
Instalações internas de laboratório parceiro equipadas com salas sensoriais de acolhimento para o público. Foto: Divulgação/Instituto Sabin.
O levantamento nacional patrocinado pelo Instituto Sabin ouviu mais de 23 mil pessoas e indica que a primeira infância concentra o maior volume de identificações.
Da Redação da Rede Hoje
A edição 2026 do Mapa Autismo Brasil revelou que quase 70% dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista no país foram realizados entre os anos de 2020 e 2024. O levantamento estatístico é considerado atualmente a maior pesquisa sobre a temática na América Latina e contou com o patrocínio oficial do Instituto Sabin. A amostragem científica entrevistou mais de 23 mil pessoas entre indivíduos autistas e respectivos familiares. O estudo de caráter qualitativo obteve a aprovação formal do Comitê de Ética da Universidade de Brasília.
A coordenadora nacional da pesquisa e idealizadora do Instituto Autismos, Ana Carolina Steinkopf, detalhou a motivação central para o desenvolvimento do projeto. A especialista pontuou que “mais do que saber quantos são, precisávamos conhecer quem são essas pessoas. Foi dessa necessidade que nasceu o MAB”. Os dados consolidados indicam que 72,1% dos participantes mapeados na amostragem possuem idade entre zero e 17 anos. O monitoramento apontou que a maior parcela das confirmações clínicas ocorre na primeira infância.
O recorte por gênero revelou que os homens representam 65,3% do total de respondentes, enquanto as mulheres somam 34,2% das pessoas notificadas na amostragem. O estudo constatou que 30% das pessoas entrevistadas estão desempregadas e que 36,7% possuem a carteira de identificação da pessoa com autismo. Quanto à rede de assistência à saúde, 55,3% das famílias informaram que os laudos foram emitidos por médicos particulares. Os profissionais credenciados a planos de saúde responderam por 23,1% e o Sistema Único de Saúde atendeu 20,4%.
A necessidade de dados claros foi destacada por Ana Carolina Steinkopf para embasar a criação de novos projetos estruturais no país. A coordenadora da pesquisa alertou que “o que não é reconhecido, não existe para políticas públicas. O MAB vem justamente para dar visibilidade”. O levantamento serve como base para a reestruturação dos atendimentos nas unidades da rede privada do Sabin Diagnóstico e Saúde, que realiza treinamentos internos corporativos e promove salas sensoriais nas suas unidades.
Atendimento
A gerente de qualidade e sustentabilidade do Grupo Sabin, Maria Alice Escalante, explicou a importância da jornada flexível para receber os pacientes com autismo. A gestora afirmou que “o TEA tem diferentes espectros e a simples padronização não é suficiente para atender as necessidades desse público”. A diretoria da rede privada adaptou espaços especiais em localidades como Brasília, São José dos Campos e Blumenau com suporte técnico direto do Instituto Autismos.
A representante do laboratório ressaltou a importância de capacitar os colaboradores para lidar com os aspectos sociais dos pacientes que buscam exames. Maria Alice Escalante destacou que “é necessária a compreensão dos aspectos comportamentais para a entrega de uma jornada personalizada e flexível para o atendimento a esses clientes e suas famílias. Por isso, nosso time foi capacitado e sensibilizado para identificar as preferências no atendimento”. O gerenciamento das unidades continuará coletando os dados comportamentais.




