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Depois das Bets | Cruzeiro e Atlético buscam novos parceiros com fim do patrocínio de apostas esportivas

Foto: Cruzeiro

Proibição da atividade no país atinge contratos anuais de 100 milhões de reais mantidos pelos dois clubes.

Da Redação da Rede Hoje

Cruzeiro e Atlético terão de reorganizar parte importante de suas receitas comerciais após a proibição das apostas esportivas no Brasil. Os contratos mantidos pelos dois clubes com empresas do setor somam cerca de 100 milhões de reais por ano. A arrecadação anual previa cerca de 40 milhões de reais para o Cruzeiro e 60 milhões de reais para o Atlético.

Os acordos comerciais englobam propriedades distintas entre os dois clubes na divisão das marcas. No Cruzeiro, o valor de 40 milhões de reais refere-se ao patrocínio máster da equipe profissional masculina. No Atlético, o contrato de 60 milhões de reais anuais contempla o time feminino, camisas de treino e outras propriedades do clube.

A cifra total de 100 milhões de reais representa a soma dos valores anuais previstos nos acordos e não significa perda imediata no ano de 2026. O impacto financeiro nos cofres dependerá das parcelas pendentes e das cláusulas contratuais. A mudança decorre da Medida Provisória 1.394, que proíbe a exploração e publicidade de apostas de quota fixa no país.

A medida entrou em vigor na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, e aguarda análise do Congresso Nacional. Com a saída da patrocinadora, o Cruzeiro disponibiliza o espaço máster da camisa masculina para novas negociações. A diretoria poderá buscar uma nova empresa ou dividir os ativos entre diferentes parceiros para recompor a receita comercial.

Reorganização comercial

No Atlético, a parceria com a empresa do setor previa 180 milhões de reais fixos entre 2025 e 2027, podendo superar 200 milhões de reais por metas. Como o acordo envolve múltiplos espaços, o clube poderá negociar o pacote completo ou fatiar as propriedades comerciais entre diferentes marcas. A divisão permite distribuir os ativos e buscar a recomposição dos ganhos.

A proibição das apostas não impede que os torcedores continuem utilizando as camisas adquiridas com as marcas impressas. A legislação atinge exclusivamente a exploração comercial, as ações de publicidade e os patrocínios institucionais. Não há previsão de punição ou restrição ao uso particular das peças esportivas por parte dos consumidores.

Setores como bancos, empresas de tecnologia, varejistas e indústrias surgem como alternativas para ocupar os espaços vagos. O desafio dos clubes será manter os valores elevados alcançados durante o período de investimento das casas de apostas. A recomposição das receitas também poderá envolver programas de sócio-torcedor, bilheteria e licenciamento de produtos.

O governo federal agendou reunião para terça-feira, 29 de setembro de 2026, com representantes dos clubes para debater os impactos da medida. O encontro contará com os ministérios do Esporte e da Fazenda e dirigentes das Séries A e B. Entre as pautas estão linhas de crédito relativas a passivos e recursos futuros dos clubes.

@redehoje
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