
Padre Caprazio nos anos 1940 em Patrocínio. Foto original: Pe. Van Berck (recuperada por IA)
Eustáquio Amaral
Pátria. A segunda dos patrocinenses pela educação e religião, na formação do estereótipo “ser de Patrocínio”, não pode deixar de ser a Holanda. Por causa da sólida presença dos sacerdotes holandeses. Depois de 35 anos instruindo a região, no começo dos anos 60, eles deixaram a sua escola, em PTC, referência no Triângulo como educandário de qualidade acima da média. Todavia, quanto à religião, a presença holandesa foi definhando até ao falecimento do Padre Pio (Franciscus Gerardus Johannes Haarman, em 20 de março de 2008), aos 89 anos de idade. Ele praticamente fechou o auspicioso ciclo holandês na cidade. A despedida mesmo iniciou-se na década de 60. Uma despedida desse período áureo na história de Patrocínio, ocorrida a partir de 1926, quando vieram os padres Gil van Boogaart, Matias van Rooij e Padre Eustáquio van Lieshout. Momento em que eles assinaram o contrato de doação do imóvel para a instalação do Ginásio Dom Lustosa (Rua Afonso Pena).
1958: PADRE MELCHIOR E PADRE NICÁCIO – Em grande parte do ano letivo, o holandês tranquilo Padre Melchior Schmierman foi o diretor do Ginásio Dom Lustosa. Professor de Latim. Toda primeira sexta-feira de cada mês, às 7h da manhã, antes de começar as aulas, os alunos postavam-se diante da imagem de Jesus, no jardim da escola, para ouvir o Evangelho e participar de rápidas orações. Eram 30 minutos de conexão com o Senhor. Padre Nicácio van Diepen, que tinha sido vigário paroquial de 1951 a 1956, completou o período de diretor naquele ano (1958), em virtude de transferência de Padre Melchior para outra cidade.
1959: PADRE VENÂNCIO, O ÚLTIMO DOS “MOICANOS” – A Congregação dos Padres dos Sagrados Corações fez renovação do corpo docente. Como novo diretor, a escola recebeu o loiro Padre Venâncio Hulselmans (professor de Matemática). O jornal “O Ideal” (dos alunos) registrou que Padre Venâncio passou pelo Ginásio (onde residiu) de 1934 a 1938. Como foi o diretor nos anos de 1959 e 1960, o destino lhe reservou o título de “o último diretor do Ginásio Dom Lustosa”, pertencente aos Sagrados Corações. Em outras palavras, foi o último holandês a dirigir o educandário. Ao final do ano de 1960, a dinastia holandesa educacional se encerrou em Patrocínio.
TAMBÉM EM 1959-1960 – Outros padres e professores aconteceram nessa renovação. Padre Otto (professor de Inglês), quase dois metros de altura. “O Ideal”, noticiando a presença de Padre Otto, escreveu: “… a melhor recepção que teve foi uma cabeçada no portal de entrada da sala de aula…”. Veio de Pindamonhangaba–SP. Também vieram Padre José, do Paraná, e, Prof. Cirilo (o mestre de Língua Pátria – hoje, Português). E o “franzino” moderado Padre Bertholdo (professor de Francês), e, o sério Padre Adalberto van Velsen (Desenho).
O INCRÍVEL HOLANDÊS! – Como professor de Química, ex–aluno de um Prêmio Nobel de Química, Padre Bernardus Johannes Marie Franken, tornou-se lenda no ensino patrocinense. Começou nos anos 40, passou pelo Crepúsculo e ainda continuou até a década de 80, com o seu show de mestre em Ciências. Simplesmente, Bernardus é o mito Padre Caprázio.
1961: SÓ A PARÓQUIA – Nesse ano, alguns meses após a inauguração de Brasília, a Congregação dos Padres dos Sagrados Corações, deixou a direção da escola. Como também encerrou as atividades do Internato (destinado a alunos de outras cidades). E passou a residência, a moradia, dos padres para um imóvel à Rua Professor Olímpio dos Santos. A direção do Ginásio Dom Lustosa foi entregue à Diocese de Patos de Minas, a qual Patrocínio pertencia e ainda pertence. O Bispo Diocesano escalou o Padre Antônio Resende como diretor. Já em 1962, foi a vez do Prof. Franklin Botelho, sob a tutela do Governo do Estado. Mas, Padre Caprázio seguiu com as suas excelentes aulas por mais alguns anos. E os padres holandeses, a partir de então, voltaram somente para, ou permaneceram somente, na Paróquia N. S. do Patrocínio.
RELIGIÃO – Nesse tempo do Crepúsculo holandês no ensino, Padre Lamberto Verrijt era o vigário paroquial, anos 1957-1967 (já tinha sido em 1939-1940). Depois, anos de 1967 a 1980, Padre Bertrando Lindeman. E por fim, Padre Pio Haarman.
FONTES – O próprio autor vivenciou de perto o período 1958/1961, pois era aluno do Ginásio Dom Lustosa. Inclusive possui cadernetas escolares, livros e “O Ideal” desse tempo. Também foram consultadas a crônica “HOLANDA É A SEGUNDA PÁTRIA DOS PATROCINENSES”, escrita por este autor, em novembro de 2019 (Gazeta de Patrocínio e Patrocinioonline), e, livro do acadêmico da APL Júlio César Resende.
SINA – O autor leva o nome de um padre holandês (Padre Eustáquio), batizado por um padre holandês (Padre Willibrordo Meeder, sepultado na igreja Matriz à direita), fez a Primeira Comunhão com padre holandês (Padre Constâncio Bokepoh), alcunhado no Ginásio por padre holandês (Padre Venâncio Hulselmans), e, amigo de um padre holandês (Padre Caprázio Franken).





