
Café colhido e ensacado em fazenda produtora. Foto: Divulgação
Cotações sobem impulsionadas pela queda de estoques certificados e incertezas sobre a safra brasileira.
Da Redação da Rede Hoje
Boletim do Conselho Nacional do Café, CNC, traz hoje informações que preocupam o setor cafeeiro do país. A coluna “Café em Notas”, traz as principais. O mercado futuro do café encerrou o pregão em alta nas bolsas internacionais na terça-feira (28), ampliando a recuperação observada desde o começo da semana. A elevação dos preços ocorreu devido às preocupações com a disponibilidade da oferta global, somadas à contínua redução dos estoques certificados da ICE Futures US. Outro fator determinante foram as incertezas relacionadas à safra brasileira de 2026, impactada por chuvas no período de colheita e por perspectivas climáticas ligadas ao fenômeno El Niño.
Na Bolsa de Nova York, o contrato de setembro de 2026 para o café arábica encerrou cotado a 339,40 cents de dólar por libra-peso, apresentando valorização de 1.485 pontos, equivalente a 4,58%. Todos os outros vencimentos da commodity fecharam em campo positivo. O contrato de dezembro de 2026 subiu 1.140 pontos, atingindo 317,30 cents/lbp. Para março de 2027, houve aumento de 1.095 pontos, sendo negociado por 309,40 cents/lbp, enquanto maio de 2027 registrou alta de 1.035 pontos, encerrando a 306,90 cents/lbp.
Na ICE Europe, situada na cidade de Londres, o mercado do café robusta também finalizou as operações em alta. O contrato com vencimento em setembro de 2026 fechou em 3.877 dólares por tonelada, acumulando ganho de 78 dólares, o que representa elevação de 2,05%. O contrato de novembro de 2026 avançou 78 dólares, finalizando em 3.859 dólares por tonelada, enquanto o de janeiro de 2027 subiu 79 dólares. O contrato de março de 2027 registrou acréscimo de 80 dólares, atingindo 3.794 dólares por tonelada.
Os operadores continuam efetuando ajustes de posições diante da baixa liquidez e das apreensões sobre a disponibilidade de café de qualidade no mercado global. A retração dos estoques certificados de arábica na bolsa de Nova York permanece entre os menores níveis registrados nos últimos anos. Essa menor disponibilidade de produto adequado para entrega nas bolsas reforça a percepção de aperto na oferta mundial, mantendo sustentação sobre os preços futuros do grão.
Cotações e mercado externo
A evolução da safra brasileira segue sob monitoramento do setor cafeeiro. Apesar do avanço nos trabalhos de colheita, produtores apontam prejuízos provocados pelas precipitações pluviométricas durante as atividades de campo, prejudicando a qualidade do grão. As apreensões se estendem até a safra 2026/2027 devido às projeções da influência do El Niño. No mercado físico do país, as negociações continuam travadas pela alta volatilidade das bolsas, levando produtores a comercializarem apenas volumes pontuais para compromissos imediatos.
Simultaneamente aos movimentos de mercado, a Região do Cerrado Mineiro finalizou a safra 2025/2026 com marca de 419,9 mil sacas de 60 quilos certificadas pela Denominação de Origem. O volume consolida uma nova escala de certificação na região, mantendo o nível alcançado na temporada anterior. Até o ciclo 2022/2023, o volume médio situava-se em cerca de 150 mil sacas por ciclo. O salto verificado a partir do período 2024/2025 representou um crescimento próximo de três vezes o patamar antigo.
Segundo o diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, o resultado demonstra o amadurecimento do sistema e o reconhecimento da origem como diferencial. Esse avanço resulta de trabalhos focados no fortalecimento da Denominação de Origem e na confiança de produtores, cooperativas e compradores. Do volume enviado ao exterior, a Europa recebeu 132,2 mil sacas, representando 68,5% do total internacional, seguida pela América do Norte com 22%, Ásia com 3,8%, Oriente Médio com 3,3% e Oceania com 2,4%.
Os países que lideraram as compras internacionais de café certificado com Denominação de Origem foram Itália, Estados Unidos, Polônia, Reino Unido e Espanha, somando juntos 61,3% das exportações. A base de rastreabilidade cadastrou 279 compradores na safra 2025/2026. O maior comprador individual respondeu por 7,7% do total, enquanto os 20 maiores importadores responderam por 68,5% do volume rastreado. Os dados mostram a ampla presença de agentes comerciais ao longo de toda a cadeia cafeeira.
Certificação no Cerrado Mineiro
As cooperativas filiadas à Federação dos Cafeicultores do Cerrado tiveram atuação concentrada nas certificações da safra 2025/2026. Participaram dessas operações as cooperativas Expocacer, Carpec, monteCCer, Coopadap, Carmocer e Coocacer Araguari. Além das cooperativas, atuam na consolidação da Denominação de Origem exportadores credenciados como Cafebras, NKG Stockler, Sucafina, Volcafe, Nucoffee, Dreyfus e Veloso Green Coffee, permitindo conectar a origem certificada a compradores internacionais.
A gerente comercial de cafés especiais da Expocacer, Sandra Moraes, ressaltou que a certificação garante a procedência, amplia a confiança e diferencia o produto no mercado global. Na etapa de consumo final, cerca de 10 milhões de selos da Denominação de Origem foram aplicados em embalagens de café no Brasil e no exterior, atingindo mais de 50 países. Esse resultado teve impulso pela parceria mantida com a empresa illycaffè para atestar a autenticidade do café produzido.
Para o ciclo de produção 2026/2027, a Federação dos Cafeicultores do Cerrado e as cooperativas filiadas fixaram a meta de certificar pelo menos 600 mil sacas com a Denominação de Origem. O objetivo representa expansão de 42,9% sobre o ciclo finalizado no mês de junho. A estratégia envolve ampliar a adesão dos produtores locais ao sistema, além de fortalecer parcerias com cooperativas, armazéns e exportadores. A Região do Cerrado Mineiro engloba 4,5 mil produtores distribuídos por 55 municípios.
A colheita do café arábica da safra 2026/2027 na Região do Cerrado Mineiro atingiu 60% da área projetada, conforme dados divulgados pela Expocacer. Do volume colhido no campo, cerca de 40% está beneficiado, apresentando rendimento médio de 515 litros para cada saca de 60 quilos. O ritmo dos trabalhos no campo encontra-se ligeiramente abaixo do verificado no mesmo período do ano anterior, quando a colheita alcançava 63% de uma safra menor.
Ritmo e qualidade colheita
A diretoria técnica da Expocacer apontou que a atual temporada do café apresenta desuniformidade na maturação dos frutos colhidos nas lavouras. Ocorre predominância de grãos nos estágios passa e seco, acompanhada por presença de grãos verdes superior à média histórica. A baixa disponibilidade de grãos no estágio cereja acabou reduzindo o volume de café processado pela via descascada. Chuvas no fim da semana passada provocaram interrupções pontuais na colheita e secagem, com previsão de tempo estável.
As recentes precipitações nas principais regiões produtoras de café arábica vêm trazendo desafios para o encerramento da colheita da safra 2026/2027. Pesquisadores do Cepea indicam que as chuvas afetam a qualidade da bebida, pois cerca de 30% da safra ainda precisa ser retirada dos cafezais. Um fator agravante foi a concentração do volume pluvial de julho nos últimos dias do mês, momento no qual os trabalhos caminham para a fase final e a varrição passa a demandar maior atenção.
Os grãos que permaneceram no chão desde o início do mês ficaram expostos às chuvas recentes, tornando-se vulneráveis à degradação da qualidade. Segundo o Centro de Pesquisas, a dimensão exata desses prejuízos causados pelo clima só será mensurada à medida que os lotes forem provados, beneficiados e negociados no mercado. O acompanhamento das condições meteorológicas segue como ponto central entre produtores e analistas do setor agrícola para avaliar os impactos nos resultados finais da colheita.
Para tratar dessas questões climáticas, a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé realiza a oitava edição do Fórum Café e Clima na quarta-feira (29). O evento acontece na matriz da cooperativa, entre 14 e 17 horas, reunindo especialistas para debater as condições meteorológicas e seus impactos nas safras de 2026 e 2027. A programação conta com transmissão ao vivo pela internet através do canal no YouTube da instituição e da plataforma Hub do Café.
Impactos do clima lavouras
O encontro reúne produtores rurais, técnicos e pesquisadores para discutir tendências do clima e produtividade por meio de análises em meteorologia, geoprocessamento e fisiologia vegetal. A abertura do Fórum conta com a diretoria executiva da Cooxupé e mediação do gerente de Desenvolvimento Técnico, Mário Ferraz de Araújo. O engenheiro agrônomo Guilherme Vinícius Teixeira apresenta palestra sobre condições meteorológicas e reflexos nas regiões atendidas pela cooperativa no ciclo 2026/2027.
O agrometeorologista Marco Antônio dos Santos aborda a previsão do tempo para a safra 2026/2027, detalhando a influência de um fenômeno El Niño de forte intensidade nas lavouras de café. Em seguida, o professor José Donizeti Alves, da Universidade Federal de Lavras, apresenta diagnóstico fisiológico do clima e estratégias de preservação do potencial produtivo para 2027. O encontro busca fornecer dados técnicos para orientar o planejamento de campo e mitigar riscos nas próximas safras.
Nota Oficial do CNC
O Conselho Nacional do Café (CNC) divulgou nota em que reafirma ser contrário a qualquer forma de trabalho degradante e destaca que, especialmente durante a colheita do café, os casos de descumprimento da legislação trabalhista são exceções. A entidade afirma que há uma crescente conscientização dos produtores sobre a necessidade de assegurar condições dignas de trabalho, preservar a formalização dos vínculos empregatícios e evitar que situações pontuais comprometam a imagem da cafeicultura brasileira e do país perante o mercado internacional.
Na manifestação, o CNC também defende a simplificação dos procedimentos de contratação de trabalhadores, maior divulgação das normas trabalhistas e o fortalecimento das ações de orientação por parte dos órgãos fiscalizadores, com prioridade para o princípio da dupla visita. A entidade sustenta ainda que é necessário considerar as particularidades da atividade cafeeira, como o trabalho remunerado por produtividade, e reforça que os produtores devem cumprir suas obrigações, incluindo o fornecimento de EPIs e a melhoria das condições de trabalho nas propriedades.




