
Luiz Antônio Costa
Se eu fosse ainda menino,
o que faria da vida?
Com o saber que hoje tenho,
seria outra a medida.
Mas jamais mudaria a essência
daquilo em que me tornei.
Do homem que sou tiraria
as contradições que me dizem
que sou menos do que deveria —
melhor, sim, mas não perfeito.
Mas, como menino, não mudaria nada:
o destino foi quem me fez assim.
Então concluo:
o homem que sou é o que tinha de ser.
E, se ainda caminho,
é porque não terminei de mudar.
Prefiro as inquietações que me transformam
às certezas que me aprisionam.
É na mudança que continuo sendo eu.




