
Rede Hoje anota em estudo divulgado pelo PetroNotícias e identifica potencial estratégico da geologia do município para projetos de armazenamento permanente de carbono. Imagem: divulgação
Estudo da Empresa de Pesquisa Energética aponta potencial das rochas máficas e ultramáficas brasileiras para a mineralização de carbono; apuração da Rede Hoje mostra que a geologia de Patrocínio e do Alto Paranaíba reúne características favoráveis para essa tecnologia.
Da Redação da Rede Hoje
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em reportagem publicada pelo portal PetroNotícias, aponta que o Brasil possui condições geológicas favoráveis para a mineralização de carbono, tecnologia capaz de transformar dióxido de carbono (CO₂) em minerais sólidos por meio da reação química com determinadas formações rochosas. A partir dessas informações, a Rede Hoje analisou o conteúdo do estudo e identificou que Patrocínio e a região do Alto Paranaíba reúnem características geológicas que podem inseri-las entre as áreas estratégicas para futuras pesquisas e projetos da tecnologia.
A mineralização de carbono consiste na captura do CO₂ emitido por indústrias ou retirado da atmosfera e sua injeção em formações rochosas específicas. Em contato com minerais ricos em cálcio e magnésio, o gás reage quimicamente e se transforma em minerais carbonáticos estáveis, permanecendo armazenado por milhares de anos, sem possibilidade de retorno à atmosfera.
Embora o levantamento da EPE destaque como principal foco os basaltos da Bacia do Paraná, o estudo também ressalta o potencial das rochas máficas e ultramáficas distribuídas em diversos estados brasileiros, entre eles Minas Gerais. É nesse contexto que a geologia de Patrocínio passa a chamar atenção pelas características presentes no município e em toda a província geológica do Alto Paranaíba.
Geologia favorável
O subsolo de Patrocínio abriga formações compostas por rochas ultramáficas e complexos alcalinos, materiais reconhecidos pela elevada concentração de minerais capazes de reagir com o dióxido de carbono. Segundo especialistas citados no estudo, esse tipo de composição pode favorecer uma mineralização mais rápida do que aquela observada em formações basálticas convencionais.
Essas rochas apresentam elevada concentração de íons de cálcio e magnésio, elementos fundamentais para a reação química que transforma o CO₂ em minerais sólidos, como a calcita. O resultado é um armazenamento permanente do carbono, considerado uma das alternativas mais seguras para reduzir emissões de gases de efeito estufa.
Além da composição geológica, Patrocínio possui localização próxima de importantes atividades industriais e do agronegócio, fator que pode reduzir custos logísticos em eventuais projetos de Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS). O estudo também destaca que áreas hidrogeologicamente isoladas oferecem maior segurança ambiental para esse tipo de iniciativa.
Próximos estudos

A EPE ressalta que a tecnologia ainda depende de avanços técnicos e econômicos para sua aplicação em larga escala. Entre os desafios estão os custos da captura do CO₂, a necessidade de energia para o processo e o detalhamento dos estudos hidrogeológicos, fundamentais para garantir a proteção dos aquíferos de água doce.
Mesmo assim, a inclusão das rochas máficas e ultramáficas brasileiras entre as áreas de interesse abre espaço para novas pesquisas envolvendo universidades, centros de pesquisa e empresas do setor energético. No caso de Patrocínio, a geologia regional poderá ser considerada em futuras etapas de mapeamento e avaliação técnica.
Caso esse potencial seja confirmado por estudos específicos, Patrocínio poderá ampliar sua relevância além dos setores agrícola e mineral, passando a integrar iniciativas voltadas à transição energética e ao desenvolvimento de tecnologias para redução das emissões de carbono no Brasil.
Crédito da informação: A notícia sobre o estudo da Empresa de Pesquisa Energética foi publicada originalmente pelo portal PetroNotícias. A identificação do potencial específico da geologia de Patrocínio e do Alto Paranaíba para a mineralização de carbono resulta de apuração e análise realizada pela Rede Hoje a partir do conteúdo técnico divulgado pela EPE.




