
Colheita da safra brasileira de café 2026/27 deve ganhar ritmo nas próximas semanas, segundo análise da Hedgepoint Global Markets. Foto: Daniel Vásquez | Pixabay
Produção estimada em 75,6 milhões de sacas reforça expectativa de maior oferta, enquanto restrições em outros países e riscos climáticos mantêm volatilidade no mercado.
Da redação da Rede Hoje
A perspectiva de uma safra recorde de café no Brasil em 2026/27 continua exercendo pressão sobre os preços internacionais da commodity. No entanto, a menor disponibilidade de café em outras origens produtoras, a redução das vendas por parte dos cafeicultores brasileiros e as incertezas climáticas seguem limitando movimentos mais intensos de queda. A avaliação consta em análise divulgada pela Hedgepoint Global Markets. O cenário também é influenciado pelo ambiente econômico global.
Segundo a empresa, o mercado internacional continua enfrentando desafios relacionados à inflação, taxas de juros elevadas e incertezas geopolíticas. Apesar de sinais de maior estabilidade nos preços do petróleo após discussões sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, a crise energética ainda impacta diversas economias. Nos Estados Unidos, os indicadores de inflação continuaram avançando em abril. Esse contexto mantém dúvidas sobre os próximos passos da política monetária norte-americana. O ambiente influencia diretamente os mercados de commodities.

Outro fator observado é a valorização do Real ao longo de 2026. A moeda brasileira mais forte reduz o retorno das exportações para os produtores nacionais. Mesmo diante da possibilidade de mudanças na política monetária dos Estados Unidos, o Real continua favorecido pelo fluxo de investimentos estrangeiros. O comportamento cambial tornou-se um ponto de atenção para o setor cafeeiro. A situação afeta a rentabilidade das exportações brasileiras.
Apesar da expectativa de uma produção recorde, a oferta disponível no curto prazo segue limitada em diversas regiões produtoras. A menor comercialização por parte dos produtores brasileiros também contribui para restringir a disponibilidade do produto. Além disso, o mercado acompanha os riscos climáticos relacionados ao fenômeno El Niño. Esses fatores ajudam a sustentar os preços em determinados momentos. A combinação mantém o mercado em constante monitoramento.
Colheita
De acordo com Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, a safra recorde brasileira exerce pressão de baixa sobre os preços. Entretanto, a disponibilidade reduzida em outras origens, o ritmo menor de vendas no Brasil e as preocupações climáticas podem limitar esse movimento. A especialista destaca que o mercado continua reagindo aos fundamentos de oferta e demanda. O comportamento dos produtores também influencia as negociações. A atenção permanece voltada para os próximos meses.

Os spreads do café Arábica entre julho e setembro continuam indicando um mercado invertido, embora em patamares inferiores aos observados anteriormente. Segundo a análise, níveis mais elevados desses diferenciais aumentam os custos financeiros e podem dificultar a reposição de estoques nos países consumidores. Esse cenário torna mais caro manter volumes armazenados. O comportamento dos preços segue refletindo essas condições. Os agentes acompanham os efeitos sobre o comércio internacional.

Laleska Moda, analista de Inteligencia de Mercado da Hedgepoint Global Markets (Foto: divugação)
Os fundos especulativos também demonstram postura mais cautelosa. Embora mantenham posições líquidas compradas, houve redução da exposição nos últimos meses diante da expectativa de maior oferta brasileira. Ao mesmo tempo, o aumento dos contratos em aberto sugere tendência moderadamente baixista para o mercado. A abertura de novas posições vendidas depende de um cenário mais confortável de oferta. Os investidores seguem avaliando os próximos indicadores do setor.
A colheita brasileira da safra 2026/27 deverá acelerar nas próximas semanas. Segundo a Hedgepoint, o atraso observado até agora está relacionado à florada tardia registrada em 2025, ao elevado volume esperado para a temporada e às chuvas registradas em algumas regiões produtoras. Relatórios preliminares indicam aumento no tamanho dos grãos e boa qualidade da bebida. Avaliações mais conclusivas deverão ocorrer após junho. O avanço da colheita permitirá análises mais precisas.
Oferta
As estimativas da Hedgepoint apontam para uma produção total de 75,6 milhões de sacas de café Arábica e Conilon, estabelecendo um novo recorde para o Brasil. Mesmo com essa perspectiva, os produtores seguem evitando vendas mais agressivas. A comercialização permanece abaixo dos níveis históricos observados para o período. Os contratos futuros para a nova safra também apresentam ritmo reduzido. A diferença entre os preços futuros e os valores do mercado físico influencia esse comportamento.

Enquanto isso, a disponibilidade reduzida em outros países produtores continua sustentando parte dos diferenciais de preços. Grande parte dos cafeicultores de Arábica encontra-se em período de entressafra, com estoques menores e postura cautelosa nas vendas. Na Colômbia, a valorização da moeda local também limita as exportações. No mercado de Robusta, a oferta vietnamita permanece restrita pela entressafra. Chuvas intensas na Indonésia também afetam a disponibilidade global.
O clima segue entre os principais fatores de atenção para o setor. O NOAA elevou para 82% a probabilidade de desenvolvimento do fenômeno El Niño entre maio e julho. Existe ainda a possibilidade de permanência do fenômeno durante o inverno 2026/27 no hemisfério norte, correspondente ao verão no hemisfério sul. Segundo Laleska Moda, ainda há incertezas sobre a intensidade e o momento de pico do evento. Mesmo assim, o fenômeno pode afetar a produção global de café em 2026 e 2027. A variável climática continua sendo acompanhada pelo mercado.




