
Padre Léo durante uma de suas pregações, que voltaram a circular nas redes sociais após novo avanço de sua causa de beatificação no Vaticano. Foto: Instituto Padre Léo/Divulgação.
Decreto de Validade Jurídica confirma regularidade da fase diocesana e permite que o processo siga para a etapa romana no Dicastério para as Causas dos Santos.
Da Redação da Rede Hoje
O processo de beatificação do Servo de Deus Padre Léo avançou oficialmente no Vaticano com a emissão do Decreto de Validade Jurídica pelo Dicastério para as Causas dos Santos. O documento confirma que o Inquérito Diocesano foi conduzido conforme as normas da Igreja Católica. Com essa validação, a causa passa à fase romana, considerada uma das etapas mais importantes do processo. O anúncio foi divulgado pelo Instituto Padre Léo e repercutiu entre os fiéis nas redes sociais.
A confirmação do avanço fez com que antigas pregações do sacerdote voltassem a circular na internet. Vídeos gravados durante encontros religiosos passaram a ser compartilhados novamente por católicos de diferentes regiões do país. A repercussão também despertou novo interesse pela trajetória do fundador da Comunidade Bethânia. Padre Léo morreu em 2007 e permanece como uma das referências da evangelização católica brasileira.
A fase diocesana, conduzida pela Arquidiocese de Florianópolis e presidida pelo arcebispo Dom Wilson Tadeu Jönk, foi oficialmente encerrada em 21 de junho de 2025. A documentação completa foi entregue ao Dicastério para as Causas dos Santos em 28 de julho de 2025, há exatamente um ano, marcando a transição para a análise jurídica e teológica na Santa Sé.
Na próxima etapa, o Vaticano nomeará um relator que trabalhará com o postulador da causa na elaboração da Positio. O documento reúne informações detalhadas sobre a vida, a atuação pastoral, os escritos e as virtudes do sacerdote. Depois de concluído, o material será analisado por comissões de teólogos, bispos e cardeais. Se houver aprovação e confirmação do papa, Padre Léo receberá o título de Venerável.
Mesmo após esse reconhecimento, a beatificação dependerá da comprovação de um milagre atribuído à intercessão do sacerdote. Esse fato deverá ser submetido à análise científica e teológica antes da decisão final da Santa Sé. O processo de beatificação foi oficialmente aberto em março de 2020, durante cerimônia realizada na Comunidade Bethânia, em São João Batista, Santa Catarina. O evento reuniu familiares, religiosos, amigos e milhares de fiéis.
Trajetória
Natural do povoado de Biguá, em Delfim Moreira, Minas Gerais, o Padre Léo Tarcísio Gonçalves Pereira nasceu em 9 de outubro de 1961. Ingressou no seminário em 1982 e foi ordenado sacerdote em 1990 pela Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Antes de se dedicar integralmente ao ministério sacerdotal, trabalhou como marceneiro, torneiro mecânico e desenhista industrial. Também atuou na formação de religiosos e na área da educação.
Em 1995, fundou a Comunidade Bethânia, voltada ao acolhimento de dependentes químicos e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Paralelamente, tornou-se conhecido nacionalmente pelas pregações realizadas na Comunidade Canção Nova e em encontros da Renovação Carismática Católica. Sua comunicação utilizava exemplos do cotidiano e passagens bíblicas para abordar temas ligados à fé. Ao longo da vida publicou 26 livros sobre espiritualidade e formação cristã.
Em 2006, Padre Léo foi diagnosticado com linfoma, câncer que afeta o sistema linfático. Mesmo durante o tratamento, participou do Acampamento Hosana Brasil e realizou sua última pregação, intitulada “Buscai as Coisas do Alto”, em dezembro daquele ano. Segundo o cardiogeriatra Roque Savioli, que acompanhou o sacerdote durante a enfermidade, seu estado de saúde era considerado grave naquele período. Ainda assim, ele manteve a atividade pastoral e continuou escrevendo livros durante a internação.

Procissão com os restos mortais do Padre Leo. Foto: reprodução TV Canção Nova
Padre Léo morreu em 4 de janeiro de 2007, aos 45 anos, em São Paulo, em decorrência de infecção generalizada. O velório foi realizado no Rincão do Meu Senhor, na Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista. Seis de seus 26 livros foram escritos durante o tratamento da doença e publicados entre 2006 e 2009, alguns de forma póstuma. Com o avanço da causa de beatificação no Vaticano, sua trajetória voltou ao centro das atenções entre os católicos e seguidores de sua obra.




