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Repercussão: Polícia Civil investiga mortes de gestante e bebê em Patrocínio; notas e protesto marcam o caso

Familiares protestam em frente à unidade hospitalar e cobram respostas das autoridades sobre a conduta da equipe técnica. Fotos: Voz do Povo

Acompanhamento das investigações pela Polícia Civil e manifestações da comunidade cobram transparência sobre o caso.

Da Redação da Rede Hoje

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias das mortes de Nayara Oliveira Silva, de 26 anos, e de sua filha recém-nascida, Ayla, ocorridas na Santa Casa de Patrocínio. A jovem deu entrada na unidade após apresentar complicações na gestação de oito meses. O óbito de mãe e filha foi registrado na madrugada de 12 de agosto, desencadeando protestos de familiares e moradores do município.

De acordo com relatos prestados por parentes, a jovem procurou atendimento no domingo, 9 de agosto, com quadro de febre, dor de cabeça e mal-estar. Após receber medicação e soro, foi liberada para aguardar resultados de exames para dengue e H1N1, que testaram negativo. Na terça-feira, 11 de agosto, apresentou piora e retornou ao hospital, sendo internada após exames indicarem queda significativa no nível de plaquetas sanguíneas.

Durante a madrugada de quarta-feira, a gestante passou a relatar dores intensas e diminuição dos movimentos fetais. Familiares que acompanhavam a paciente afirmaram ter notado alterações na coloração do abdômen e solicitaram atendimento de urgência. Segundo o relato da família, a médica plantonista estaria ocupada em outro procedimento de parto, o que teria atrasado a prestação de socorro imediato no momento de agravamento do quadro clínico.

Investigadores da Delegacia de Homicídios recolheram imagens do circuito interno da unidade hospitalar e requisitaram a documentação médica completa para análise pericial. O corpo da paciente foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal para a coleta de material biológico e realização de exames necroscópicos. O laudo pericial oficial indicará a causa médica exata das mortes e subsidiará a apuração sobre eventual responsabilidade profissional.

Posicionamentos

Na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, veio o primeiro pronunciamento oficial. A Prefeitura de Patrocínio manifestou pesar pelo falecimento de Nayara e Ayla e informou que busca esclarecimentos junto à instituição. A administração municipal esclareceu que a Santa Casa de Patrocínio é uma entidade filantrópica com gestão própria e independente. O município mantém convênio para repasse mensal de verbas públicas destinadas aos atendimentos, mas a gestão das equipes e procedimentos é de responsabilidade da instituição.

Na sexta-feira, dia 13, a médica ginecologista e obstetra Ana Carolina Borges Rocha divulgou nota de esclarecimento afirmando que não era a médica responsável pelo atendimento da gestante. A profissional declarou ter sido alvo de publicações com informações incorretas em veículo de comunicação local e reitera seu compromisso ético. A médica informou ainda que, em respeito ao sigilo profissional, apresentará as documentações pertinentes exclusivamente às autoridades responsáveis pelo caso.

No sábado, 15 de agosto de 2026, após a realização de manifestações por parte de familiares e moradores, a Santa Casa de Patrocínio informou que instaurou um procedimento de apuração interna envolvendo as equipes responsáveis pelo atendimento prestado à gestante. A instituição comunicou que não divulgará novos detalhes publicamente até a conclusão dos trabalhos, visando preservar o sigilo das informações e a seriedade do processo. O hospital declarou que avaliará a prestação de novos esclarecimentos à sociedade após a finalização da auditoria.

A família

A família da vítima afirma que houve falha no acompanhamento do quadro clínico da paciente. A mãe da jovem relatou ter presenciado a parada cardiorrespiratória e cobrou agilidade das equipes no momento da emergência. O marido de Nayara, Ronaldo Moraes de Souza, declarou que a família manterá as cobranças por respostas conclusivas junto aos órgãos de fiscalização.

Protestos

Na manhã de sábado, 15 de agosto, familiares, amigos e moradores de Patrocínio realizaram uma manifestação pacífica em frente à Santa Casa de Patrocínio. Portando cartazes e vestindo roupas em sinal de luto, os participantes pediram celeridade na conclusão dos laudos técnicos e transparência nas investigações policiais. O ato percorreu vias centrais do município solicitando fiscalização rigorosa nos procedimentos médicos aplicados na rede de saúde pública.

As notas oficiais

A íntegra da nota divulgada pela Prefeitura de Patrocínio afirma: “A Prefeitura de Patrocínio manifesta profundo pesar pelo falecimento de Nayara Oliveira Silva e de sua filha, Ayla, e se solidariza com familiares e amigos neste momento de profunda dor. Diante dos acontecimentos, a Prefeitura está buscando os devidos esclarecimentos junto à Santa Casa de Patrocínio, instituição responsável, e acompanhando a apuração dos fatos.”

A nota oficial prossegue: “A Secretaria Municipal de Saúde permanece prestando o suporte necessário dentro de suas atribuições. A Administração Municipal esclarece que a Santa Casa de Patrocínio é uma instituição filantrópica com gestão própria e independente do Município. A Prefeitura mantém parceria com a instituição por meio do repasse mensal de recursos destinados à prestação de serviços de saúde à população, contudo a gestão é própria.”

A nota do Executivo conclui: “No entanto, a gestão do hospital, bem como a organização e a execução dos atendimentos realizados em suas dependências, são de responsabilidade da própria instituição. A Prefeitura de Patrocínio reinforced seu compromisso com a transparência, com a assistência à população e com o respeito à família. Manifestamos nossa solidariedade, respeito e orações aos familiares e amigos, desejando força, conforto e serenidade a todos.”

Manifestação da Santa Casa

A íntegra do comunicado do hospital declara: “O Hospital Santa Casa de Patrocínio informa que está realizando uma apuração interna criteriosa sobre o caso, envolvendo as áreas responsáveis, com o objetivo de esclarecer todos os fatos e circunstâncias relacionados ao atendimento. Até a conclusão dessa investigação, a instituição não irá se pronunciar publicamente sobre o caso, a fim de preservar a seriedade.”

A declaração da unidade hospitalar complementa: “A fim de preservar a seriedade do processo de apuração, bem como a privacidade, a dignidade e o sigilo das informações da paciente e de seus familiares. Após a conclusão da análise, a instituição avaliará, dentro dos limites legais e éticos aplicáveis, a possibilidade de prestar os esclarecimentos pertinentes. O Hospital reafirma seu compromisso com a transparência, a responsabilidade e a segurança.”

Nayara Oliveira Silva tinha 26 anos e deixa o marido, Ronaldo Moraes de Souza, os pais, Antônio Ferreira Silva e Maria Creuza de Oliveira, e cinco irmãos. O sepultamento de mãe e filha ocorreu no cemitério local sob forte comoção de parentes e moradores da comunidade. O inquérito da Polícia Civil segue em andamento aguardando a juntada dos laudos periciais e dos depoimentos das testemunhas para a conclusão das investigações.

A apuração dos fatos prossegue no âmbito administrativo e policial para determinar a sequência exata dos atendimentos médicos prestados. Os documentos do prontuário e as imagens de segurança continuarão sob análise da perícia técnica nos próximos dias. As autoridades informaram que novas manifestações oficiais serão realizadas somente após a emissão dos laudos conclusivos do Instituto Médico-Legal e da conclusão da sindicância hospitalar.

@redehoje
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