
Alexandre Costa
“Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” (Provérbios 14:12)
Nem todo conselho bem-intencionado vem de Deus. Muitas vezes, as vozes que tentam nos direcionar são sinceras, lógicas e até parecem fazer sentido. Porém, a vontade de Deus nem sempre segue a lógica humana.
Ao longo das Escrituras, encontramos exemplos de pessoas que receberam conselhos aparentemente bons, mas que, se fossem seguidos, teriam impedido o cumprimento do propósito divino.
Quando Saul entrou na caverna onde Davi estava escondido, seus valentes enxergaram uma oportunidade única. Eles disseram: “Eis aqui o dia do qual o Senhor te disse: Eis que te dou o teu inimigo nas tuas mãos…” (1 Samuel 24:4)
Aos olhos humanos, o conselho era perfeito. Saul perseguia Davi injustamente, e eliminá-lo resolveria todos os problemas. Entretanto, Davi entendeu que não poderia tocar naquele que Deus havia ungido. O conselho parecia espiritual, mas não refletia a vontade de Deus.
Anos depois, Jesus começou a revelar aos discípulos que precisaria sofrer, morrer e ressuscitar. Então Pedro, movido pelo amor ao Mestre, declarou: “Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo nenhum te acontecerá.” (Mateus 16:22)
Pedro não estava tentando prejudicar Jesus. Pelo contrário, queria protegê-Lo. Mas a resposta do Senhor foi firme: “Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo.” (Mateus 16:23)
Aquele conselho nascia do afeto humano, mas se opunha ao plano eterno de Deus para a salvação da humanidade.
No deserto, o próprio Satanás apresentou propostas aparentemente vantajosas para Jesus. Ofereceu pão para matar a fome, proteção sobrenatural para impressionar as multidões e todos os reinos do mundo sem a necessidade da cruz. Tudo parecia mais fácil, mais rápido e mais confortável.
Mas Jesus discerniu que por trás da aparência havia rebelião contra Deus. Por isso respondeu: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.” (Mateus 4:10)
O inimigo continua usando a mesma estratégia hoje. Nem sempre ele se apresenta através de propostas claramente erradas. Muitas vezes, ele usa argumentos lógicos, opiniões populares e até conselhos de pessoas próximas para nos afastar da vontade de Deus.
Por isso, o cristão não deve perguntar apenas: “Isso parece bom?” ou “Isso resolve meu problema?”. A pergunta correta é: “Isso está de acordo com a Palavra e com a vontade de Deus?”
Davi escolheu obedecer a Deus em vez de seus soldados. Jesus escolheu a cruz em vez do conselho de Pedro. E rejeitou os atalhos oferecidos por Satanás. A verdadeira sabedoria não está em seguir o conselho mais agradável, mas em obedecer à voz de Deus, mesmo quando ela contraria a lógica humana.
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