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Atletismo | Tradição marca a 74ª Corrida Nacional da Fogueira que reúne este ano 430 atletas profissionais e amadores

Correndo em Patrocínio, o vencedor de 2010, Frank Caldeira: vencedor da São Silvestra (SP), Medalha de Ouro na Pan-Americana (RJ) e Corrida da Fogueira em Patrocínio em junho de 2010 | Fotos: aquivo reproduzido da Rede Hoje

Prova histórica criada pelos irmãos Matias e vencida por Floriano reúne o esquadrão do Cruzeiro, João da Mata, queniano, patrocinenses e centenas de atletas de todas as partes

Da Redação da Rede Hoje.

Patrocínio recebe no próximo dia 27 de junho a 74ª Corrida Nacional da Fogueira para incentivar a prática esportiva local. A tradicional competição de rua terá largada às 18h na Praça Santa Luzia reunindo 430 atletas profissionais e amadores. Entre os inscritos confirmados estão corredores de várias regiões do país e competidores internacionais vindos do Quênia e da Etiópia. A disputa busca promover a integração da comunidade e celebrar o esporte através de percursos de 4 e 12 quilômetros. A presença de um casal de corredores africanos e do atual campeão da Maratona de Belo Horizonte eleva o nível técnico.

A expectativa é de que a corrida reúna competidores e familiares pelas ruas da localidade durante o próximo sábado. Visitantes e amantes do atletismo também devem acompanhar a movimentação urbana para prestigiar as provas de pedestrianismo programadas. A iniciativa fortalece o turismo esportivo e movimenta o comércio em Patrocínio ao longo de todo o final de semana. Toda a programação acontece integrada com as festividades do ArraiôPatrô, evento que resgata as raízes culturais da região. A importância da Corrida Nacional da Fogueira vai além da própria disputa e se consolida na história regional.

O começo há sete décadas

A história da Corrida Nacional da Fogueira começou há mais de sete décadas por iniciativa de desportistas locais. A prova nasceu com o objetivo de incentivar a prática esportiva e promover a integração da comunidade. Ao longo das décadas, o evento cresceu e ganhou forte reconhecimento regional e nacional no país. O nome da competição faz referência direta às comemorações juninas tradicionais em louvor a São João. A festividade consolidou-se como um verdadeiro patrimônio esportivo e cultural para a população de Patrocínio.

1952: o ano mágico

Foto criada por IA, com base nas informações sobre a primeira corrida em 1952. Foto: Rede Hoje/IA

Em junho de 1952, o alfaiate Custódio Matias criava a Corrida da Fogueira junto com o seu irmão, Geraldo Matias de Abreu. O irmão, conhecido como Picum, posteriormente atuou como secretário particular de José Maria Alkimin na vice-presidência da República. O pioneiro a vencer a prova inicial, realizada na Praça Honorato Borges, foi o corredor Floriano Alves. O atleta correu representando o Tiro de Guerra e depois trabalhou como eletricista na rede de energia. O palanque de premiação daquela primeira edição histórica do evento esportivo ficava montado na Rua Presidente Vargas.

Tradição

Exatamente dez anos depois da prova inicial, em 1962, aconteceu a primeira transmissão ao vivo pelo rádio. O patrocinense Antônio Augusto Machado utilizou um aparelho walkie talkie da Rádio Guarani de Belo Horizonte para o trabalho. O profissional acompanhou todo o trajeto montado na garupa de uma moto para informar os ouvintes da época. Décadas mais tarde, em junho de 2018, a Secretaria Municipal de Cultura implementou a primeira edição do ArraiôPatrô. A iniciativa festiva atrai moradores e turistas com shows, barraquinhas de comidas típicas e o tradicional concurso de quadrilhas.

Alexandre Minardi, treinador da equipe de atletismo do Cruzeiro. Foto: Arquivo Rede Hoje

Cruzeiro: o grande vencer por equipes

Durante o período em que o Cruzeiro manteve sua equipe de atletismo de alto rendimento, os atletas do clube tiveram participação destacada. O esquadrão azul era considerado uma das principais potências das corridas de rua do Brasil. Os corredores da equipe mineira controlavam o ritmo das provas e acumulavam vitórias expressivas na história da competição. A presença constante desses competidores com a camisa estrelada atraía a atenção dos torcedores locais. O forte desempenho do grupo elevava consideravelmente o nível técnico de cada edição realizada.

Ganhadores da São Silvestre e da Corrida da Fogueira

O maratonista Frank Caldeira, a multivencendora Maria Zeferina Baldaia (ambos fotos de 2010) e Japet Tuo, do Quênia que correu em Patrocínio e na São Silvestre em 2023 (quem venceu foi seu compatriota Timothy Kiplagat Ronoh ). Fotos: arquivo Rede Hoje

O corredor mineiro João da Mata destaca-se entre os atletas consagrados que já venceram a tradicional competição. O competidor é reconhecido nacionalmente por suas conquistas importantes, incluindo a prestigiada Corrida de São Silvestre. Outro vencedor da prova paulista que conquistou a Corrida da Fogueira foi o maratonista Frank Caldeira. O profissional de atletismo também obteve a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. A participação desses atletas de alto nível ajudou a projetar o nome de Patrocínio no cenário nacional.

Nas atletas femininas, o grande destaque histórico da prova de rua é Maria Zeferina Baldaia. A corredora, que também venceu a São Silvestre, representou o Brasil em diversas competições internacionais. A atleta garantiu o primeiro lugar na cidade várias vezes ao longo de sua carreira no esporte. A presença constante desses ídolos nacionais ajudou a transformar a disputa em referência para o atletismo. O público local acompanhou de perto o desempenho desses nomes que marcaram época nas pistas de rua.

Os locais

Fernanda Rabelo, Jule Dayana e Glauce Queiroz, no alto do pódium em 2010. Foto: Rede Hoje

Entre os competidores locais, entre os atletas que mais venceram, o corredor Ademar Caixeta foi o atleta que obteve grandes destaques no masculino. No cenário feminino do município, as corredoras Jule Dayana, Fernanda Rabelo e Glauce Queiroz registraram participações importantes. O desempenho dos corredores patrocinenses motivou a formação de novas equipes de atletismo em toda a região. A dedicação dos competidores nas pistas serve como exemplo para novos praticantes de pedestrianismo na cidade. Os atletas locais dividem o espaço do percurso com os principais nomes do esporte internacional.

Jule Dayana e Ademar Caixeta, entre os vencedores locais contumazes na década de 2010. Fotos: Rede Hoje

Atletas Africanos passam a dominar

Atletas africanos, com destaque para representantes do Quênia e da Etiópia, acumulam vitórias na história recente. O domínio dos corredores estrangeiros nas competições de rua elevava das pistas locais um alto patamar de rendimento. A vinda desses profissionais atesta a relevância que o evento alcançou no cenário esportivo. Os moradores acompanham anualmente o revezamento de grandes campeões pelas ruas do município. A participação de atletas amadores e profissionais de vários estados gera um intercâmbio cultural importante.

Os percursos atuais exigem o máximo de resistência física dos participantes profissionais e amadores inscritos. As marcas de tempo obtidas nas ruas da localidade servem como referência para os competidores. O evento continua atraindo a atenção da imprensa especializada em virtude de seu passado glorioso. O legado deixado por vencedores antigos serve como incentivo para a nova geração de atletas locais. O município reafirma seu papel de destaque na história do atletismo de rua brasileiro.

@redehoje
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