
Protestos contra a falta de informações sobre a implantação dos colégios movimentaram as galerias no local da reunião. Foto: Guilherme Bergamini
A Comissão de Educação realizou audiência pública nesta segunda-feira para cobrar dados sobre o planejamento de expansão da rede militar.
Da Redação da Rede Hoje
O diagnóstico que embasou o planejamento para implantar novas unidades do Colégio Tiradentes em Minas Gerais não foi apresentado pelas autoridades convocadas. A Secretaria de Estado de Educação e o Comando-geral da Polícia Militar omitiram os dados técnicos coletados. O debate ocorreu nesta segunda-feira, dia 22 de junho, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Os parlamentares cobraram esclarecimentos sobre os impactos estruturais da expansão nas comunidades escolares.
A audiência pública foi coordenada pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia do parlamento estadual mineiro. A deputada Beatriz Cerqueira presidiu os trabalhos e relembrou as garantias dadas durante a aprovação do projeto original. A parlamentar destacou que o governo assegurou que as novas estruturas militares não interfeririam na rede regular. Os manifestantes lotaram as galerias da reunião para protestar contra o fechamento das escolas tradicionais.
A Superintendente de Organização Escolar da Secretaria de Educação, Simone Emerick, alegou que os estudos técnicos seguem em andamento. A representante do Executivo informou que apenas 19 unidades escolares foram preliminarmente analisadas pela pasta. A transição deve ocorrer de forma gradual entre os anos de 2027 e 2028 no Estado. Segundo a gestora, o cronograma definitivo de implantação ainda não foi estabelecido pela equipe de governo.
O Diretor de Educação da Polícia Militar, Coronel Carlos Eduardo Melo, participou do encontro e defendeu a legalidade da medida. O oficial detalhou o histórico da rede militar, que possui atualmente 60 unidades instaladas em Minas Gerais. Ele argumentou que a expansão visa fixar o efetivo policial nas comarcas do interior mineiro. O militar sugeriu que a comissão parlamentar formalizasse o pedido de acesso aos dados diretamente ao Comando-geral.
Questionamento
A ausência de modalidades de ensino específicas na rede militar gerou forte questionamento por parte dos deputados presentes. Os Colégios Tiradentes não oferecem Educação de Jovens e Adultos e ensino infantil em tempo integral. A deputada alertou que a substituição de escolas estaduais causará prejuízos graves para as populações mais carentes. A representação da Secretaria de Educação minimizou o problema, afirmando que as decisões não são definitivas.
Os custos com materiais didáticos padronizados e uniformes militares também foram detalhados durante o debate público na comissão. Os kits de livros escolares custam entre 680 e 800 reais, dependendo do nível de escolaridade. O fardamento completo exigido para os estudantes do ensino médio chega ao patamar de 1800 reais. O Coronel Carlos Melo afirmou que existem programas de assistência voltados para famílias em vulnerabilidade.
Os representantes dos professores das unidades escolares afetadas criticaram a falta de diálogo democrático do governador Romeu Zema. O educador Matheus Paiva contestou o fechamento da Escola Estadual Sebastião Silva Coutinho, sediada no município de Leopoldina. O professor classificou a medida governamental como estritamente política e sem amparo em critérios técnicos sólidos. A comunidade escolar exigiu a suspensão imediata dos processos de transição em Minas Gerais.




