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Eustáquio Amaral
Economia. A de Patrocínio está bem? Sim, se considerar somente o AGRO. Não, se considerar o aspecto conjuntural. Ou seja, se considerar o contexto, onde há mais indicadores, mais setores, que fazem parte de um progresso desejável. ICMS, exportação de café (quem ganha com ela) e leite só in natura dão sinais de que há algo a fazer para o bem de Patrocínio.
ICMS, UM IMPOSTO A MELHORAR – Na Região Intermediária de Patos de Minas (critério do IBGE), quanto ao famoso VAF, Patrocínio só ganha de João Pinheiro, entre as grandes cidades (da região). Perde para Unaí, Paracatu e (naturalmente) Patos de Minas. Para se ter uma ideia, em fevereiro/2026, enquanto Patrocínio recebia de ICMS, via “VAF”, R$ 5,4 milhões, Patos de Minas recebeu R$ 7,6 milhões e Paracatu R$ 14,5 milhões. Está aí a relevância de um VAF melhor.
OUTROS COMPONENTES PARA O ICMS – São 19 setores que influenciam na transferência do ICMS para as prefeituras. No quesito (setor) “Educação”, Patrocínio dá show na região. Quase R$ 200 mil, em fevereiro/2026, foram transferidos para a Prefeitura, devido ao bom desempenho na Educação. Patos de Minas recebeu de ICMS, por causa da Educação, só R$ 165 mil (em fevereiro/26). Por ter maior penitenciária, o que não é nenhuma vantagem (é triste!), Patrocínio liderou também nesse quesito (setor) “Penitenciária”. No ano de 2025, quase R$ 1,5 milhão de ICMS que a Prefeitura recebeu deve-se à “Penitenciária”. O valor exato é R$ 1.472.617,00. “Meio Ambiente-Conservação”, “Patrimônio Cultural”, “Turismo” e “Esportes” são os pontos fracos de Patrocínio. Pois, é superado em quase tudo pelos demais municípios. Isso há bastante tempo.
RESUMO GERAL DO ICMS – Em 2025, Patrocínio recebeu mais de R$ 90,5 milhões. Valor expressivo? Nem tanto. Patos de Minas recebeu R$ 120,7 milhões, Paracatu R$ 218,3 milhões e Unaí R$ 117,7 milhões. Patrocínio tem margem para aumentar o seu VAF, que é responsável por 75% das transferências, de ICMS. A industrialização é a saída de ouro. Sobretudo, de insumos vindos de seu agro. Café e leite são os primeiros exemplos. São as principais apostas.
SÓ O “SOBRENATURALDE ALMEIDA” EXPLICA – Assim escreveu Nelson Rodrigues sobre o inexplicável. Patrocínio produz 65.000 toneladas de café. Disparadamente, o maior produtor de café no Brasil (e do melhor). Manhuaçu (2ºcolocado) apenas a metade. Monte Carmelo (5º lugar) 25.000 toneladas de café em grãos. Varginha 10.900 t. e Guaxupé 5.200 t. Pois bem. No momento de exportar café, Patrocínio nem aparece na fita. Tomando o mês de março/2026 como referência, Varginha liderou as exportações de MG, impulsionada pelo café. Se exportou mais do que produz, exportou também café de outros municípios, inclusive de Patrocínio. Os maiores exportadores de Minas seguem com Nova Lima (ouro/minério), Paracatu (ouro), Araxá (ferro-nióbio) e Betim (veículos). Palavras da Fundação João Pinheiro.
PARA AONDE VAI A RIQUEZA – Como maior exportador de MG, Varginha exportou, apenas em março, US$ 261,4 milhões de dólares, principalmente café para Alemanha, Itália e EUA. Paracatu (3º lugar) exportou US$ 217,3 milhões (ouro), Araxá US$ 213,7 milhões (nióbio) e, Guaxupé US$ 124,2 milhões (só café). Conclusão, o café é tão importante para Minas e Brasil, como o ouro e o nióbio. Nesse cenário, onde fica a importância do maior produtor de café do Brasil (Patrocínio)? Só o “Sobrenatural de Almeida” poderá responder.
PALAVRAS SÃO PALAVRAS, NADA MAIS DO QUE PALAVARAS – Patrocínio, Capital Estadual do Café. Patrocínio, Capital Nacional do Café. Rainha Mundial do Café. Tudo isso é positivo. São ações de glorificação. Mas, Patrocínio bem merece algumas ações estruturantes para o seu incomparável agro.
TUDO SE REPETE COM O LEITE – Minas é o maior produtor de leite de vaca do Brasil. Patrocínio é o 2º maior produtor de leite de Minas (superado somente por Patos de Minas). A maioria da produção patrocinense destina-se a laticínios em outros municípios. Daí, parece, que há ausência de fatores estruturantes também para o precioso leite. A boa industrialização é solução.





