
Luiz Antônio Costa
Há notícias que nunca envelhecem. Apenas doem de maneira diferente.
Na madrugada fria de 28 de maio de 2021, às 4h05, o telefone rompeu o silêncio trazendo uma daquelas frases que ninguém está preparado para ouvir: “Luiz, perdemos o Renato. Ele não suportou e se foi”. Cinco anos depois, ainda parece impossível aceitar completamente aquelas palavras.
O tempo passou. As máscaras saíram dos rostos, as ruas voltaram ao movimento, os estádios retomaram os gritos das torcidas, os microfones seguiram ligados nas rádios da cidade. Mas algumas ausências continuam ocupando espaço demais. A de Renato Oliveira é uma delas.
Renatinho — como os amigos o chamavam — não era apenas um jornalista. Era presença. Era intensidade. Era daqueles profissionais que transformavam notícia em compromisso e amizade em abrigo. Um repórter completo, inquieto, dono de uma coragem rara para perguntar o que precisava ser perguntado, sem perder a educação e o respeito.
Patrocínio conheceu sua voz nas ruas, nas coberturas policiais, no esporte, nos bastidores da cidade. Renato transitava com naturalidade entre a emoção do futebol amador e a dureza dos plantões policiais. Cobriu vitórias, derrotas, tragédias e alegrias com o mesmo senso de responsabilidade.
Na Difusora, na Capital, no Dia News Notícias, deixou sua marca. E deixou porque trabalhava com verdade. Não fazia jornalismo por vaidade; fazia porque acreditava que informar era servir.
Cinco anos depois, ainda é impossível falar de rádio esportivo em Patrocínio sem lembrar da sua vibração ao comentar um jogo do CAP, da ansiedade antes das transmissões, das conversas sobre pautas, dos planos para novos projetos. Renato vivia um dos melhores momentos da carreira. Tinha conquistado seu espaço como apresentador na Rádio Capital, estava feliz com o “Rádio Show”, experimentando novos desafios e descobrindo novas possibilidades dentro da profissão que tanto amava.
Talvez por isso sua partida tenha sido ainda mais cruel.

A covid interrompeu sonhos, famílias, histórias inteiras. E Renato virou um símbolo doloroso daquele tempo em que o mundo parecia perder a batalha diariamente. Aos 45 anos, lutou até onde conseguiu. Lutou como viveu: com coragem.
As últimas mensagens ainda ecoam na memória de quem acompanhava sua recuperação. Pequenas melhoras davam esperança. “Melhorando, Luiz”, escreveu ele em uma tarde de maio. Poucos dias depois, o silêncio tomou conta da conversa.
Mas Renato nunca silenciou de verdade.
Ele continua vivo nas lembranças dos amigos, nas homenagens da cidade, no reconhecimento dos colegas de profissão e no carinho popular que conquistou ao longo de décadas de trabalho sério. A Liga Patrocinense de Futebol eternizou sua memória ao dar seu nome aos troféus de campeão e vice do Campeonato Amador de 2021, uma homenagem justa para alguém que tanto valorizou o esporte amador e acompanhou de perto o futebol da cidade.
A Câmara Municipal de Patrocínio também reconheceu sua importância ao aprovar homenagem denominando um logradouro público no distrito de São Benedito como “Radialista Renato Oliveira”. Mais do que uma placa, é o reconhecimento oficial de uma vida dedicada à comunicação e ao povo patrocinense.
E eu mesmo fiz questão de eternizar Renatinho em uma obra que guarda parte importante da história esportiva da cidade. No livro “CAP: A História de uma Paixão Grená”, lançado pouco depois de sua partida, sua trajetória recebeu o devido espaço. Era impossível contar a história do Clube Atlético Patrocinense e da cobertura esportiva da cidade sem falar dele. Renato ajudou a narrar momentos inesquecíveis do CAP e merecia permanecer também nas páginas da memória escrita.
Porque algumas pessoas não podem ser esquecidas.
Continuam vivas nas transmissões que marcaram época, nos arquivos de áudio, nas fotografias, nas entrevistas, nos amigos que conquistaram e no exemplo profissional que deixaram para as novas gerações.
Cinco anos depois, a saudade não diminuiu. Apenas aprendeu a caminhar ao lado da gratidão.
Gratidão por ter convivido com um homem leal, trabalhador, humilde e apaixonado pela comunicação. Gratidão por sua amizade sincera. Gratidão pelo profissional brilhante que ajudou a contar a história de uma cidade inteira.
Renato Oliveira cumpriu sua missão cedo demais, é verdade. Mas cumpriu de maneira inteira, intensa e inesquecível.
E talvez seja isso que realmente importa no fim: algumas pessoas partem… mas nunca deixam de permanecer.
Renatinho permanece.
Na memória.
Na história.
E principalmente no coração de quem teve o privilégio de conhecê-lo.





