
Imagem ilustrativa de atividade física e cuidados com a saúde ao longo da vida. Foto: Banco de imagens
Especialista detalha como mudanças no organismo iniciadas na vida adulta impactam autonomia e prevenção de doenças
Da Redação da Rede Hoje
A expectativa de vida da população brasileira aumentou nas últimas décadas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o que amplia o debate sobre qualidade de vida ao longo do tempo. O crescimento acelerado da população idosa no país exige atenção não apenas ao aumento da longevidade, mas também às condições em que esse envelhecimento ocorre. Especialistas apontam que o processo de envelhecer com saúde não começa apenas na terceira idade, mas é construído ao longo de toda a vida. Alterações no organismo surgem de forma gradual e podem comprometer a autonomia futura. Entre essas mudanças estão a redução da massa muscular, alterações metabólicas e perda da densidade óssea.
A geriatra Verônica Reis afirma que essas transformações começam por volta dos 30 anos e reforça a importância da prevenção antecipada. “O envelhecimento saudável começa muito antes do que as pessoas imaginam. Na verdade, ele é construído ao longo de toda a vida. A partir dos 30 anos, o organismo já passa por mudanças naturais”, explica. Segundo ela, a adoção de hábitos saudáveis contribui para alcançar os 60 ou 70 anos com maior autonomia. A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento médico são apontados como fatores que reduzem impactos dessas alterações ao longo do tempo.
Parte das transformações relacionadas ao envelhecimento ocorre de forma lenta e sem sinais evidentes, o que pode dificultar a percepção precoce. A perda progressiva de massa muscular, conhecida como sarcopenia, pode ter início por volta dos 30 anos e tende a se intensificar após os 50. “A perda de massa muscular pode se iniciar por volta dos 30 anos e tende a se intensificar após os 50. Isso pode impactar diretamente a força, o equilíbrio e a mobilidade”, destaca a médica. A prática de exercícios de fortalecimento muscular é indicada para preservar a capacidade funcional ao longo da vida.
Outro fator relevante é a redução da densidade óssea, com maior incidência entre mulheres e diagnóstico frequente apenas após complicações. “A prevenção da osteoporose deve começar muito antes da menopausa. É importante manter uma alimentação rica em cálcio, garantir níveis adequados de vitamina D, praticar atividade física e evitar hábitos prejudiciais”, afirma Verônica Reis. Esses cuidados contribuem para preservar a saúde dos ossos ao longo dos anos. A ausência dessas medidas pode aumentar o risco de fraturas e comprometer a qualidade de vida.
Condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado estão entre as mais frequentes na população adulta e idosa no Brasil e, em muitos casos, evoluem sem sintomas. “Muitas pessoas acreditam que estão saudáveis simplesmente porque não sentem nada. No entanto, doenças como pressão alta e alterações no colesterol podem evoluir por anos sem causar sintomas evidentes”, explica a especialista. O acompanhamento médico periódico é indicado para identificar essas condições precocemente e evitar complicações. Entre as possíveis consequências estão doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e problemas renais.
Além dos aspectos físicos, o envelhecimento envolve fatores emocionais e cognitivos que também influenciam a saúde ao longo do tempo. “O estresse prolongado pode impactar o sono, alterar hormônios, favorecer o aumento da pressão arterial e até contribuir para o surgimento de doenças cardiovasculares”, afirma a médica. A manutenção da atividade cerebral e a atenção a sinais como falhas de memória que interferem nas atividades diárias são apontadas como medidas relevantes. A especialista conclui que hábitos adotados entre 30 e 40 anos têm impacto direto na autonomia e na qualidade de vida nas décadas seguintes.





