme a produção avance. A ampliação ocorre por meio de parceria de transferência de tecnologia. O acordo envolve o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines. A expansão começará pela população de 59 anos. Gradualmente, avançará até o público de 15 anos. A expectativa é ampliar a produção em até 30 vezes.

A vacina Butantan-DV é o primeiro imunizante de dose única contra a dengue. O produto oferece proteção contra os 4 sorotipos do vírus. Estudos clínicos indicam eficácia global de 74%. Os dados apontam redução de 91% nos casos graves. Também foi registrada proteção de 100% contra hospitalizações. Os resultados embasaram a autorização regulatória.

O desenvolvimento da vacina levou cerca de 20 anos de pesquisas. O processo envolveu centros de pesquisa brasileiros e instituições estrangeiras. Em 2008, o BNDES aprovou o primeiro financiamento para o projeto. Foram destinados R$ 32 milhões para estudos iniciais. As pesquisas incluíram vacinas para dengue, leishmaniose canina e rotavírus. O investimento marcou etapa decisiva no desenvolvimento.

Investimentos e cenário

Em 2017, o BNDES aprovou novo financiamento para o projeto. O valor foi de R$ 97,2 milhões destinados a ensaios clínicos. Também houve investimento na construção de planta de escalonamento. No total, o Banco participou com 31% dos R$ 305,5 milhões investidos. Os recursos viabilizaram a fase final do desenvolvimento. A vacina passou por todas as etapas regulatórias.

Em 2024, o Brasil se tornou o primeiro país a ofertar vacina contra a dengue no sistema público. O SUS mantém a vacinação de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Esse público recebe o imunizante de duas doses. A aplicação ocorre exclusivamente em Unidades Básicas de Saúde. A nova vacina amplia a cobertura etária disponível. As estratégias seguem integradas.

Em 2025, os casos de dengue no Brasil registraram queda de 74% em relação a 2024. Foram contabilizados 1,7 milhão de casos prováveis. No ano anterior, o número chegou a 6,5 milhões. O total de óbitos também apresentou redução significativa. Em 2025, foram registradas 1,7 mil mortes. Em 2024, o número foi de 6,3 mil.

Apesar da redução, o Ministério da Saúde mantém alerta para o controle do mosquito. A eliminação de criadouros do Aedes aegypti segue como principal medida. A vacinação atua de forma complementar às ações de controle vetorial. Outras estratégias incluem uso de inseticidas e testes rápidos. Tecnologias inovadoras também integram o combate. As ações são realizadas em todo o território nacional.

@redehoje
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