
Operação busca esclarecer a destinação de emendas e apreendeu armamentos do deputado. Crédito: reprodução do ICL
Investigação sobre financiamento do longa Dark Horse atinge parlamentar e produtora
Da Redação da Rede Hoje
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a operação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo informações apuradas por Cleber Lourenço, do ICL Notícias. Entre os alvos das buscas estão o deputado federal Mário Frias e Karina Gama, produtora do longa e responsável por entidades que receberam verbas de emendas. As ações ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, cumprindo 49 mandados. A apuração tramita sob a relatoria do ministro Flávio Dino, no Supremo Tribunal Federal.
Os agentes realizaram buscas nas residências dos dois principais investigados e nas sedes do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura, entidades de propriedade de Karina. A investigação aponta que cerca de 19 milhões de reais circularam, entre novembro e dezembro de 2025, entre o parlamentar, as entidades beneficiadas, empresas subcontratadas e a produtora do filme. Não há mandados de prisão expedidos nesta etapa das diligências ostensivas.
A Controladoria-Geral da União apura o repasse de dois milhões de reais em emendas do parlamentar para a entidade ligada à produtora. As autoridades identificaram a ausência de comprovação sobre a prestação dos serviços contratados. Os investigadores suspeitam da produção posterior de contratos, orçamentos e notas fiscais com datas retroativas. O objetivo das adulterações seria simular a regularidade das movimentações perante os órgãos de fiscalização federal.
Ao todo, 29 pessoas são investigadas na apuração que busca esclarecer o caminho do dinheiro público. Os alvos foram proibidos de deixar o país e de manter contato entre si, além de terem celulares e computadores apreendidos. A Polícia Federal tenta reconstruir as movimentações financeiras para verificar a destinação dos recursos. A operação representa uma nova etapa no recolhimento de provas materiais para o processo investigatório.
Operação policial

Entre os alvos das buscas estão o deputado federal Mário Frias e Karina Gama, produtora do longa e responsável por entidades que receberam verbas de emendas
A apuração indica que agentes públicos e privados teriam integrado uma organização criminosa estruturada no esquema. O grupo seria responsável por direcionar verbas de organizações da sociedade civil para empresas subcontratadas sem comprovação dos serviços. A Polícia Federal identificou movimentações de centenas de milhões de reais entre companhias associadas. As tentativas de ocultar os desvios financeiros teriam se estendido até julho do presente ano.
Os crimes investigados no inquérito incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações. Segundo nota da corporação, a estrutura visava dissimular os valores sem a devida contraprestação das atividades. Durante as buscas, os agentes apreenderam sete armas de fogo de Mário Frias em um endereço diferente do cadastrado. Os armamentos em situação irregular serão objeto de apuração específica por posse.
Uma das frentes que levaram o caso ao Supremo Tribunal Federal envolve os recursos de emendas destinados por Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama. A destinação de dois milhões de reais chamou a atenção dos investigadores porque a produtora também comanda a empresa responsável pelo filme e o parlamentar participou da produção. A Polícia Federal busca determinar se verbas públicas repassadas às entidades tiveram ligação direta ou indireta com o projeto cinematográfico.
A obra cinematográfica também apareceu em investigações relativas ao banqueiro Daniel Vorcaro, após a apreensão de mensagens e documentos que tratavam de aportes milionários no longa-metragem. O cenário da apuração passou a integrar valores privados, instituições recebedoras de recursos públicos e personagens politicamente associados a Jair Bolsonaro. As diferentes linhas de apuração convergiram para a necessidade de mapear toda a estrutura financeira montada para custear a produção.
Decisão judicial
A atuação da Polícia Federal ganhou novo impulso após o ministro Flávio Dino autorizar o compartilhamento de provas. Em agosto, o relator permitiu acesso aos materiais apreendidos pela Polícia Civil do Estado de São Paulo. A investigação paulista averiguava irregularidades em contrato firmado pelo instituto com a prefeitura da capital. A junção dos acervos permitiu cruzar dados e consolidar os indícios de autoria entre as frentes apuradas.
A presença de um deputado federal entre os suspeitos determinou a competência do Supremo Tribunal Federal. Com a supervisão da Corte, a corporação avançou sobre mais 20 pessoas físicas envolvidas nas negociações. A análise dos computadores e documentos recolhidos indicará se novos atores participaram do esquema. A equipe policial trabalha no processamento do material para mapear o fluxo completo dos capitais sob suspeita.
Investigação | PF cumpre mandados sobre recursos em filme sobre Bolsonaro
Operação busca esclarecer o caminho do dinheiro público e privado em produção cinematográfica. Crédito: Secom/PMP
Investigação sobre financiamento do longa Dark Horse atinge deputado federal e produtora
Da Redação da Rede Hoje
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a operação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos das buscas estão o deputado federal Mário Frias e Karina Gama, produtora do longa e responsável por entidades que receberam verbas de emendas. As ações ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, cumprindo 49 mandados. A apuração tramita sob a relatoria do ministro Flávio Dino, no Supremo Tribunal Federal.
Os agentes realizaram buscas nas residências dos dois principais investigados e nas sedes do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura, entidades de propriedade de Karina. A investigação aponta que cerca de 19 milhões de reais circularam, entre novembro e dezembro de 2025, entre o parlamentar, as entidades beneficiadas, empresas subcontratadas e a produtora do filme. Não há mandados de prisão expedidos nesta etapa das diligências ostensivas.
A Controladoria-Geral da União apura o repasse de dois milhões de reais em emendas do parlamentar para a entidade ligada à produtora. As autoridades identificaram a ausência de comprovação sobre a prestação dos serviços contratados. Os investigadores suspeitam da produção posterior de contratos, orçamentos e notas fiscais com datas retroativas. O objetivo das adulterações seria simular a regularidade das movimentações perante os órgãos de fiscalização federal.
Ao todo, 29 pessoas são investigadas na apuração que busca esclarecer o caminho do dinheiro público. Os alvos foram proibidos de deixar o país e de manter contato entre si, além de terem celulares e computadores apreendidos. A Polícia Federal tenta reconstruir as movimentações financeiras para verificar a destinação dos recursos. A operação representa uma nova etapa no recolhimento de provas materiais para o processo investigatório.
Operação policial
A apuração indica que agentes públicos e privados teriam integrado uma organização criminosa estruturada no esquema. O grupo seria responsável por direcionar verbas de organizações da sociedade civil para empresas subcontratadas sem comprovação dos serviços. A Polícia Federal identificou movimentações de centenas de milhões de reais entre companhias associadas. As tentativas de ocultar os desvios financeiros teriam se estendido até julho do presente ano.
Os crimes investigados no inquérito incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações. Segundo nota da corporação, a estrutura visava dissimular os valores sem a devida contraprestação das atividades. Durante as buscas, os agentes apreenderam sete armas de fogo de Mário Frias em um endereço diferente do cadastrado. Os armamentos em situação irregular serão objeto de apuração específica por posse.
As emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil colocaram o deputado no centro da investigação. A entidade é presidida por Karina Gama, também responsável pela Go Up Entertainment, produtora do filme. A participação direta de Mário Frias na produção cinematográfica ampliou os questionamentos dos investigadores. A polícia busca confirmar se verbas públicas abasteceram, direta ou indiretamente, o orçamento do projeto do longa-metragem.
A produção de Dark Horse também foi citada nas investigações que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens e documentos apreendidos em outras etapas revelaram tratativas sobre aportes milionários na obra audiovisual. O caso reúne recursos de origem privada, verbas orçamentárias e figuras politicamente vinculadas ao ex-presidente. A complexidade das conexões financeiras justificou o aprofundamento das diligências de rastreamento por ordem do Supremo Tribunal.
Decisão judicial
A atuação da Polícia Federal ganhou novo impulso após o ministro Flávio Dino autorizar o compartilhamento de provas. Em agosto, o relator permitiu acesso aos materiais apreendidos pela Polícia Civil do Estado de São Paulo. A investigação paulista averiguava irregularidades em contrato firmado pelo instituto com a prefeitura da capital. A junção dos acervos permitiu cruzar dados e consolidar os indícios de autoria entre as frentes apuradas.
A presença de um deputado federal entre os suspeitos determinou a competência do Supremo Tribunal Federal. Com a supervisão da Corte, a corporação avançou sobre mais 20 pessoas físicas envolvidas nas negociações. A análise dos computadores e documentos recolhidos indicará se novos atores participaram do esquema. A equipe policial trabalha no processamento do material para mapear o fluxo completo dos capitais sob suspeita.




