
Luiz Antônio Costa
Minhas queridas leitoras, meus queridos leitores que me acompanham semanalmente. Quero fazer desta crônica um depoimento especial hoje, Dia dos Avós. Embora seja uma crônica bastante pessoal, creio que muita gente vai se identificar e entender a mensagem que quero transmitir neste dia.
Quando o meu primeiro filho nasceu, eu tinha apenas vinte anos e Márcia, minha mulher 17, isso foi há pouco mais de 50 anos. Foi uma emoção tão avassaladora quanto difícil de traduzir em palavras. Eu sentia em mim uma força descomunal, um poder tão grande exercido sobre a minha condição de ser humano que parecia não caber no meu próprio peito. Naquele instante, queríamos ser tudo, representar o mundo inteiro e fazer o impossível para garantir a felicidade daquele pequeno ser, André. Não havia espaço para hesitações ou planos distantes: não pensávamos no futuro, vivíamos exclusivamente o mistério mágico daquele momento. Apesar de muito jovens, esquecemo-nos completamente da vida que ficava para trás. Nem eu nem a minha esposa sabíamos ao certo que as nossas vidas haviam mudado para sempre, mas eu carregava no peito a sensação profunda de que algo inteiramente novo e extraordinariamente especial estava por acontecer.
Pouco tempo depois, a vida presenteou-nos com a chegada da nossa filha, a Patrícia. A sensação veio revestida para mim de uma delicadeza diferente, um toque que transformava a rotina da nossa casa. O amor, embora absolutamente igual em intensidade para com ambos, manifestou-se sob outro tom. Há uma cumplicidade sutil, um laço singular no amor de uma filha com o seu pai — quem é pai de menina sabe exatamente do que falo, assim como quem é pai de menino entende a sintonia única e cúmplice com o filho homem.
Com o caminhar dos anos, a nossa família continuou a florescer com o terceiro filho, o Alexandre, outra grande dádiva em nossas vidas. A essa altura, a experiência já havia amenizado o susto inicial da nossa juventude e amadurecido os nossos passos. Pudemos curti-lo com uma serenidade renovada, amparados por uma noção muito mais clara do verdadeiro significado da maternidade e da paternidade. E quando finalmente veio o quarto e último filho, o Luiz Costa Jr (nosso caçula Juninho), com um espaço de anos generoso em relação aos mais velhos, eu fui preenchido mais uma vez por uma plenitude indescritível. Enxergava naquele nascimento, de forma cristalina, a presença viva de Deus na jornada de um homem.
Nessa ocasião, ao olhar para os nossos quatro filhos crescendo — André, Patrícia, Alexandre e Juninho —, já sentia com clareza o que representavam os avós em nossas vidas. Aprendemos essa lição preciosa especialmente através do meu pai, Júlio Costa (o nosso inesquecível Júlio Carteiro), e da minha sogra, Francisca Fernandes (a saudosa dona Chiquinha) e de minha mãe dona Dina. Eles eram completamente diferentes do que haviam sido como pais: o carinho desmedido, o cuidado atento, as lembranças guardadas no coração e tudo o que podiam e faziam pelos nossos filhos, seus netos, vinham envoltos em algo mágico. Via neles aquele olhar diferente, aquele amor puro, gratuito, que se doa por inteiro sem pedir nada em troca. Pensávamos que entendíamos a dimensão daquele afeto na época, mas só hoje compreendemos verdadeiramente o alcance do que eles viviam.
Entendemos, com o passar das décadas, que cabe a nós transformar cada bênção em força positiva para erguer e honrar uma grande família — e isso, graças a Deus, foi exatamente o que construímos. Mais tarde, o tempo trouxe-nos a nossa própria e abençoada experiência de sermos avós. A vida nos deu a dádiva de ver crescer os nossos netos: Marcus Vinicius (Mato Grosso), Jéssica (Austrália), Vinicius (Mato Grosso), Camila (Patrocínio), Luiz Felipe (Brasília), Duda (Belo Horizonte), Enzo (Brasilia) e Helena (a caçulinha em Patrocínio).
Cada um dos nossos netos chegou trazendo a sua própria personalidade, o seu jeito singular de olhar o mundo, despertando em mim uma forma única e renovada de amar. Eles foram-nos revelando a beleza indescritível de ver o ser humano se transformar. A convivência diária com os nossos netos e netas ensina-nos a levar a vida com mais leveza e paciência. Cada sorriso, cada abraço afetuoso e cada gesto deles renova-me por dentro. Acompanhar a travessia de cada um — da infância radiante à adolescência e, finalmente, à vida adulta — tem sido para mim um exercício diário de contemplação e valorização de cada instante.
E quando parecia que o ciclo de milagres já nos havia dado tudo o que podíamos desejar, a vida surpreende-nos novamente e mostra que o amor familiar não tem limites. Recebemos a notícia abençoada de que seremos bisavós — com uma chegada prevista para agosto e outra para janeiro de 2027. Receberemos em nossos braços as nossas bisnetas: a Liz, filhinha da Camila e do marido Edu, e a Catarina, filhinha do Vinicius e da esposa Dy. São as novas flores que desabrocham na terceira geração da nossa família, as descendentes que continuarão a escrever, cantar e contar a nossa história quando o tempo passar.
Sinto-me, na falta de palavra melhor em nosso vocabulário, absolutamente sublime. Hoje, neste dia dedicado aos avós e aos idosos — criado com tanto carinho pelo Papa Francisco —, vejo-me completamente extasiado. Não poderia deixar de dividir essa alegria transbordante com vocês, meus leitores de sempre. Agradeço profundamente a Deus por tantas bênçãos e por tanto afeto ao longo destes mais de 50 anos; à minha esposa, minha companheira inseparável e pilar de toda essa jornada; aos nossos filhos e aos nossos preciosos netos. E agora, com o coração aberto e repleto de gratidão, aguardo ansioso e emocionado pela chegada das nossas bisnetas, Liz e Catarina.




