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Luto na Rede Hoje: Falece a escritora e colunista Elza Lima

Luiz Antônio Costa | Rede Hoje

É com profundo pesar que a Rede Hoje comunica o falecimento da escritora Elza Lima, estimada colaboradora que mantinha, aos domingos, a carinhosa e respeitada coluna “Com a Palavra”. Morava em São Matheus, Espírito Santo. A escritora convivia há anos com um câncer que estava controlado, mas voltou. Recentemente, Rogério, esposo de Elza, havia entrado em contato com a redação informando sobre o afastamento da colunista para um período de tratamento médico, relatando que ela seguia internada sem previsão de alta. Infelizmente, a escritora não resistiu e veio a falecer.

COMUNICADO DE LUTO

“Com profundo pesar, comunicamos o falecimento de nossa querida ente querida. Sua presença, amor e dedicação deixarão lembranças eternas em nossos corações. Neste momento de dor, nos unimos em oração e solidariedade, confiando que sua memória permanecerá viva entre todos que tiveram o privilégio de conhecê-la. A família agradece o carinho, as orações e as manifestações de apoio. Saudades eternas. Família.”

Uma Patrocinense de Coração

Embora tenha nascido em Teófilo Otoni, Elza Lima era patrocinense por escolha e trajetória. Chegou a Patrocínio aos cinco anos de idade, crescendo nas imediações da Praça do Tiro de Guerra, local onde guardou memórias fundamentais de sua infância. Filha de Maria Adair Campos Lima e José Ferreira Lima, Elza viveu intensamente sua juventude na cidade, partindo apenas em 1985 para trilhar novos caminhos.

Seu pai, José Ferreira Lima, foi um dedicado ferroviário, atuando na histórica Rede Mineira de Viação, que hoje opera como Ferrovia Centro Atlântica. Essa vivência familiar na estação ferroviária de Patrocínio marcaria profundamente a sensibilidade literária de Elza, sendo um tema recorrente e nostálgico em suas obras, como no livro “Brejaúba, Minha Infância”, onde descreve com detalhes o uso do telégrafo e a rotina daquela época.

Elza formou uma família sólida ao lado do capixaba Rogério. Juntos, construíram uma vida pautada no afeto e no incentivo à cultura, deixando um legado representado pelas três filhas do casal: Julieta, Cinthia e Karine, que lhe presentearam com a alegria de três netos.

A Arte na Voz e na Alma

Muito antes de consolidar sua carreira como escritora, Elza Lima já demonstrava sua veia artística através da música. Desde cedo, a arte era uma constante em sua vida. Nos anos 70, ela e sua irmã, Fátima Queiroz, brilhavam nos palcos da cidade como backing vocal da banda patrocinense “Super Som 2001”.

A banda, que marcou uma geração, era formada por nomes lembrados com saudosismo na região: Soninho, Lazinho, Luiz Cabeleira, Taquinho, Pindoba e Átila. Elza guardava essa fase com imenso orgulho e carinho. “Cantamos em vários festivais, ganhamos em primeiro lugar uma vez, guardo o troféu até hoje”, contava ela, destacando a importância daquela experiência para sua formação como artista. Sua paixão pela música era tamanha que, em sua obra literária, chegou a citar bandas de rock alternativo brasileiro, como “Bestialgoat” e “Execração Demoníaca”.

Um Vasto Legado Literário

A transição da música para a literatura revelou uma autora prolífica e versátil. Seu legado literário é vasto, abrangendo poesias, histórias infantis, contos, ficção e até um curso de inglês completo em 6 volumes, intitulado “Step by Step”.

No campo das poesias, deixou títulos como: Segredos em Forma de Versos, Amar em Todos os Tempos, Ser Criança, Café com Poesia (em parceria com a irmã Fátima Queiroz) e A Voz da Palavra. Para o público infantil, presenteou os leitores com Plantando Palavras Escrevendo Flores, Um Monte de Monstrengos, A Minhoca Curiosa, Brincando de Aprender, Coti, a Abelha Viajante e Dominando os Números.

Sua capacidade de narrar histórias também se destacou em contos e obras de ficção, como A Menina do Lago dos Cisnes Brancos, Mazim e a Grande Mentira, além dos títulos de ficção Passado Cruel e Dark Past.

Numa de suas colunas falava do “Amor por Patrocínio”

Com a Palavra | Elza Lima   

Existem lugares que marcam a vida de uma pessoa de maneira única, e Patrocínio é um desses lugares. Quem já viveu ali guarda lembranças que vão além das paisagens ou das construções; são recordações de convivência, amizade e pertencimento e carrega consigo as memorias, as raízes e a identidade que ela proporciona.

A cidade carrega em suas ruas, praças e tradições a essência de um povo acolhedor, que valoriza a simplicidade e a hospitalidade. O aroma do café, símbolo de sua economia e identidade cultural, mistura-se ao calor humano dos encontros cotidianos.

Assim, cada detalhe se transforma em memória afetiva para aqueles que nasceram ou viveram em Patrocínio. Por isso, não importa se a vida leva seus filhos para longe: no coração de cada um permanece a saudade da terra natal, das festas, dos costumes e da sensação de estar em casa. Afinal, quem já viveu em Patrocínio jamais esquece, porque viver ali é carregar para sempre um pedaço de Minas dentro de si.

A cidade de Patrocínio é exemplo vivo desse sentimento. Quem nasce e cresce em Patrocínio aprende a valorizar não apenas sua história e tradições, mas também o calor humano de seu povo, que acolhe e preserva o espírito mineiro de simplicidade e hospitalidade.

Poderia citar inúmeros nomes de pessoas amigas que ainda residem e continuam admirando e lutando por melhorias para a cidade, em colocá-la no lugar que a engrandeça cada vez mais. Dela saíram várias celebridades como cantores famosos, jogadores de diversas modalidades esportivas e grandes empresários. Um detalhe que não posso esquecer de citar é a preocupação com a cultura de um modo geral, grandes jornalistas, músicos, escritores, que deveriam inclusive estar em um lugar de destaque mais privilegiados, mas o patrocinense é além de tudo, modesto.

As pessoas que amam Patrocínio enxergam nela mais do que um lugar no mapa. Para os patrocinenses, cada detalhe carrega significado: o comércio que movimenta a vida local, o café que fortalece a economia, os encontros nas praças, as festas religiosas e culturais que unem a comunidade. Amar a cidade é reconhecer sua importância como berço de lembranças e como espaço de construção de sonhos.

Quem ama sua terra natal cultiva um vínculo profundo com ela, mesmo quando a distância física se faz presente. Os que partem para outros destinos como eu, carregam consigo o orgulho de sua origem e a responsabilidade de honrar suas raízes. Já os que permanecem cultivam diariamente a dedicação por meio do cuidado com os espaços públicos, da preservação da cultura e do fortalecimento dos laços comunitários.

O amor pela cidade natal é um sentimento que ultrapassa gerações. Cada indivíduo carrega dentro de si as marcas do lugar onde nasceu, pois é nesse espaço que se formam as primeiras experiências, amizades e valores que moldam sua identidade. Em Patrocínio representa bem esse laço, já que seus habitantes cultivam um orgulho especial por suas tradições, sua cultura e sua importância no desenvolvimento regional.

Portanto, amar a cidade onde se nasceu, seja Patrocínio ou qualquer outra, é mais do que um simples sentimento de apego. Trata-se de reconhecer que o lugar de origem é parte essencial de quem somos, pois ele representa nossas memórias, nossas raízes e nosso ponto de partida para o mundo, mas, o patrocinense vai muito além, ele ama a cidade com tamanho amor que faz questão de expor seu sentimento em forma de livro, de poema, de música, de cronica; dá um valor extraordinário por sua terra que fica explícito e é contagiante. Um amor que não mais se vê em outro lugar.


Condolências

A Rede Hoje lamenta imensamente a perda desta voz tão talentosa que, semanalmente, enriquecia nossas edições dominicais com a coluna “Com a Palavra”. Aos familiares, amigos e aos nossos fiéis leitores, estendemos nosso mais profundo sentimento de pesar. Que o legado cultural deixado por Elza Lima seja fonte de consolo e que sua memória, marcada pela música, pela escrita e pelo amor à sua Patrocínio, seja celebrada com o mesmo carinho que ela sempre dedicou a sua arte.

@redehoje
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