Press ESC to close

Debate | Fábio Mineiro lidera reestruturação e transição corporativa em clubes do futebol mineiro: é ético?

Estádio Parque do Sabiá durante partida do Uberlândia Esporte Clube pelo Campeonato Brasileiro. Crédito: imagens feitas por IA

Modelo de SAF impulsiona Athletic, Itabirito, Pouso Alegre e Uberlândia, e acende debates sobre gestão e ética no futebol

Da Redação da Rede Hoje

A reestruturação do futebol no estado de Minas Gerais ganhou destaque em reportagem assinada pelo jornalista Luís Fellipe Borges e publicada no portal ge.globo. O material aborda a consolidação do modelo de Sociedade Anônima do Futebol e o crescimento de equipes do interior do estado. A matéria destaca a atuação do ex-atacante e dirigente Fábio Mineiro, figura central na transição corporativa de quatro agremiações mineiras: Athletic, Itabirito, Pouso Alegre e, mais recentemente, o Uberlândia Esporte Clube.

No aspecto esportivo, o dirigente ostenta o histórico de três acessos no Campeonato Brasileiro no período de quatro anos. Essa sequência de resultados expressivos no cenário nacional serviu para fundamentar o modelo de gestão adotado nas equipes. Atualmente no Uberlândia, a nova estrutura de governança trabalha com um plano de investimentos projetado em até 150 milhões de reais para conduzir a equipe à Série A do Campeonato Brasileiro.

A estrutura administrativa montada no Uberlândia é composta por Fábio Mineiro e outros três acionistas majoritários no comando corporativo. A metodologia aplicada nos bastidores caracteriza-se por uma tomada de decisão centralizada e dinâmica. Segundo o dirigente, a agilidade na condução dos processos administrativos é um fator determinante para acompanhar as exigências e o ritmo das decisões necessárias no futebol profissional moderno.

A transição corporativa permitiu o fortalecimento de equipes no cenário estadual e nacional nos últimos anos. O modelo impulsionou o Athletic desde as divisões de acesso do campeonato estadual até a conquista de uma vaga na Série B do Campeonato Brasileiro. No caso do Uberlândia, o trabalho recente de reestruturação garantiu o retorno da equipe à Série C do torneio nacional após etapas consolidadas de planejamento e gestão.

Gestão e ética

O avanço desse modelo corporativo também levanta questões importantes a serem examinadas sobre o futebol no estado. Entre os pontos em discussão estão a efetividade das parcerias firmadas e os aspectos éticos relacionados à atuação de um mesmo sócio em quatro projetos de clubes distintos. O debate envolve a análise do impacto de ter um gestor ligado simultaneamente a diferentes agremiações que disputam as mesmas competições no estado.

A reformulação do elenco profissional do Uberlândia na temporada de 2026 contou com a contratação de atletas experientes no cenário futebolístico nacional. Nomes como Tomas Bastos, Marcos Calazans e Kayke Moreno foram incorporados ao grupo de jogadores. As contratações integraram o planejamento traçado pela diretoria para montar uma equipe competitiva e capaz de atingir as metas esportivas estabelecidas dentro do projeto do clube.

A resposta do público ao novo momento do clube refletiu-se nas arquibancadas com o aumento do engajamento dos torcedores ao longo da temporada. A partida que confirmou o acesso do Uberlândia registrou a presença de mais de 21 mil torcedores no Estádio Parque do Sabiá. O público registrado representou o maior contingente presente em um jogo do clube na última década, demonstrando a mobilização da torcida em torno do projeto.

Pode Isso?

A expansão do modelo corporativo no futebol mineiro, liderada pelo avanço das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), traz para o debate os dilemas éticos, jurídicos e esportivos sobre a centralização de gestão e a participação de um mesmo investidor ou grupo em múltiplos clubes de um mesmo estado.

Conflito de Interesses e Integridade das Competições

A principal questão ética levantada por analistas, juristas e dirigentes esportivos gira em torno da integridade das disputas. Quando uma mesma figura ou grupo econômico possui participação acionária, controle de gestão ou influência direta nas decisões corporativas de mais de uma agremiação que disputa o mesmo campeonato (seja o Campeonato Mineiro ou divisões do Campeonato Brasileiro), surge o risco iminente de conflito de interesses. Questiona-se como fica a isonomia esportiva em cenários como:

  • Confrontos diretos entre equipes ligadas ao mesmo grupo gestor;
  • Transferência de atletas, comissões técnicas e recursos financeiros entre as agremiações favorecendo um clube em detrimento de outro;
  • Acomodação de resultados em momentos decisivos de tabela (luta contra o rebaixamento ou disputa por acessos e vagas em torneios nacionais).

Legislação Esportiva e a Lei da SAF

A Lei nº 14.193/2021 (Lei da SAF) estabelece travas para conter a multipropriedade desregrada de clubes de futebol no Brasil, proibindo que um acionista controlador de uma SAF detenha participação direta ou indireta em outra SAF. Contudo, na prática do mercado esportivo, debates surgem sobre a eficácia dessas regras diante de modelos de consultoria, prestação de serviços de gestão, fundos de investimento com participações cruzadas ou atuação de executivos em bastidores de transição corporativa. As discussões no estado ganham força para que os órgãos reguladores — como a Federação Mineira de Futebol (FMF), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) — endureçam a fiscalização sobre o controle efetivo das operações, visando garantir a transparência das gestões e proteger a credibilidade do esporte contra a concentração de poder.

@redehoje
Esta mensagem de erro é visível apenas para administradores do WordPress

Erro: nenhum feed com a ID 1 foi encontrado.

Vá para a página de configurações do Instagram Feed para criar um feed.