
O café especial descafeinado da Expocacer, foi embarcado pelo Porto de Santos rumo ao mercado japonês. Foto: Divulgação/Expocacer
Iniciativa é fruto de reposicionamento estratégico da cooperativa para atender mercados maduros focados em saúde e bem-estar.
Da Redação da Rede Hoje
A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) consolidou uma operação histórica ao exportar 8,4 toneladas de café especial não torrado, naturalmente descafeinado, para o Japão. O carregamento, equivalente a 140 sacas de 60 kg, foi estufado na sede da organização em Patrocínio no dia 27 de abril e embarcado pelo Porto de Santos nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026. Este movimento faz parte de um processo de renovação da marca realizado nos últimos três anos, que identificou o café descafeinado como uma tendência de alto valor agregado no exterior. O volume exportado nesta única operação supera o total anual de café descafeinado não torrado embarcado por todo o Brasil nos anos de 2024 e 2025.
O diretor comercial da Expocacer, Italo Henrique, destacou que o foco inicial do projeto é a validação comercial e a construção de um relacionamento sólido com o exigente consumidor asiático. Segundo o executivo, “a exportação das 140 sacas de café especial ‘decaf’, produzido e naturalmente descafeinado no Brasil, para o Japão, neste primeiro momento, é mais voltada à construção de mercado do que focada em escala imediata”. Henrique ressaltou que o produto deixou de ser um item de nicho para se tornar uma categoria estratégica. Ele ainda pontuou que o setor apresenta um crescimento médio de 7% ao ano mundialmente, impulsionado por consumidores que buscam reduzir a cafeína sem abrir mão do sabor e da qualidade sensorial.
Demanda
A solicitação do lote inédito partiu da Cerrad Coffee & Company, empresa com sede em Tóquio que já trabalha com cafés brasileiros há cinco anos. Carlos Akio Yamaguchi, responsável pela qualidade da importadora, explicou que o diferencial desta remessa é a raridade de encontrar cafés de alta pontuação que passem pelo processo de descafeinação. Para Yamaguchi, o mercado japonês, composto majoritariamente por jovens e mulheres grávidas, está em expansão e valoriza o fato de o processo ser realizado inteiramente em solo brasileiro. A demanda específica foi por um café da variedade bourbon, cultivado na Região do Cerrado Mineiro, conhecido por sua doçura e complexidade.
O processo de remoção da cafeína, denominado “Mountain Water”, foi realizado em Sooretama, no Espírito Santo, pela DM Descafeinadores do Brasil. Este método é considerado premium e totalmente natural, pois utiliza apenas água e sólidos solúveis do próprio grão para extrair a cafeína sem o uso de solventes químicos. A técnica preserva as características naturais do café através de hidratação controlada, fluxo sob pressão e vácuo, seguida por uma tripla secagem e polimento. Esse cuidado garante que o produto final mantenha o perfil sensorial elevado, atendendo aos padrões dos cafés especiais que compõem o portfólio da Expocacer.
Produção

O produtor Eduardo Pinheiro Campos, da Fazenda Dona Neném, Presidente Olegário, Minas Gerais. Foto: divulgação | Expocacer
O café exportado foi produzido pelo cooperado Eduardo Pinheiro Campos, na Fazenda Dona Neném, localizada em Presidente Olegário, Minas Gerais. A propriedade é referência em sustentabilidade e tecnologia, possuindo certificações internacionais como Rainforest Alliance e Nespresso. O lote enviado ao Japão é um bourbon amarelo que apresenta notas florais e sabores que remetem a melaço, mel, tangerina e laranja. Com acidez cítrica e corpo aveludado, o grão reflete o rigor técnico aplicado na fazenda, que recentemente bateu recorde de preço em premiações regionais, com sacas vendidas por até R$ 200 mil.
O Japão consolidou-se em 2025 como o quarto maior importador de café brasileiro, adquirindo mais de 2,6 milhões de sacas, um crescimento de quase 20% em relação ao ano anterior. A entrada da Expocacer neste mercado com um produto descafeinado de alta qualidade reforça a posição da Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro no cenário global. A cooperativa projeta que novos embarques ocorram conforme a consolidação do selo “decaf” avance entre os torradores japoneses. O sucesso desta operação inédita abre caminho para que outros produtores mineiros invistam em tecnologias de beneficiamento voltadas para o bem-estar e saúde do consumidor final.
Estatística
Dados do MDIC revelam que a exportação brasileira de café descafeinado não torrado foi de apenas 698 kg em 2024 e 832 kg em 2025. O volume de 8.400 kg enviado pela cooperativa mineira representa um salto de mais de 1.000% em comparação à média nacional do período anterior. Essa disparidade evidencia o potencial inexplorado do segmento e a capacidade da Expocacer em liderar movimentos de vanguarda no agronegócio mineiro. Para a diretoria da cooperativa, os números comprovam que a leitura do mercado internacional foi correta e que há espaço para o crescimento de cafés diferenciados.
O encerramento deste ciclo de exportação marca uma nova etapa para a cafeicultura de Patrocínio e região, unindo tradição produtiva com inovação industrial. O apoio de parceiros internacionais e a expertise dos produtores locais foram fundamentais para que o grão naturalmente descafeinado chegasse ao Porto de Santos com qualidade de exportação. A Expocacer reafirma seu compromisso em buscar novos labels e tendências, mantendo o Cerrado Mineiro como protagonista na exportação de cafés sustentáveis. O monitoramento do desempenho deste lote no Japão servirá de base para o planejamento das próximas safras e expansão da categoria descafeinada.





