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Você Sabia? A sobrevivente do Holocausto que criou Gene Simmons, do Kiss

Fotografo: Michael Putland no ano de 1977. O registro original completo foi feito nos bastidores (camarim) do Madison Square Garden, em Nova York, onde ela aparece sorridente ao lado de seu filho caracterizado como o icônico “Demon” da banda

Sebastião Calisto

Esta senhora da foto é Flora Klein. Vocês vão se surpreender com a sua história de vida. Em 1944, ela tinha 19 anos e morava na Hungria. Com a invasão da Alemanha, a população de origem judia foi mandada para os campos de concentração nazistas e, entre elas, estava a jovem Flora Klein. Antes da deportação, ela ouviu da família: viva, sobreviva.

Antes da guerra, Flora tinha uma vida simples, tinha aprendido o ofício de cabeleireira e pretendia abrir um salão. Mas a Segunda Guerra Mundial mudou tudo. De uma hora para outra, ela perdeu tudo: família, liberdade e qualquer certeza no futuro.

Nos campos de concentração, sobreviver dependia de fatores imprevisíveis. Bastava um olhar de um guarda ou uma decisão arbitrária para determinar quem morreria e quem viveria, e este era o cenário que Flora viveria. Só que uma habilidade acabou sendo sua salvaguarda. Sendo cabeleireira, passou a cuidar das oficiais alemãs. Mas Flora só tinha um objetivo: sobreviver. E todos os dias era uma batalha silenciosa para suportar a fome, as doenças e o medo de morrer. Permanecer invisível não era heroísmo, era sobre resistência.

Em maio de 1945, a guerra acabou. Flora e todos os dos campos de concentração foram libertos. Flora podia seguir em frente. Mas grande parte da sua família havia sido assassinada, sua antiga vida na Hungria não existia mais. O país estava todo destruído. Entre os que conseguiram sobreviver, só restava o seu irmão Larry.

Flora teve que reconstruir sua vida novamente. Em meio ao caos, Flora encontrou Ferreno Yehel Witz. Se enamoraram e depois se casaram. Com a Hungria destruída, foram morar na Palestina, área que mais tarde se tornaria o Estado de Israel.

Em 1949 nasceu o seu primeiro filho e Flora escolheu o nome de Chaim, que em hebraico significa VIDA. Infelizmente, o casamento não durou muito. Com um filho nos braços e agora sozinha, Flora resolveu ir para os Estados Unidos. Com pouquíssimo dinheiro, Flora foi morar no bairro Queens e conseguiu trabalho em uma fábrica de roupas. Ela passava longas horas trabalhando, trabalho duro e salário modesto, mas dava para sustentar ela e o seu filho.

Enquanto o seu filho Chaim crescia, desenvolvia um gosto por desenhos em quadrinhos, música e cultura pop. Mais tarde, aquele jovem adotaria o nome artístico de Gene Simmons. No início da década de 1970, uniu-se aos seus amigos Paul Stanley, Ace Frehley e Peter Criss para fundar uma banda de rock. O nome era simples: Kiss.

O sucesso foi explosivo. Com maquiagem pesada, espetáculo cheio de pirotecnia e uma energia avassaladora, a banda se tornou um fenômeno mundial. Gene Simmons se transformou em uma das figuras mais conhecidas do rock mundial.

Mas por trás daquela pesada maquiagem estava Chaim Witz, e por trás de Chaim estava Flora Klein Witz. Pois a força que Gene demonstrava nos palcos tinha raiz em uma mulher que tinha sobrevivido ao pior que o século XX produziu.

Seu filho escolheu viver sob os holofotes e Flora passou anos tentando não chamar atenção. Em 2017, Gene Simmons homenageou sua mãe em um evento no Yad Vashem, memorial das vítimas do Holocausto em Israel.

Flora Klein morreu em dezembro de 2018, aos 93 anos. Flora transformou a sobrevivência em legado.

Sebastião Calisto – ou Tião Clisto – é cartunista e comerciário em Patrocínio, MG, e colaborador da Rede Hoje desde a época dos veículos impressos.

@redehoje
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