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Investigação | Prefeito de Patrocínio atribui denúncia no SBT News a disputa interna na Igreja Presbiteriana do Brasil

Gustavo Brasileiro recebeu a Rede Hoje em seu gabinete. Foto: arquivo Secom

Da Redação da Rede Hoje

O prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro, eleito em 2024, recebeu a equipe da Rede Hoje em seu gabinete na manhã desta quinta-feira (23) para se manifestar sobre as investigações da Polícia Federal. O procedimento apura suposta prática de ilícitos eleitorais durante a campanha de 2024 — com base em mensagens eletrônicas que apontam a veiculação de conteúdos falsos contra opositores, além de alegadas negociações de vantagens financeiras e cargos comissionados —, matéria veiculada originalmente pelo SBT News.

Impossibilitado de gravar entrevista em vídeo devido a compromissos de agenda, o chefe do Executivo de Patrocínio prestou esclarecimentos à reportagem e sustentou que os episódios citados não possuem relação com o pleito municipal. Segundo o gestor, os fatos decorrem de divergências associadas à sucessão da liderança na Igreja Presbiteriana do Brasil, presidida por seu pai, o reverendo Roberto Brasileiro, que está deixando o cargo. O prefeito inclusive disponibilizou à Rede Hoje a cópia do inquérito e a íntegra do processo público da Polícia Federal de Uberlândia.

Gustavo Brasileiro defendeu a trajetória da Igreja Presbiteriana do Brasil, ressaltando que a instituição é centenária, atua em âmbito nacional e desenvolve relevantes ações de assistência social. Como exemplo da estrutura filantrópica da entidade, citou os hospitais evangélicos localizados em Itiba, Rio Verde e Dourados, destacando que a igreja figura entre as três principais instituições em volume de doações no país. Gustavo Brasileiro pontuou que a atuação de seu pai, o reverendo Roberto Brasileiro — há mais de 50 anos no ministério pastoral e há mais de 24 anos na presidência da denominação —, ocorre de forma voluntária e sem remuneração, voltada exclusivamente ao trabalho evangelístico.

Disputa interna

Ao classificar a reportagem divulgada pelo portal SBT News como conteúdo mentiroso, o gestor observou que o repórter responsável pela matéria, César Feitosa, é filho de um pastor presbiteriano de Brasília. De acordo com o prefeito, a veiculação do material tem relação direta com a eleição do Supremo Concílio da igreja, agendada para a próxima segunda-feira, e busca desgastar a imagem construída por seu pai ao longo de cinco décadas de pastoral. Gustavo Brasileiro criticou o grupo articulador da ação, afirmando que os envolvidos atuam movidos por interesses administrativos ligados à área educacional e hospitalar do Instituto Presbiteriano Mackenzie.

Gustavo Brasileiro destacou que a denúncia partiu de dois ex-secretários da gestão anterior — cujos nomes preferiu não mencionar para evitar pedidos de direito de resposta — e ressaltou que os autos do inquérito são públicos. O prefeito negou qualquer apuração sobre compra de votos ou abuso de poder econômico, esclarecendo que o processo se limita a uma representação por fake news relacionada a um vídeo de campanha. Ele acrescentou que os advogados que assinaram a petição inicial já abandonaram o caso e que os depoimentos às autoridades confirmam a autenticidade da gravação, alegando que a repercussão do fato foi artificialmente inflada por conta de disputas internas na liderança da igreja.

Defesa da igreja

Gustavo Brasileiro declarou que nunca utilizou púlpitos religiosos em Minas Gerais para captação de votos, citando expressamente templos locais como a igreja do bairro Morada Nova, a da região central e a Igreja Cristã do bairro, onde congrega. Ele afirmou que o espaço sagrado se destina apenas à pregação evangélica. O prefeito assegurou que sua campanha, a Igreja Presbiteriana e o Mackenzie não são objetos de apuração judicial, e que as citações recaem sobre o consultor Eduardo Abrunhosa, que colaborou de forma voluntária no pleito.

Conforme detalhado pelo prefeito, o consultor é seu amigo de pós-graduação no Mackenzie e foi convidado a colaborar devido à experiência em estratégias eleitorais nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, sem qualquer vínculo com a denominação religiosa. O profissional atuou à distância, fornecendo orientações pontuais ao longo da campanha. Sobre a autoria da representação, Gustavo Brasileiro acrescentou que, embora dois ex-secretários municipais constem como noticiantes no processo, um deles declarou publicamente em uma emissora de rádio que não participou da elaboração da denúncia.

Retratação

Diante do episódio, o prefeito informou que acionará a Justiça individualmente contra o jornalista responsável e que a Prefeitura de Patrocínio, a Igreja Presbiteriana do Brasil e o Mackenzie também adotarão medidas judiciais. As partes exigem retratação pública da emissora em relação às acusações dirigidas às instituições, à gestão municipal e ao próprio prefeito, reiterando que não há investigação formal contra ele. Gustavo Brasileiro atribuiu a movimentação a opositores locais e convidou a imprensa a examinar os indicadores oficiais do programa Cidades Excelentes, desenvolvido em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Patrocínio.

O gestor enfatizou que o município ocupa a segunda colocação no estado no ranking de segurança pública do Instituto IGMA, além de obter avaliação máxima em educação e liderar o indicador de ofertas integradas, destacando ainda que projetos da administração local têm sido apresentados em eventos nacionais por secretários municipais.

Gustavo Brasileiro declarou confiança de que os fatos serão retratados pelo SBT News, cuja direção editorial já foi contatada, e direcionou uma mensagem ao jornalista autor da matéria, questionando a provocação de polêmicas no ambiente religioso motivadas por um pleito conciliar.

@redehoje
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