
Lula e Xi Jinping em Pequim. Foto: Ricardo Stuckert/PR.
Presidente afirma que o Brasil deve ampliar o processamento e a industrialização de terras raras, reduzir a exportação de matéria-prima e fortalecer a cadeia tecnológica nacional.
Da Redação da Rede Hoje
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem “inveja” do conhecimento acumulado pela China na exploração e no processamento de minerais críticos e terras raras. A declaração foi feita durante reunião realizada na sexta-feira, 10, no Palácio do Planalto. O encontro reuniu ministros, pesquisadores, especialistas e representantes do setor mineral. O objetivo foi discutir uma política nacional para pesquisa, exploração, beneficiamento e industrialização desses recursos estratégicos. O presidente também destacou o potencial técnico existente no país.
Segundo Lula, a reunião demonstrou que o Brasil possui conhecimento, instituições de pesquisa e profissionais capazes de desenvolver uma cadeia produtiva própria. Durante o encontro, o presidente afirmou que inicialmente acreditava que o país tinha pouca experiência no setor. Após as apresentações, disse ter constatado o potencial brasileiro para atuar na área. Também declarou que pretende conhecer melhor o tema das terras raras. Para ele, o país reúne condições para ampliar sua participação nesse mercado.
Lula afirmou que o Brasil não pretende permanecer apenas como exportador de matérias-primas. Segundo o presidente, a estratégia é incentivar o processamento dos minerais, o desenvolvimento tecnológico e a fabricação de produtos de maior valor agregado. Ele declarou que o objetivo é transformar o país em exportador de conhecimento e tecnologia. A proposta busca ampliar a industrialização das reservas minerais existentes em território nacional. O governo pretende fortalecer toda a cadeia produtiva.
Minerais críticos e terras raras são utilizados na fabricação de veículos elétricos, baterias, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas de telecomunicações e tecnologias militares. Por isso, esses recursos ocupam posição estratégica na economia mundial. A disputa pelo controle da extração, do processamento e do refino envolve principalmente China e Estados Unidos. O Brasil possui reservas consideradas importantes desses minerais. Entretanto, ainda enfrenta desafios para ampliar sua capacidade industrial e tecnológica.
Estratégia
Durante a reunião, Lula afirmou que o encontro representa uma mudança na forma como o Brasil trata os minerais críticos e as terras raras. Segundo o presidente, o país pode desenvolver tecnologias atualmente concentradas na China. Ele declarou que os Estados Unidos também poderão acompanhar o avanço brasileiro no setor. A intenção do governo é ampliar a capacidade nacional de processamento desses materiais. Isso dependerá de investimentos em infraestrutura, pesquisa e formação de profissionais.
A China ocupa posição dominante nas etapas de processamento e refino das terras raras. Embora possua grandes reservas minerais, o Brasil ainda depende de investimentos para ampliar sua participação na cadeia produtiva. Entre os principais desafios estão o domínio das técnicas de separação, purificação e beneficiamento. Essas etapas exigem desenvolvimento científico e capacidade industrial. O governo pretende incentivar essas áreas por meio de políticas públicas e parcerias.
A importância dos minerais críticos aumentou com o avanço da transição energética, da inteligência artificial e da indústria de defesa. Em 2026, os Estados Unidos convidaram o Brasil para integrar uma aliança voltada à produção e ao refino desses materiais. O governo brasileiro recusou a proposta por entender que ela poderia limitar sua autonomia na definição de estratégias para o setor. A posição é manter negociações com diferentes países. Também busca garantir transferência de tecnologia e investimentos industriais.
Congresso
O debate sobre minerais críticos também avança no Congresso Nacional. Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta prevê um fundo garantidor para projetos do setor e um crédito tributário de R$ 5 bilhões destinado ao processamento de minérios no Brasil. O texto ainda depende de análise do Senado. O governo pretende integrar essas medidas às ações de universidades, centros de pesquisa, instituições públicas e empresas privadas.
Com informações do Brasil 247




