
Autoridades investigam a origem do surto nos EUA como Nova York. Imagem de Bohdan Chreptak por Pixabay
Casos de ciclosporíase foram registrados em 31 estados norte-americanos, com concentração em Michigan.
Da Redação da Rede Hoje
Mais de 2,8 mil pessoas foram diagnosticadas nos Estados Unidos com ciclosporíase, infecção intestinal causada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis. A doença provoca diarreia aquosa intensa, podendo evoluir para episódios frequentes e persistentes. O maior número de registros está no estado de Michigan, onde as autoridades de saúde investigam a origem da contaminação.
As primeiras conclusões da investigação apontam alfaces e outras folhas consumidas cruas como os alimentos mais prováveis de terem transmitido o parasita. Apesar disso, os órgãos de saúde informam que a apuração continua e que ainda não foi identificado um tipo específico de hortaliça, produtor ou fornecedor responsável pelo surto.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), foram confirmados 843 casos e aproximadamente 1,5 mil permanecem sob investigação em 31 estados. Já os departamentos estaduais de saúde contabilizam mais de 2.800 ocorrências, sendo 2.640 em Michigan e 177 em Ohio. Pelo menos 86 pacientes precisaram de internação, sem registro de mortes.
O episódio é considerado o maior surto de ciclosporíase já registrado em Michigan e um dos mais amplos dos Estados Unidos nos últimos anos. As autoridades continuam rastreando a cadeia de distribuição dos alimentos para identificar a origem da contaminação.
O parasita
A ciclosporíase é causada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis, que infecta o intestino após a ingestão de alimentos ou água contaminados. O parasita é eliminado pelas fezes e pode alcançar plantações por meio de água contaminada utilizada na irrigação ou na lavagem de hortaliças.
Os sintomas mais comuns incluem diarreia aquosa intensa, cólicas abdominais, náuseas, perda de apetite, perda de peso, fadiga e mal-estar. Sem tratamento, a doença pode durar semanas ou até meses, alternando períodos de melhora e de agravamento dos sintomas.
O tratamento é realizado com antibióticos e, na maioria dos casos, apresenta boa resposta. Embora raramente seja fatal, a infecção pode provocar desidratação e exigir atendimento médico, especialmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida.
A investigação do surto enfrenta dificuldades porque os sintomas costumam surgir cerca de duas semanas após a infecção. Esse intervalo dificulta que os pacientes recordem exatamente quais alimentos consumiram antes do início da doença.
Investigação
Outro obstáculo é que o protozoário não pode ser cultivado em laboratório, limitando a confirmação da presença do parasita em alimentos suspeitos. Em muitos surtos, o ingrediente contaminado faz parte de refeições compostas, como saladas, tornando a identificação ainda mais complexa.
Especialistas também destacam que um único lote de hortaliças pode ser distribuído simultaneamente para supermercados, restaurantes e outros estabelecimentos, espalhando rapidamente os casos por diferentes regiões. Em algumas situações, a origem da contaminação nunca é determinada.
Nos últimos anos, surtos de ciclosporíase foram associados ao consumo de framboesas, manjericão, coentro, saladas prontas e outras hortaliças. Especialistas atribuem o aumento dos registros tanto ao avanço dos métodos de diagnóstico quanto às mudanças nas condições ambientais.
Enquanto a investigação prossegue, as autoridades norte-americanas recomendam lavar cuidadosamente frutas, verduras e ervas frescas, além de preferir pés inteiros de alface em vez de folhas já embaladas. Também orientam que pessoas com diarreia persistente procurem atendimento médico para avaliação e tratamento adequado.




