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Segurança | Associação alerta para riscos após alteração nas regras de trânsito

Dados indicam que aumento de velocidade eleva mortalidade nas vias. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Documento detalha impactos da renovação automática da habilitação e os limites biomecânicos do corpo humano em colisões viárias.

Da Redação da Rede Hoje

Aumentar a velocidade permitida em uma via em apenas 5% pode elevar em até 20% o número de mortes entre os usuários. Os dados constam na nova diretriz da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego sobre a tolerância humana a impactos e segurança. O documento foi divulgado em meio à vigência da medida provisória que autoriza a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação. A norma dispensa a necessidade de exames de aptidão física e mental para condutores que preenchem determinados requisitos administrativos.

A entidade avalia que as decisões sobre o trânsito precisam considerar os limites biomecânicos do corpo e o impacto da velocidade. O texto demonstra que a energia liberada em um sinistro cresce de forma exponencial e ultrapassa a capacidade de absorção fisiológica. Pedestres, ciclistas e motociclistas são apontados como os usuários mais vulneráveis diante desse cenário de transferência de energia em impactos. Segundo o presidente Antonio Meira Júnior, o resultado da negligência desses limites biológicos é o aumento de mortes e sequelas.

O documento mostra que pequenas reduções de velocidade geram quedas expressivas no risco de morte para as vítimas de acidentes. Acréscimos modestos na velocidade elevam de forma desproporcional a gravidade das lesões em colisões com usuários que estão fora dos veículos. A diretriz cita que a velocidade responde por cerca de 90% da energia transferida ao corpo humano em atropelamentos diversos. Outro ponto destacado é a expansão da frota de utilitários esportivos com frentes elevadas, que ampliam os riscos fatais.

Dados recentes do sistema de informações de saúde indicam que usuários vulneráveis respondem por mais de 75% das internações hospitalares. Esse cenário é agravado pela combinação entre alta velocidade, infraestrutura inadequada nas cidades e baixa proteção física dos cidadãos. A diretriz reforça que a aptidão para dirigir não é um estado permanente para o condutor ao longo dos anos. Condições clínicas como envelhecimento e doenças neurológicas reduzem significativamente a tolerância humana a impactos e desacelerações bruscas.

Renovação da habilitação

O programa de renovação automática da habilitação beneficiou 323.459 condutores na primeira semana de validade da nova regra federal. A medida alcança motoristas que fazem parte do registro nacional de condutores positivos e gerou economia de 226 milhões. A maior parte dos beneficiados possui carteira da categoria B, totalizando 52% das renovações processadas pelo sistema automático. Condutores com licença para carros e motos somaram 45%, enquanto aqueles que dirigem apenas motocicletas foram 3% do total.

Para integrar o registro positivo e ter o benefício, o condutor não pode ter infrações registradas nos últimos 12 meses. O cadastro deve ser realizado no aplicativo da carteira digital ou no portal de serviços da secretaria nacional de trânsito. A medida provisória visa reduzir custos administrativos e facilitar o processo para motoristas que mantêm um histórico de bom comportamento. Contudo, a associação médica defende a necessidade de avaliações periódicas individuais feitas por especialistas.

Grupos específicos de motoristas não possuem direito ao processo automático e devem procurar as unidades dos órgãos estaduais de trânsito. É o caso de condutores com 70 anos ou mais, que obrigatoriamente precisam renovar o documento a cada 3 anos. Também estão excluídos aqueles com validade reduzida por recomendação médica ou portadores de doenças que demandem acompanhamento contínuo de saúde. Motoristas com o documento vencido há mais de 30 dias também devem seguir o rito tradicional de renovação.

Para os condutores com mais de 50 anos, a renovação automática da habilitação será permitida somente uma única vez no sistema. A associação recomenda que gestores públicos adotem limites de velocidade compatíveis com a tolerância física humana e façam campanhas educativas. O documento finaliza reforçando que as decisões sobre o trânsito não devem se apoiar apenas na fluidez ou conveniência da administração pública. A segurança viária deve priorizar a preservação da vida e a integridade física de todos os usuários.

@redehoje
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