
Carolina Fernandes Biscaia. Crédito: divulgação
Sentença fixa pena em regime fechado após investigação apontar cirurgias e diagnósticos desnecessários
Da Redação da Rede Hoje
A médica Carolina Fernandes Biscaia foi condenada a 11 anos, 8 meses e 25 dias de prisão por apresentar falsos diagnósticos de câncer de pele, segundo o portal ICL Notícias. A decisão de primeira instância estabeleceu o cumprimento da pena em regime inicial fechado, permitindo que a ré recorra em liberdade. A investigação começou em 2024 após pacientes desconfiarem dos procedimentos indicados durante as consultas. A defesa da profissional informou que pretende recorrer da sentença fixada pela Justiça.
O esquema funcionava a partir da retirada de amostras de pintas e manchas que eram encaminhadas pela médica para laboratórios de análise. Nas consultas de retorno, a profissional apresentava aos pacientes laudos falsificados com diagnósticos positivos para a doença. A Polícia Civil identificou que a adulteração dos documentos ocorria no próprio consultório com o uso de uma máquina de xerox. O material contra a profissional reuniu provas documentais e depoimentos coletados ao longo do processo.
A condenação abrange a prática de exercício ilegal da profissão, 21 crimes de lesão corporal e 32 crimes de estelionato na comarca local. O processo judicial ouviu pelo menos 38 pessoas que se identificaram como vítimas das condutas praticadas no consultório. O Ministério Público calculou o prejuízo financeiro provocado às vítimas em aproximadamente 130,4 mil reais. A soma dos valores engloba pagamentos de consultas e a realização dos procedimentos cirúrgicos indicados.
Entre as situações investigadas pela Polícia Civil está o caso de uma mulher que recebeu um laudo falso referente a um melanoma. Após a indicação médica, a vítima passou por cirurgia de ampliação de margens na perna esquerda, gastando mais de 5 mil reais. A paciente constatou a fraude ao comparar o documento entregue pela médica com o laudo original do laboratório. O caso ajudou a comprovar a falsificação dos exames apresentados durante o atendimento da ré.
Atuação profissional
A investigação comprovou que a médica se apresentava como dermatologista aos pacientes, embora não tivesse o registro da especialização. Em 2024, o Conselho Regional de Medicina do Paraná aplicou a pena de censura pública contra a profissional. O órgão aprovou posteriormente a interdição cautelar total das atividades da médica pelo período de 180 dias. A medida administrativa recebeu a homologação e a aprovação formal do Conselho Federal de Medicina.
O cadastro do Conselho Federal de Medicina apresenta o registro da profissional como regular, sem a indicação de qualquer especialidade registrada. A defesa de Carolina Biscaia afirmou que a sentença reconheceu parcialmente os pedidos apresentados durante o processo. Os advogados reiteraram que apresentarão recurso contra a decisão fixada na primeira instância judicial. O julgamento em instâncias superiores analisará os argumentos da defesa e da acusação nos próximos meses.




