
Impactos econômicos estão relacionados ao aumento dos custos de energia e insumos estratégicos. Crédito: Agência de Notícias da República Islâmica
Levantamento da Fiemg indica efeitos sobre preços, cadeias produtivas e desempenho econômico em diferentes cenários
Da Redação da Rede Hoje
Um eventual agravamento do conflito no Oriente Médio pode provocar aumento de até 7,66% na inflação brasileira e reduzir a atividade econômica, segundo estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que aponta impactos diretos relacionados ao encarecimento de energia e de insumos estratégicos, como fertilizantes, com efeitos ao longo das cadeias produtivas e reflexos no preço final ao consumidor em diferentes setores da economia.
O levantamento considera três cenários distintos, classificados como moderado, severo e extremo, que variam conforme a intensidade do conflito e o nível de restrição à oferta global de produtos exportados pela região, especialmente diante de limitações no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de energia e matérias-primas.
No cenário moderado, com redução de 30% nas exportações, os impactos são descritos como mais pontuais e concentrados nos preços, enquanto no cenário severo, com queda de 60% nas exportações, as interrupções se tornam mais amplas e com maior disseminação de custos, afetando diferentes segmentos da economia de forma mais consistente.
Já no cenário extremo, com interrupção total das exportações, o estudo projeta efeitos mais amplos sobre as cadeias globais, com repercussões mais intensas tanto nos preços quanto na organização da produção, ampliando os impactos sobre o funcionamento da economia em escala internacional.
Cenários
De acordo com a análise, o impacto sobre a inflação pode alcançar até 2,29% no cenário moderado, 4,60% no severo e 7,66% no extremo, enquanto a atividade econômica tende a apresentar retração mais limitada, variando entre -0,04% e -0,12%, conforme o nível de intensidade do choque considerado.
O estudo aponta que a inflação representa o principal canal de transmissão dos efeitos no Brasil, refletindo o aumento dos custos de energia e de insumos intermediários, que se propagam ao longo das cadeias produtivas e impactam diretamente a formação de preços em diferentes setores da economia.
Crédito: Agência de Notícias da República Islâmica

Ainda que os efeitos sobre a atividade econômica sejam considerados mais restritos, o levantamento indica que eles se intensificam nos cenários mais adversos, com impactos mais perceptíveis sobre setores que dependem de insumos importados e de maior consumo energético.
Entre os segmentos mais afetados estão a indústria de transformação, o transporte e a logística, além da cadeia de fertilizantes e de alimentos, que apresentam maior sensibilidade às variações nos custos de insumos e energia, conforme detalhado no estudo divulgado pela entidade.
Impactos
No curto prazo, o levantamento também aponta efeitos como valorização cambial e aumento da arrecadação associada ao setor petrolífero, com possibilidade de crescimento de até 5% em 12 meses, em função das mudanças nos preços internacionais de energia.
Apesar desses efeitos, o estudo indica que esses fatores não são suficientes para compensar as pressões inflacionárias, especialmente nos cenários de maior intensidade, nos quais o aumento dos custos tende a se sobrepor aos ganhos pontuais em determinados segmentos.
No cenário global, a análise aponta tendência de desaceleração moderada da atividade econômica, acompanhada de pressões inflacionárias mais disseminadas, principalmente em economias que dependem da importação de energia e de insumos estratégicos para manter sua produção.
A instabilidade decorrente do conflito também afeta o funcionamento das cadeias produtivas e contribui para o aumento da volatilidade nos mercados internacionais, com reflexos sobre o comércio e a dinâmica econômica em diferentes países.
Avaliação
Segundo o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, o principal efeito identificado está relacionado ao aumento de custos, que tende a pressionar os preços mesmo com impactos mais limitados sobre a atividade econômica, conforme avaliação apresentada no estudo.
De acordo com a análise, esse movimento pode afetar a competitividade da indústria em cenários mais intensos, além de exigir acompanhamento por parte da política econômica, diante da possibilidade de aumento persistente da inflação associado ao encarecimento de insumos e energia.





