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Patrimônio | Patrocínio sedia encontro para registro das quitandeiras como patrimônio nacional

Fotos: Secom | PMP

Evento realizado no museu municipal integra pesquisa de campo conduzida pelo iphan com produtoras locais.

Da Redação da Rede Hoje

O Museu Professor Hugo Machado da Silveira recebeu em 5 de fevereiro o 1º Encontro de Quitandeiras para mobilização do registro do ofício como patrimônio cultural. A ação conduzida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional reuniu o governo municipal e a Fundação Casa da Cultura Dr. Odair de Oliveira. Patrocínio foi selecionado para a pesquisa de campo devido à expressividade e particularidades do saber tradicional apresentadas pelas mulheres da região. O objetivo central é fortalecer a identidade cultural local e garantir o reconhecimento nacional desta prática transmitida entre gerações de famílias. A iniciativa promove a valorização das histórias e métodos produtivos que compõem a culinária típica mineira em torno da mesa.

A representante do Iphan Carolina Cadima Fernandes Nazareth apresentou o projeto oficial e coordenou um espaço de escuta com as profissionais presentes no local. Durante o diálogo as participantes compartilharam trajetórias sobre o aprendizado do ofício herdado de mães, avós, tias e até de sogras em ambiente doméstico. Cristiane relatou que mantém banca na feira e quitanda própria produzindo itens como roscas, bolos, pães de queijo recheados, tortas e diversas bolachas artesanais. Já a produtora Márcia destacou o resgate de fórmulas familiares para a fabricação de quitandas naturais sem o uso de conservantes químicos no processo. O encontro permitiu a manifestação de saberes que unem a técnica tradicional ao sustento financeiro de diversas famílias.

O famoso livro de receita que quase toda família tem

Gesleida Nogueira detalhou o trabalho social desenvolvido ao longo de 42 anos junto a 41 comunidades rurais do município por meio da assistência da emater. A atuação incluiu a promoção de cursos e a criação da Feira do Produtor para viabilizar a comercialização direta dos itens fabricados no campo. Cleide Araújo relembrou o costume paterno na produção de quitandas com foco no pão de queijo enquanto Eliana trouxe memórias do forno de barro. Ela destacou a produção de suspiros e do bolo de coalhada além da dedicação atual aos alimentos naturais sem componentes ultraprocessados. Zelita Fonseca mencionou que aprendeu as habilidades na educação do lar e com um tio que transmitia as receitas.

Trajetórias

A quitandeira Camila da empresa Kifome de Minas explicou que envia pão de queijo congelado para o mercado de São Paulo mantendo a tradição da avó. Ela ressaltou que já transmite os conhecimentos para a filha garantindo a continuidade do ofício que marca a história afetiva de sua linhagem. A secretária municipal de cultura e turismo ana valéria de rezende cunha informou que a sala de gastronomia está sendo equipada para novas ações. O espaço contará com o trabalho da chefe do departamento de gastronomia gabi tropicana para fortalecer a valorização da culinária regional. A meta é atrair o público jovem para aprender as receitas e evitar o desaparecimento desses costumes tradicionais.

A realização deste encontro reafirma o compromisso da pasta de cultura com a salvaguarda de saberes tradicionais e a articulação com órgãos federais competentes

Como exemplo de preservação a secretária citou a antiga disciplina de educação para o lar onde habilidades de costura e culinária eram ensinadas formalmente. Naquela época as estudantes desenvolviam os próprios livros de receitas refletindo as expectativas sociais e contribuindo para a manutenção de métodos de preparo manuais. O debate apontou que a quitanda representa história e cultura associada ao consumo de alimentos saudáveis e feitos de forma caseira no cotidiano. Entre os ingredientes listados como fundamentais para a cozinha de raiz as produtoras destacaram o uso do queijo curado e do ovo caipira. Esses itens são considerados a base das memórias gustativas deixadas pelas antepassadas que cozinhavam em fogões antigos.

A realização deste encontro reafirma o compromisso da pasta de cultura com a salvaguarda de saberes tradicionais e a articulação com órgãos federais competentes. O município busca incentivar as manifestações populares e reconhecer o protagonismo das mulheres que preservam a memória coletiva por meio da culinária regional. O evento serviu para documentar as práticas de preparo que são consideradas patrimônio vivo da sociedade mineira frente às exigências do mercado atual. O diálogo entre as participantes e os organizadores visa criar estruturas eficientes que protejam o modo de fazer quitandas em todo o território. O encerramento da atividade contou com uma degustação de produtos fabricados pelas próprias convidadas no museu municipal durante a tarde. Este momento celebrou a integração entre as produtoras tradicionais e os técnicos que buscam a salvaguarda definitiva dos saberes locais.

Mobilização

A metodologia da pesquisa do IPHAN foca na observação direta das técnicas e na coleta de depoimentos que comprovem a relevância social do trabalho. O registro como patrimônio cultural do brasil permite a criação de políticas públicas específicas para o fomento e proteção da atividade das quitandeiras. Patrocínio se destaca pela diversidade de produtos que saem das cozinhas rurais e urbanas para abastecer feiras e comércios de grande porte. A inclusão do município na etapa de campo demonstra o reconhecimento técnico da qualidade e da tradição preservada pelas produtoras locais. As informações coletadas durante a tarde de quinta-feira servirão de base para o dossiê final de registro oficial.

A atuação da emater no suporte técnico às mulheres rurais garante que as boas práticas de fabricação sejam aliadas aos métodos de preparo antigos. O fortalecimento da comercialização na Feira do Produtor é um exemplo de como a tradição pode ser integrada ao desenvolvimento econômico sustentável da cidade. O encontro permitiu que quitandeiras de diferentes idades trocassem experiências sobre os desafios de manter receitas originais em um mercado de produtos industrializados. A valorização do produto natural sem conservantes apareceu como uma tendência forte entre as profissionais que buscam atender consumidores mais exigentes. O saber fazer tradicional é visto como um diferencial competitivo que agrega valor agregado aos pães e bolos.

As participantes enfatizaram que a quitanda é um elemento de união familiar que remete ao acolhimento e à hospitalidade típica do povo do interior. O ofício vai além da simples preparação de alimentos envolvendo rituais de preparo que respeitam o tempo de fermentação e a qualidade da matéria-prima. O pão de queijo foi citado repetidamente como o símbolo maior da produção local ganhando variações de recheios e formas de distribuição logística. O legado deixado pelos parentes é preservado em cadernos de receitas que agora ganham status de documento histórico para a pesquisa patrimonial. A preservação destes registros garante que o modo de vida destas mulheres seja respeitado pelas futuras gerações de brasileiros.

Legado

A sala de gastronomia sob gestão de Gabi tropicana funcionará como um centro de treinamento e difusão de técnicas para novos empreendedores do setor culinário. O objetivo é transformar o local em uma referência regional para o ensino de práticas tradicionais aliadas às normas sanitárias vigentes para comercialização segura. A presença de jovens interessados em aprender a arte das quitandas é vista como essencial para que o patrimônio não se torne apenas uma lembrança. A união entre a fundação casa da cultura e o governo municipal busca criar um calendário permanente de eventos voltados à gastronomia. O sucesso deste primeiro encontro abre caminho para novas etapas de mobilização e reconhecimento de outros saberes locais.

A proteção jurídica conferida pelo registro nacional traz visibilidade e segurança para as quitandeiras exercerem suas atividades com o apoio do estado brasileiro. O processo de inventário segue normas rigorosas para identificar os detentores dos saberes e a relevância histórica de cada prática apresentada na pesquisa. Ao final do evento as mulheres expressaram o orgulho de verem suas trajetórias reconhecidas por uma instituição federal de preservação histórica e artística. A gastronomia tradicional de Patrocínio ganha um novo impulso com a possibilidade de se tornar oficialmente parte do patrimônio imaterial do país. O encerramento com a degustação celebrou os sabores que definem a identidade do cerrado mineiro para o mundo.

@redehoje
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