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Economia: Casas Bahia registra prejuízo bilionário e fecha quase 300 lojas no país

Unidade das Casas Bahia em funcionamento no comércio varejista (Foto: Divulgação)

Varejista enfrenta agravamento da crise financeira com demissões e risco de recuperação judicial

Da Redação da Rede Hoje

Segundo reportagem do ICL Notícias, o Grupo Casas Bahia registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado evidencia a deterioração da situação financeira da empresa e levanta dúvidas sobre a continuidade de suas operações no mercado nacional. A varejista avalia alternativas para reorganizar sua estrutura de capital, incluindo uma nova recuperação extrajudicial ou mesmo a decretação de recuperação judicial. As demonstrações financeiras foram divulgadas na madrugada deste domingo, dia 16. O relatório da auditoria Ernst Young acompanhou a divulgação com a abstenção de emissão de conclusão sobre o balanço apresentado.

A perda de R$ 10,1 bilhões no trimestre representa uma forte piora em comparação ao prejuízo de 555 milhões registrado no mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro semestre de 2026, as perdas da companhia somam R$ 11,2 bilhões. Fatores como o capital circulante líquido negativo e o patrimônio líquido negativo em R$ 8,27 bilhões apontam para uma dúvida significativa sobre a capacidade operacional da empresa. A auditoria independente destacou essas incertezas relevantes em seu parecer técnico. A direção da rede busca alternativas emergenciais para tentar reverter a trajetória de endividamento e manter o funcionamento de suas unidades remanescentes.

Parte expressiva do prejuízo decorre de efeitos contábeis não recorrentes registrados pela diretoria no período. Ocorreu uma baixa de R$ 5,7 bilhões em ativos fiscais diferidos no balanço da companhia. Somam-se a isso cerca de 970 milhões em impairment de ágio e R$ 1,8 bilhão em provisões ligadas a revisões contratuais operacionais. Tais provisões envolvem a reorganização do quadro de funcionários e o encerramento das atividades de diversos pontos de venda. Mesmo com o desconto desses efeitos extraordinários, o prejuízo ajustado subiu para 978 milhões no trimestre, contra 555 milhões apurados um ano antes.

Um dos principais fatores de pressão financeira foi o fracasso em uma captação internacional de recursos. A própria companhia considerava essa negociação de extrema relevância para o seu planejamento de caixa. A tratativa estava em estágio avançado, com processos de auditoria e documentação jurídica concluídos. Contudo, o investidor principal desistiu da operação momentos antes do encerramento do contrato. Outras tentativas de obter capital, como empréstimos no mercado financeiro, também não avançaram dentro do prazo necessário. A empresa afirma possuir R$ 6,3 bilhões em créditos fiscais, mas enfrenta dificuldades para monetizá-los.

Restrições de crédito

A restrição de crédito também afetou diretamente o volume de estoques da rede varejista. O montante caiu de R$ 5,4 bilhões em março para R$ 4,24 bilhões no mês de junho deste ano. A redução representa uma diminuição de R$ 1,16 bilhão no valor dos produtos armazenados em apenas três meses. A receita líquida do trimestre apresentou crescimento de 1,6%, atingindo a marca de 7 bilhões. Por outro lado, o indicador de lucro operacional ajustado recuou 9,4%, ficando em 518 milhões no período. A margem desse indicador caiu de 8,3% para 7,4% na comparação com o ano anterior.

Como parte do plano de reestruturação, a empresa fechou 298 lojas em todo o território nacional. A medida resultou no corte de cerca de 1,9 mil postos de trabalho diretos na organização. O número de demissões equivale a 6,7% de toda a força de trabalho atual da companhia. No estado do Rio de Janeiro, que contabilizava 90 unidades da bandeira no mês de maio, o número exato de encerramentos não foi detalhado. A rede ainda não divulgou uma lista oficial com a divisão dos fechamentos por estado. O impacto social e econômico do encerramento das filiais preocupa o setor comercial.

Em Osasco e região, o encerramento repentino de unidades levou o sindicato dos comerciários a se manifestar público. A entidade informou que os trabalhadores foram pegos de surpresa sem qualquer tipo de aviso prévio. Os funcionários demitidos aguardam informações sobre o pagamento de verbas rescisórias e a liberação do Fundo de Garantia. O processo de seguro-desemprego dos trabalhadores desligados também permanece pendente de orientações oficiais pela empresa. O sindicato garantiu que vai acompanhar a situação juridicamente para assegurar o cumprimento integral dos direitos trabalhistas de cada um dos demitidos.

Presença no mercado

Demonstrações financeiras das Casas Bahia foram divulgadas na madrugada deste domingo (16) (Foto: Divulgação)

A entidade sindical orientou que os funcionários não assinem documentos de desligamento sem uma consulta jurídica prévia. A medida visa conter eventuais irregularidades no encerramento dos contratos de trabalho da categoria. A Casas Bahia já havia passado por um processo de recuperação extrajudicial no ano de 2024. A situação anterior foi resolvida por meio de um acordo firmado diretamente com bancos credores. No entanto, a organização segue sob forte pressão em virtude das elevadas despesas financeiras acumuladas. O cenário econômico de juros altos e retração no consumo familiar agravou o quadro.

O endividamento das famílias brasileiras tem impactado diretamente o desempenho do comércio varejista de grande porte. A diminuição do poder de compra reduz a demanda por bens duráveis e eletrodomésticos no país. Essa conjuntura dificulta a recuperação das vendas e a geração de caixa necessária para honrar os compromissos. Analistas do mercado financeiro acompanham os desdobramentos da crise com atenção aos próximos passos da gestão. A definição sobre o pedido de recuperação judicial deve ocorrer após novas reuniões com os credores da empresa. O mercado aguarda posicionamentos oficiais sobre a continuidade das lojas.

A reestruturação das operações da rede deve continuar ao longo dos próximos meses no território nacional. A prioridade da administração reside na negociação das passivos financeiros e no reequilíbrio das contas operacionais. O encerramento de unidades físicas busca focar a atuação nos pontos de venda operando com rentabilidade positiva. Novas informações sobre o plano de recuperação da varejista devem ser apresentadas aos acionistas em breve. A sociedade e os trabalhadores do setor varejista acompanham com expectativa a definição sobre o futuro da tradicional marca de lojas.

Reportagem original do ICL Notícias

@redehoje
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