
Comunidade e autoridades reunidas na quadra da Escola Municipal Rogério Leonardo de Oliveira durante a audiência. Fotos: Divulgação/Secom PMP
Encontro apresentou diretrizes do modelo de gestão compartilhada; dados de um relatório elaborado pelo Fórum Estadual Permanente de Educação de Minas Gerais trazem análise crítica sobre a militarização do ensino .
Da Redação da Rede Hoje
A quadra da Escola Municipal Rogério Leonardo de Oliveira sediou, em 16 de abril de 2026, uma audiência pública destinada a apresentar e debater a implantação do modelo de Escola Cívico-Militar em Patrocínio. O evento reuniu autoridades do Executivo e Legislativo, além de educadores, familiares e membros da comunidade escolar interessados em conhecer o funcionamento da proposta. O objetivo central do encontro foi o esclarecimento das diretrizes pedagógicas e administrativas que regem esse sistema, permitindo que a população local se manifestasse sobre a possível adesão da unidade de ensino ao programa.
Durante a solenidade, o prefeito Gustavo Brasileiro discursou sobre os aspectos educacionais e estruturais previstos no projeto municipal. Segundo o chefe do Executivo, a iniciativa tem como meta elevar a qualidade do ensino público em Patrocínio, oferecendo novas oportunidades aos estudantes por meio de uma formação fundamentada na disciplina e em valores cidadãos. O gestor reforçou que o modelo cívico-militar atua como um elemento agregador na educação de crianças e adolescentes, focando no fortalecimento do comportamento estudantil e na preparação dos alunos para os desafios da vida em sociedade.

O prefeito Gustavo Brasileiro disse que a iniciativa tem como meta elevar a qualidade do ensino público em Patrocínio, por meio de uma formação fundamentada na disciplina e em valores cidadãos
O apoio político ao projeto foi manifestado pelo deputado federal Maurício do Vôlei (PL), que esteve presente na audiência e colocou o seu mandato à disposição para viabilizar a implantação da escola. A explanação técnica ficou sob responsabilidade do presidente da Abemil, Capitão Davi Lima Sousa, que detalhou como ocorre a organização entre as esferas administrativa e pedagógica. Na oportunidade, o representante da instituição apresentou resultados colhidos em outras unidades que já adotam o sistema, buscando demonstrar a viabilidade da gestão compartilhada entre militares e profissionais da educação.

O projeto é apoiado pelo deputado federal Maurício do Vôlei (PL)
O encerramento da primeira etapa da audiência contou com a participação ativa das famílias, que utilizaram o espaço aberto para perguntas e depoimentos sobre as expectativas em relação à mudança. Após o debate, uma consulta foi realizada com os presentes, resultando em uma manifestação favorável da maioria da comunidade escolar pela continuidade do processo de instalação. Com a conclusão desta fase de escuta pública, o projeto de lei agora segue para análise na Câmara Municipal, onde os vereadores devem deliberar sobre a aprovação e os impactos orçamentários da nova estrutura.
Contrapontos ao modelo pedagógico
Em oposição aos argumentos apresentados na audiência, dados de um relatório elaborado pelo Fórum Estadual Permanente de Educação de Minas Gerais, publicados no Brasil de Fato, trazem uma análise crítica sobre a militarização do ensino. O documento, publicado originalmente em 2024 pelo Grupo de Trabalho Temporário da instituição, aponta que não foram encontradas evidências científicas que comprovem a melhora da aprendizagem ou a redução da violência exclusivamente pelo modelo cívico-militar. O estudo realizado pelo Fepemg utilizou análise documental e entrevistas com inspetores escolares para avaliar a implementação dessa política em diversas cidades mineiras.
O relatório técnico enumera problemas relacionados à falta de formação pedagógica dos militares que atuam nas escolas, classificando os cursos preparatórios como superficiais. O pesquisador e doutor em Educação, Cássio José de Oliveira Silva, destaca que a implementação muitas vezes ocorre por motivações ideológicas, sem considerar que a violência escolar é um reflexo de exclusões sociais mais amplas. Outro ponto crítico levantado pelo especialista refere-se ao custo da política, uma vez que os militares podem receber salários superiores aos de professores e diretores, mesmo sem possuírem licenciatura ou formação específica na área da educação.
As evidências colhidas pelo GTT indicam ainda uma possível seleção social do alunado após a instalação do modelo, atraindo famílias com maior poder aquisitivo e afastando alunos com dificuldades disciplinares ou transtornos mentais. O documento do Fepemg relata que, em algumas unidades, houve tratamento inadequado a estudantes com condições como esquizofrenia e transtorno opositor desafiador, o que contraria princípios de inclusão escolar. A análise conclui que a gestão democrática e a valorização dos profissionais da educação são caminhos mais eficazes para a melhoria do ensino do que a adoção de medidas repressivas.

A quadra da escola ficou lotada na audiência pública
Tabela Comparativa: Os dois lados da proposta
| Aspecto | Argumentos a Favor (Gestão Municipal/ABEMIL) | Argumentos Contra (Fepemg/Pesquisadores) |
| Disciplina | Fundamental para o aprendizado e respeito. | Pode se tornar repressão e exclusão de alunos “difíceis”. |
| Gestão | Militares auxiliam na organização administrativa. | Militares não possuem formação pedagógica específica. |
| Resultados | Melhora nos índices educacionais e civismo. | Inexistência de provas científicas de melhora no IDEB por causa do modelo. |
| Investimento | Valorização da estrutura e segurança. | Gastos elevados com militares em vez de investir no plano de carreira docente. |








