
Sebastião Calisto
Em 1969, os Beatles viviam seus últimos dias como banda. Apesar dos inúmeros shows, das viagens constantes e da agenda lotada, nem tudo eram flores. O clima entre os integrantes não era bom: havia desentendimentos, brigas e o ambiente no estúdio de gravação tornou-se terrível, a ponto de George Harrison cogitar deixar o grupo. A banda chegou a pensar em substituí-lo pelo jovem cantor e guitarrista Eric Clapton.
Felizmente, Paul McCartney conseguiu apaziguar os ânimos de todos e ainda convenceu os colegas a gravar mais um álbum. No projeto inicial, o trabalho se chamaria Get Back, mas acabaria sendo lançado em 1970 com o nome de Let It Be. Como era comum na época, algumas músicas eram apresentadas ao público em formato de single. Foi assim que “Let It Be” chegou às lojas e se tornou um estrondoso sucesso.
No entanto, há um detalhe curioso e desconhecido por pouquíssimas pessoas: quando Paul McCartney terminou de compor a canção, procurou o lendário produtor musical da Atlantic Records, Jerry Wexler. Ele trazia um pedido especial: que a faixa fosse gravada por Aretha Franklin, a inesquecível rainha do Soul. Wexler ficou tão impressionado com a composição que imaginou que Paul a tivesse escrito exclusivamente para ela.
Por razões técnicas, contudo, a cantora não pôde gravá-la naquele momento. Com isso, os Beatles entraram em estúdio, registraram a faixa em 1970 e lançaram o single que se tornaria não apenas um dos maiores clássicos da década de 1970, mas uma obra-prima reconhecida até hoje, 56 anos depois.
Sebastião Calisto é comerciário, cartunista e colaborador da Rede Hoje.




