
Revisão do tratado binacional busca garantir menor custo de energia ao consumidor brasileiro. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)
Diretor-geral brasileiro afirma que proposta visa inclusão social por meio de preços mais baixos para a população.
Da Redação da Rede Hoje
As negociações sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu, entre Brasil e Paraguai, indicam uma definição para a redução no valor da tarifa de energia gerada pela usina a partir de 2027. O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri, afirmou nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, que a expectativa é anunciar a nova tarifa para os próximos anos até o mês de dezembro. Segundo o executivo, o objetivo é que o custo repassado aos brasileiros seja o menor do país. A usina binacional, localizada em Foz do Iguaçu, é uma das maiores do planeta e responde atualmente por cerca de 8% de toda a energia consumida em território brasileiro.
Em 2024, uma ata assinada pelos dois países previu que o valor da tarifa consideraria prioritariamente os custos operacionais da hidrelétrica, projetando valores entre 10 e 12 dólares por quilowatt ao mês. Atualmente, o Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade aprovado pelo Conselho de Administração para o período entre 2024 e 2026 é de 19,28 dólares. No entanto, a tarifa comercializada no lado brasileiro é mantida em 17,66 dólares por meio de um aporte extra de 285 milhões de dólares feito pela própria Itaipu. Essa estrutura temporária visa assegurar a modicidade tarifária para as distribuidoras que adquirem a energia da Enbpar.
Divergências de interesses nacionais
O Tratado de Itaipu, firmado originalmente em 1973, previa a revisão das bases financeiras após 50 anos de operação, o que ocorre no cenário atual. Embora a geração seja dividida igualmente, o Paraguai não consome toda a sua cota de 50% e manifesta interesse em elevar o valor da tarifa para financiar o desenvolvimento nacional. O posicionamento brasileiro segue no sentido oposto, priorizando a oferta de energia barata para beneficiar donas de casa, estudantes, trabalhadores e o setor industrial. Uma das possibilidades em pauta é permitir que a cota paraguaia excedente seja vendida diretamente no mercado livre de energia do Brasil.
As decisões da diretoria de Itaipu, composta por seis representantes de cada país, devem ser tomadas obrigatoriamente por consenso, o que exige um processo diplomático cuidadoso. Os termos da revisão estão sendo discutidos diretamente por chanceleres e ministros de Minas e Energia de ambas as nações. Após a conclusão das negociações técnicas pelas altas partes, o texto final da revisão do tratado ainda precisará passar por aprovação nos parlamentos brasileiro e paraguaio. A usina possui 14 mil megawatts de potência instalada e opera com 20 unidades geradoras que atendem 78% do mercado de eletricidade do Paraguai.
Atualização tecnológica e expansão
Paralelamente às negociações financeiras, a hidrelétrica passa por um processo de atualização tecnológica iniciado em maio de 2022, com conclusão prevista para o ano de 2035. O plano de investimentos soma 900 milhões de dólares e foca na modernização de sistemas eletrônicos e computacionais, substituindo equipamentos da década de 1980. As estruturas pesadas, como as turbinas e a própria barragem, apresentam excelentes condições de conservação e não integram este pacote de reformas. O centro de controle e as subestações também receberão melhorias para aumentar a confiabilidade operacional da planta nas próximas décadas de produção.
A diretoria da Itaipu Binacional avalia ainda a possibilidade de expandir a capacidade de geração de energia no futuro próximo. Entre as opções estudadas estão a instalação de mais duas turbinas ou o aumento da produtividade das unidades geradoras já existentes por meio de novos avanços científicos. Uma licitação para contratar um estudo internacional sobre esses impactos socioambientais e econômicos está sendo preparada pela empresa. Enquanto a atualização tecnológica avança, o foco imediato permanece na conclusão da revisão tarifária para garantir a estabilidade dos preços da eletricidade para os consumidores finais a partir do próximo ano.





