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Devocional – Deus não se esquece dos que o mundo deixa para trás

Alexandre Costa

“Por acaso Deus não escolheu os que para o mundo são pobres para serem ricos em fé e herdeiros do Reino que ele prometeu aos que o amam?” Tiago 2:5

A carta de Tiago nos apresenta uma cena que poderia acontecer em muitos lugares ainda hoje. Um homem bem vestido, com anéis de ouro e aparência de riqueza, entra em uma reunião e recebe o melhor lugar. Logo depois, chega um pobre, malvestido, e é colocado de lado.

A aparência define o tratamento. A riqueza determina a honra. A posição social se torna critério para medir o valor de uma pessoa.

Então Tiago faz uma pergunta que incomoda: “Será que vocês não estarão fazendo distinção entre vocês mesmos e julgando as pessoas com critérios errados?”

A Palavra nos ensina que Deus não enxerga como os homens enxergam. Enquanto a sociedade costuma valorizar títulos, patrimônio, influência, poder e reconhecimento, Deus vê o coração, conhece as lágrimas e percebe a dignidade escondida por trás de mãos calejadas.

Essa verdade encontra um paralelo profundo na história de Joel de Souza, o Joelão, e dos trabalhadores conhecidos como chapas, que durante décadas carregaram sobre os ombros parte importante do desenvolvimento de Patrocínio. História muita bem contada pelo jornalista da Rede Hoje, Luiz Antônio Costa. Leia a crônica aqui.

Homens que descarregavam cimento, açúcar, madeira e tantas outras mercadorias. Homens que ajudaram a movimentar o comércio e a construir a prosperidade da cidade. Homens que trabalhavam sob o sol, enfrentavam a chuva, aguardavam diariamente por uma oportunidade de serviço e sobreviviam sem as garantias que deveriam proteger todo trabalhador.

Suas mãos carregavam peso. Seus corpos suportavam esforço. Seu trabalho sustentava riquezas. Mas seus nomes quase não foram registrados.

O antigo ponto dos chapas desapareceu. O abrigo que representava encontro, solidariedade e sobrevivência deu lugar a uma nova paisagem. A memória dos trabalhadores foi ficando para trás, enquanto monumentos e homenagens passaram a destacar outras figuras.

A cidade escolheu o que lembrar.

Mas Deus não se esquece.

Talvez muitos tenham passado por Joel sem conhecer sua história. Talvez tenham visto apenas um trabalhador simples, um homem pobre, um carregador avulso. Mas o Senhor viu cada jornada, cada peso levado nas costas, cada dificuldade enfrentada e cada esforço realizado para sustentar a família.

A sociedade pode medir uma vida pelo dinheiro que alguém possui. Deus mede de outra maneira.

O mundo pode perguntar: “Quanto ele acumulou?”

Deus pergunta: “Quanto amor havia em seu coração?”

O mundo pode perguntar: “Que posição ele ocupava?”

Deus pergunta: “Como ele viveu? A quem serviu? Quem foi alcançado por sua vida?”

A despedida simples de Joelão, com poucos presentes e sem grandes homenagens, revela uma realidade dolorosa: muitas vezes, a sociedade valoriza o trabalhador enquanto sua força é útil, mas se esquece dele quando suas mãos já não conseguem produzir.

Entretanto, para Deus, uma pessoa nunca perde seu valor.

Nenhuma vida é pequena demais para ser vista pelo céu. Nenhum trabalhador é invisível aos olhos do Senhor. Nenhuma história vivida com dignidade desaparece porque não recebeu uma placa, um monumento ou uma homenagem pública.

Tiago nos lembra que os pobres podem ser ricos em fé e herdeiros do Reino. Isso não significa que a pobreza seja desejada por Deus ou que a injustiça deva ser aceita. Ao contrário: a Palavra nos chama a combater a discriminação, a indiferença e os critérios injustos que fazem algumas pessoas parecerem importantes e outras parecerem descartáveis.

Deus não nos chama apenas a sentir pena dos esquecidos. Ele nos chama a honrá-los.

Honrar é olhar nos olhos. Honrar é conhecer nomes. Honrar é reconhecer histórias.

Honrar é compreender que o desenvolvimento de uma cidade não é construído apenas por autoridades, empresários ou pessoas que aparecem nos monumentos. Ele também é levantado pelo suor de trabalhadores anônimos, por mãos calejadas, por mães, pais, agricultores, carregadores, serventes, empregados e tantos outros que raramente ocupam os lugares de destaque.

Joelão talvez não tenha recebido as honrarias que muitos considerariam merecidas. Talvez sua partida tenha acontecido em silêncio diante de uma cidade que ajudou a construir. Mas o silêncio da terra não significa esquecimento no céu.

Deus conhece o nome daqueles que a história oficial deixou de registrar. E, diante do Senhor, não existe trabalhador invisível.

A história de Joel também nos faz olhar para nós mesmos. Quem temos colocado nos melhores lugares? Quem temos ignorado? Quem só percebemos quando precisamos de seu trabalho? Quantas vezes valorizamos a aparência, o cargo ou o poder e deixamos de reconhecer a dignidade de quem vive com simplicidade?

Tiago nos chama a abandonar os critérios do mundo.

Porque, no Reino de Deus, a honra não pertence apenas aos que ocupam posições de destaque. A honra também está nas mãos que trabalham, no coração que persevera, na família que luta e na fé que permanece mesmo em meio às dificuldades.

E talvez a maior homenagem que podemos oferecer a Joel de Souza e a tantos trabalhadores anônimos seja não permitir que continuem invisíveis. É reconhecer sua contribuição, preservar sua memória e construir uma sociedade que não honre apenas os poderosos, mas também aqueles que sustentaram o progresso com o próprio suor, como bem assinalou Luiz Antônio Costa.

Porque o homem pode esquecer quem carregou o peso da cidade, mas Deus jamais se esquece de quem carregou a vida com dignidade.

@redehoje
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