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Hospital declara que instaurou procedimento interno, entregou prontuários e imagens de segurança às autoridades, e que só voltará a se pronunciar após a conclusão dos laudos periciais.
Da Redação da Rede Hoje
O Hospital Santa Casa de Patrocínio divulgou no inicio da noite desta quinta-feira, 20 de agosto, nota oficial referente ao atendimento prestado à jovem Nayara Oliveira Silva, de 26 anos, e à sua filha gerada, Ayla, que faleceram no último dia 12 de agosto nas dependências da instituição. No comunicado, a diretoria do hospital afirma que abriu uma investigação interna criteriosa para averiguar a conduta médica e que entregou toda a documentação, prontuários e registros de imagens do sistema de segurança à Polícia Civil de Minas Gerais
A nota do hospital surge no ápice da repercussão do caso, que mobilizou a comunidade patrocinense e moradores da região, como de Guimarânia e do distrito de São João da Serra Negra.
Relembre o Caso
A tragédia teve início nos dias que antecederam o óbito, quando Nayara, grávida de oito meses, buscou atendimento médico apresentando dores de cabeça intensas, febre e dores corporais. Segundo relatos dos familiares, a jovem chegou a dar entrada na instituição, recebeu atendimento inicial e foi liberada. Diante da persistência e do agravamento dos sintomas, retornou ao hospital na terça-feira, 11 de agosto, permanecendo internada durante a noite.
De acordo com a família, durante o período de internação foram feitos sucessivos pedidos para a realização de uma cesariana de emergência, sob a alegação de forte sofrimento da paciente. No dia 12 de agosto, foi constatado que a bebê Ayla havia falecido no útero e, em seguida, a mãe também não resistiu às complicações.
A trágica perda provocou forte comoção e indignação. Familiares questionaram publicamente o atendimento prestado, apontando suposta negligência e falta de agilidade no procedimento cirúrgico. O caso culminou em uma manifestação pacífica no início desta semana em frente à Santa Casa de Patrocínio, onde parentes e amigos com cartazes e momentos de oração cobraram transparência e justiça, enfatizando o desejo de esclarecimentos formais sobre os procedimentos adotados.
A Polícia Civil abriu inquérito e realizou exames necroscópicos. Partes do material biológico foram enviadas a Belo Horizonte para análises laboratoriais complementares que apontarão a exata causa da morte. A Prefeitura de Patrocínio e a Secretaria Municipal de Saúde também informaram que acompanham as apurações dos órgãos competentes.
Na nota oficial divulgada, a Santa Casa sustenta que a paciente foi devidamente amparada durante a internação e alega rigor ético e respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao sigilo médico para não divulgar detalhes técnicos sobre o prontuário. O hospital informou ainda que só voltará a se manifestar publicamente após a conclusão dos laudos periciais da Polícia Civil.
Confira a nota na íntegra:
O Hospital Santa Casa de Patrocínio informa que, desde o falecimento da Sra. Nayara Oliveira Silva passou a realizar intensa apuração interna sobre todo o atendimento prestado à paciente durante o período em que esteve na instituição.
De início, a instituição deixa muito claro que a paciente foi corretamente amparada em todo o momento da internação, sendo acompanhada de perto pelos respectivos profissionais de saúde.
Além disso, atendeu todas as solicitações realizadas pelos órgãos públicos competentes e, dentro de sua razão institucional, buscou prestar todo o auxílio necessário à família da paciente.
Desde o início, o hospital agiu em total respeito à família da paciente, buscando amenizar a dor de todos os envolvidos. O momento exige serenidade, empatia, bem como o respeito à privacidade da paciente falecida e de seus familiares.
Assim, não prestou e não prestará qualquer informação sobre dados sensíveis, em estrito respeito à legislação de proteção de dados e do regramento ético específico.
A instituição deixa claro que não compactua com a divulgação inadequada de documentos sujeitos a sigilo médico, bem como com a divulgação de dados sensíveis da paciente.
Importante ser salientado que o caso vem sendo apurado pela Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, que iniciou o trabalho necroscópico, que ainda pende de conclusão em razão do envio de material biológico à capital do estado para elaboração dos laudos respectivos.
Cumpre ser salientado, ainda, que já está em posse da Polícia Civil toda a documentação médica da paciente, bem como as imagens do sistema de segurança do hospital para a adequada análise.
Uma vez concluída a apuração por parte da Polícia Civil, a instituição, respeitando sempre os limites legais relativos ao sigilo médico, poderá se manifestar novamente. Até lá, a instituição não mais se manifestará sobre o caso, exatamente em respeito à dor dos familiares e ao sigilo ético exigido ao caso.
Atenciosamente;
Hospital Santa Casa de Patrocínio




