
Manejo em lavoura de café para preservação de recursos hídricos. Crédito: CNC/divulgação
Iniciativa brasileira alcança a segunda maior pontuação entre propostas enviadas para a entidade global
Da Redação da Rede Hoje
O Brasil obteve reconhecimento internacional por sua agenda de preservação de recursos hídricos e matas ciliares na cafeicultura. Na 8ª Reunião do Comitê Conjunto da Organização Internacional do Café, realizada em formato virtual em 25 de agosto de 2026, a proposta de internacionalização do Programa Café Produtor de Água conquistou a segunda maior pontuação entre 21 iniciativas apresentadas por países membros.
Intitulada como preservação de recursos hídricos para a cafeicultura, a iniciativa foi definida como a prioridade número 1 do Brasil para o Programa de Atividades da OIC 2026/27. A primeira colocação no processo ficou com a proposta enviada por El Salvador, que abordou a validação da cafeicultura de baixo risco para o atendimento aos marcos regulatórios de desmatamento estabelecidos internacionalmente.
Além do projeto voltado para a conservação de recursos hídricos, o país teve outras propostas bem avaliadas no comitê. As iniciativas brasileiras sobre boas práticas de armazenamento, barreiras tarifárias e não tarifárias e novos subprodutos da cafeicultura figuraram entre as melhores notas do encontro. O resultado reforça a busca por integrar a produção agrícola com a proteção ambiental e a segurança hídrica.
O Programa Café Produtor de Água aproxima a atividade cafeeira da conservação dos recursos naturais através do Pagamento por Serviços Ambientais. Na prática, o mecanismo permite reconhecer e remunerar produtores rurais que adotam ações capazes de gerar benefícios ambientais no campo. Entre as práticas estão a proteção de nascentes, a conservação de matas ciliares e a recuperação de áreas cruciais.
Iniciativas em avaliação

A proposta apresentada à entidade internacional prevê documentar e disseminar a experiência brasileira e suas lições aprendidas ao longo do processo. O objetivo é oferecer informações que permitam a outros países produtores avaliar a adaptação ou a replicação do modelo de acordo com suas próprias realidades. O movimento ocorre em um momento de busca por sustentabilidade e resiliência na cafeicultura global.
As iniciativas recomendadas pelo Comitê Conjunto passarão por uma etapa decisiva de análise e validação técnica. As propostas serão encaminhadas à 142ª Sessão do Conselho Internacional do Café, prevista para o final de setembro de 2026, em Genebra, na Suíça. No encontro, os projetos serão submetidos à apreciação direta e aprovação final dos representantes dos países integrantes.

Somente após essa aprovação a Secretaria da OIC deverá elaborar os planos detalhados para a implementação das iniciativas selecionadas. A segunda colocação do programa evidencia a capacidade do país de apresentar soluções construídas na cafeicultura nacional com potencial de contribuição para desafios compartilhados no setor. A articulação envolveu a atuação diplomática da representação em Londres.
O resultado contou com o trabalho técnico do Embaixador Mauro Furlan junto à equipe da Rebraslon para apresentar a proposta ao debate internacional. O presidente do Conselho Nacional do Café, Silas Brasileiro, destacou a importância da atuação da Diretora Executiva da OIC, Vanusia Nogueira, e de sua equipe na criação de espaços de cooperação para transformar experiências em referências globais.




