
Por Sebastião Calisto
Boa tarde, pessoal! E um feliz Dia dos Avós a todos.
Em breve vai começar o horário político na TV e no rádio, mas o assunto de hoje não é diretamente sobre política, e sim sobre marketing — uma ferramenta que, hoje em dia, está longe de ser usada apenas pelo sistema comercial.
Tudo começou com as teorias de Edward Bernays, considerado o pai da propaganda moderna e das relações públicas. Um detalhe curioso: Bernays era nada menos que sobrinho do famoso psicanalista Sigmund Freud.
Bernays acreditava que as massas eram irracionais e, por isso, precisavam ser guiadas por um “governo invisível”. A sua grande estratégia consistia em conectar emoções e desejos inconscientes aos produtos, em vez de focar apenas na sua utilidade prática.
“A propaganda moderna é a tentativa consistente e inteligente de criar ou moldar eventos para influenciar as relações do público com uma empresa, ideia ou grupo.”
Das Cigarreiras às Guerras
Quer um exemplo prático do impacto dele no seu dia a dia? Se você não gosta de ver mulheres fumando ou acha o cheiro do cigarro desagradável, pode culpar Edward Bernays.
Em uma de suas campanhas mais famosas, ele contratou um grupo de mulheres para desfilarem pelas ruas de Nova York fumando em público. A jogada de mestre foi associar o ato de fumar aos conceitos de independência, liberdade e rebeldia feminina. Com essa manipulação simbólica, ele abriu um mercado milionário para a American Tobacco Company.
E o poder dessa teoria não parou por aí. É exatamente essa mesma lógica que os Estados Unidos costumam utilizar ao entrar em guerra com outros países: vende-se a falsa narrativa de que é preciso “levar a democracia” para ajudar determinada nação.
A grande lição da teoria de Edward Bernays é simples e assustadora: a propaganda bem feita tem o poder de fabricar consensos para absolutamente qualquer causa.
Sebastião Calisto – ou Tião Calisto – é cartunista e comerciário em Patrocínio, MG, e colaborador da Rede Hoje




