Press ESC to close

A importância de março na “pré-história” de Patrocínio | Primeira Coluna

Imagem original do acervo publico atualizada por IA Rede Hoje

Eustáquio Amaral

Aniversário. O Município de Patrocínio completará 184 anos de existência, dia 07 de abril. A Cidade de Patrocínio fez 152 anos, dia 12 de janeiro. Para comemorar não é necessário festas mirabolantes. Apenas civismo e amor incondicional à terra natal são suficientes. Para tanto, o conhecimento e o exercício de cultura em prol do amado chão são indispensáveis. Quatro livros, à mesa, mostram o primórdio patrocinense. Com a ajuda dos escritores Joaquim Ribeiro Costa, Welington Pinto, Arquivo Público Mineiro e mais dois escritores-historiadores, fatos do nascimento de Patrocínio voltam à tela da memória de cada patrocinense apaixonado.

A FUNDAÇÃO – O português Conde de Valadares, capitão-general da Capitania de Minas Gerais (espécie de governador, hoje), determinou ao capitão Inácio de Oliveira Campos realizar explorações no Bromado e Esmeril, em 1771. Assim, ele construiu uma fazenda para abastecimento dos viajantes (tropeiros) de Minas para Goiás. Essa fazenda ficava ao lado do Córrego Bromado (mais tarde, Córrego do Rangel, região onde é o bairro Morada Nova). Inácio de O. Campos denominou o lugar de “Fazenda do Bromado dos Pavões”. Inácio era casado com a célebre Joaquina de Pompéu. Para quem deixou mais de 4.000 cabeças de gado e a rica fazenda (isso em seu inventário). Pela Fazenda passaram algumas bandeiras (e os bandeirantes) rumo a Goiás.

BOA GENTE” NO COMEÇO DE PTC – Conde Valadares determinou ainda que auxiliasse Inácio Oliveira Campos no que fosse possível, segundo registros no APM. Em 1772, ordenou ao capitão Francisco de Araújo e Sá, que morava no Picão (hoje, Bom Despacho), região do Rio São Francisco, fazendo-se acompanhado de 15 a 20 homens “vadios e de menos falta”, “municiados” (abastecidos, inclusive com armas), se dirigisse ao sítio do Salitre ou Guaxinguá, onde estava Inácio Campos. Na verdade, o nome do local prevaleceu Catiguá, nome dado pelos negros.

A PRIMEIRA MISSA EM PATROCÍNIO – Em março de 1771, de acordo com a Instituição de Igrejas no Bispado de Mariana, Padre José Teixeira de Camargo celebrou, e o vigário de Pitangui benzeu o cemitério “nos Campos de Catiguá ou Salitre”. Essa informação, segundo o cônego Trindade está em um atestado assinado por Inácio de Oliveira Campos.

INÁCIO DESTRUIU QUILOMBOS – Em 1771/1772, o capitão Inácio de Oliveira Campos derrotou alguns quilombos na região. E aprisionou “mais de 50 negros, entre os quais se achavam alguns crioulos mancebos(escravos jovens)”. E devolve-os aos “donos” em Paracatu. É bom lembrar que o lendário Rei Ambrósio viveu em um quilombo na região do Rio Dourados. Doze anos antes, em 1759, esse grande líder negro brasileiro foi morto na batalha do Quilombo da Pernaíba, às margens da nascente desse rio, bastante patrocinense.

CRONOLOGIA DA AURORA PATROCINENSE – Em 1773, Inácio Campos retorna a Pitangui, porém a fazenda continua sob a tutela de sua mulher, Joaquina de Pompéu. Alguns forasteiros começam a fixar moradia no local, chamado de Salitre. Em 1793, já era um pequeno povoado. Em 1798, Salitre (nome de Patrocínio) passa a ser abrangido pela Sesmaria do Esmeril, concedida a Antônio Queiroz Teles (português). Em 1804, é construída pelos moradores uma casa de oração dedicada à Nossa Senhora do Patrocínio. Em 1807, “Salitre” torna-se oficialmente o “Arraial de N. S. do Patrocínio”. Esse fato foi revelado pelo maior historiador de Patrocínio, Joaquim Carlos dos Santos (1889-1966). Depois vieram os memoráveis pesquisadores e cientistas, o alemão Eschwege (1816), o francês Saint Hilaire (1819), que descreveu o que hoje é a Praça da Matriz (Praça Monsenhor Tiago); o austríaco Johann Baptist Emanuel Pohl (1837) e o inglês Francis Laporte de Castelnau (1840), que achou os patrocinense diferentes, quanto à jovialidade e acolhimento descritos pelos cientistas anteriores (no subentendimento, mais rudes).

POR FIM – Pela Lei nº 114, de 09 de março de 1839, foi criada a Paróquia de Nossa Senhora do Patrocínio, sob a liderança do Pe. José Ferreira Estrêla (vigário de 09/março/1839 a 25/março/1862). Padre José já era capelão em Patrocínio (distrito de Araxá) desde 1833. Ele morava na (provavelmente) melhor casa do arraial. Pois, o Levantamento Populacional de 1832-1835 do Império Brasileiro identificou a sua residência como o “Fogo nº 1” (casa nº 1).

NOVA FASE – Agora começa a história conhecida. Em 23 de março de 1840, a Lei Provincial nº 171, diretamente da capital Ouro Preto, criou a Vila e Município de Nossa Senhora do Patrocínio. Instalada em 07 de abril de 1842.

(eaamaral@hotmail.com)

@redehoje
Esta mensagem de erro é visível apenas para administradores do WordPress

Erro: nenhum feed com a ID 1 foi encontrado.

Vá para a página de configurações do Instagram Feed para criar um feed.