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Endocrinologistas alertam para as complicações severas na saúde física e mental causadas pelo uso de implantes hormonais e anabolizantes para emagrecimento ou ganho de massa muscular.
Da Redação da Rede Hoje
A busca por ganho de massa muscular, emagrecimento e melhora da aparência física tem levado muitas mulheres a utilizarem substâncias perigosas sem orientação adequada. O alerta foi emitido por especialistas que se preocupam com a disseminação de tratamentos que prometem soluções rápidas e milagrosas para o corpo. Entre os compostos mais procurados no mercado farmacêutico e em academias estão a oxandrolona e a gestrinona, frequentemente aplicadas em implantes.
O uso desregrado de esteroides anabolizantes e hormônios sintéticos ganhou força nas redes sociais através da divulgação dos chamados “chips da beleza”. Médicos especialistas alertam que essas substâncias estão sendo comercializadas para finalidades puramente estéticas, ignorando a ausência de evidências científicas sobre a segurança do método. A prática coloca em risco a saúde de pacientes saudáveis que buscam o rejuvenescimento ou a perda de peso a qualquer custo.
Segundo a endocrinologista do Hospital Orizonti, Kamilla Brandão, esses tratamentos costumam ser oferecidos para finalidades estéticas, apesar da ausência de evidências robustas de segurança e eficácia. A médica explica que a oxandrolona é um esteroide anabolizante derivado da testosterona sem indicação aprovada para ganho de massa em mulheres saudáveis. Já a gestrinona consiste em um hormônio sintético utilizado no passado para endometriose, estando hoje sem aprovação para fins estéticos.
A médica destaca os principais efeitos adversos associados ao uso inadequado de hormônios androgênicos e anabolizantes em mulheres:
Problemas cardiovasculares: Alterações do colesterol, aumento da pressão arterial e possível elevação do risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Toxicidade hepática: Maior risco de lesão hepática, especialmente com alguns anabolizantes administrados por via oral.
Virilização: Engrossamento da voz, aumento do clitóris, crescimento excessivo de pelos e queda de cabelo podem persistir mesmo após a suspensão do tratamento.
Alterações emocionais e psiquiátricas: Ansiedade, irritabilidade, oscilações de humor e sintomas depressivos podem ocorrer em algumas pacientes.
Problemas dermatológicos: Acne, aumento da oleosidade da pele, queda de cabelos e piora de quadros dermatológicos pré-existentes.
Alterações menstruais e infertilidade: Supressão da ovulação, irregularidade menstrual e dificuldade para engravidar.
Alterações metabólicas: Piora da resistência à insulina, aumento da gordura visceral e maior risco cardiometabólico em determinadas situações.
Uso na menopausa
Segundo a médica, a oxandrolona, quando corretamente indicada, possui benefícios comprovados para o tratamento dos sintomas da menopausa e para a melhora da qualidade de vida de muitas mulheres. Já a gestrinona atualmente não faz parte do tratamento clínico recomendado. A terapia hormonal da menopausa tem como objetivo central aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida da mulher diante da queda natural dos níveis de estrogênio.
A redução drástica dos níveis hormonais no organismo feminino pode causar sintomas bastante desconfortáveis como ondas de calor, alterações severas do sono, ressecamento vaginal, oscilações de humor e perda acelerada de massa óssea. Nesses casos, a terapia hormonal da menopausa pode trazer benefícios importantes quando indicada após avaliação individualizada, na ausência total de contraindicações. Não se trata de um tratamento para ganho de massa muscular, emagrecimento ou transformação estética.




