
Mauro, personagem interpretado por Renato Novaes, em uma viagem marcada pela introspecção e pela tentativa de reconstruir memórias de infância | Divulgação
Selecionado entre quase nove mil produções, o curta dirigido por Kauan Okuma Bueno aposta na força das lembranças pessoais e no diálogo entre gerações para marcar presença no maior evento de curtas-metragens do mundo
Da Redação da Rede Hoje
O curta-metragem FrutaFizz marca a presença do cinema brasileiro na competição internacional do Festival de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França. Considerado o maior festival dedicado ao formato no mundo, o evento reúne produções de diversos países e funciona como uma vitrine estratégica para novos realizadores. Nesta edição, o filme é o único representante do Brasil entre as obras concorrentes, ampliando a visibilidade da produção nacional no cenário internacional.
Dirigido por Kauan Okuma Bueno, FrutaFizz integra a seleção oficial composta por 62 títulos escolhidos entre 8.900 inscritos. A estreia internacional ocorre com oito exibições programadas entre os dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. O diretor acompanha o festival presencialmente, em uma viagem viabilizada por parcerias institucionais que buscam fortalecer a circulação do cinema brasileiro fora do país.
A narrativa acompanha Mauro, personagem interpretado por Renato Novaes, em uma viagem marcada pela introspecção e pela tentativa de reconstruir memórias de infância. Ao retornar à cidade que acredita ser Gonçalves, em Minas Gerais, o protagonista revisita espaços e experiências que o levam a questionar os limites entre lembranças reais e imagens criadas ao longo do tempo, tema central da obra.
O filme propõe uma reflexão sobre identidade, pertencimento e memória afetiva, utilizando uma abordagem sensível e intimista. A jornada de Mauro é compartilhada com João, um colega de trabalho que atua como contraponto e testemunha desse processo de revisitação do passado, reforçando o caráter humano e subjetivo da história apresentada.
Produção
Além do protagonismo de Renato Novaes, FrutaFizz se destaca pelo encontro de diferentes gerações em cena. O elenco conta com a participação do ator Alvim Silva e de Tia Neide, que faz sua estreia no cinema aos 83 anos. A presença da atriz amplia o diálogo entre passado e presente, um dos eixos temáticos do curta, e confere autenticidade às relações retratadas na tela.
Nos bastidores, a produção reúne nomes experientes do cinema brasileiro. A direção de fotografia é assinada por Rodolfo Sanchéz, profissional consagrado que esteve à frente da fotografia de obras como Pixote – A Lei do Mais Fraco e O Beijo da Mulher Aranha. Aos 81 anos, o fotógrafo contribui com uma estética marcada pela maturidade técnica, em sintonia com a proposta sensível do filme.
A combinação entre a experiência de Sanchéz e o olhar contemporâneo de Kauan Okuma Bueno resulta em uma linguagem visual que valoriza detalhes, paisagens e expressões, reforçando o tom memorialista da narrativa. O trabalho técnico se soma ao roteiro para construir uma atmosfera que dialoga com o público de diferentes contextos culturais.
FrutaFizz chega ao festival francês após um percurso reconhecido no Brasil. O curta venceu o prêmio de Melhor Curta-Metragem Brasileiro no Festival de Cinema de Gramado e também foi eleito Melhor Curta de Ficção pelo voto popular no Festival Curta Campo Grande. As conquistas reforçam o potencial da obra e sua capacidade de comunicação com plateias diversas.
Reconhecimento

Alvim Silva e Renato Novaes em ‘FrutaFizz’ | Divulgação
Realizado pela Livre Cine Produções, com produção associada de empresas do setor audiovisual, o filme contou com produção executiva de Josmar Bueno Junior e Adriana Okuma. O projeto foi viabilizado por meio da Lei de Incentivo PROAC do Governo de São Paulo, com apoio institucional e patrocínios que garantiram desde a produção até a presença no festival internacional.
A participação em Clermont-Ferrand coloca FrutaFizz em um circuito estratégico de difusão do curta-metragem, ampliando oportunidades de exibição e diálogo com profissionais de diferentes países. Mais do que competir por prêmios, a obra apresenta um recorte da cultura brasileira a partir de histórias íntimas e universais.





