
Qual pessoa que tem mais de cinquenta anos e viveu os anos 70 e 80 não sente saudade desse tempo, foi um tempo mágico, onde se tinha muitos amigos, a casa vivia sempre cheia, das conversas na varanda, das brincadeiras aos sábados, da expectativa em ouvir um novo disco da banda ABBA ou Pink Floyd.
Os anos 70 foram pura liberdade criativa. Era a década de experimentar: na música, no jeito de se vestir, de amar, de pensar o mundo. O rock psicodélico, o soul, o disco, tudo convivendo ao mesmo tempo. As roupas tinham personalidade: boca de sino, estampas ousadas, cores quentes. Existia uma sensação de desacelerar e sentir mais, de viver o presente com intensidade, mesmo em meio a mudanças sociais profundas.
Ainda nos anos 70 cinema mais intenso. Histórias profundas, personagens complexos e finais nem sempre felizes. Foi a era dos grandes diretores e do cinema autoral, mas também de filmes que refletiam crises, conflitos e mudanças sociais.
A moda era expressão pessoal. Tecidos leves, estampas psicodélicas, couro, franjas, jeans. Tudo fluía. Era boêmia, artística, com influência hippie e disco. Cada look parecia contar uma história.
Já os anos 80 vieram elétricos. Foi quando a tecnologia começou a entrar de vez no cotidiano, trazendo um ar futurista e otimista. Sintetizadores dominaram a música, videoclipes viraram arte, e a cultura pop explodiu. Cabelos volumosos, aquelas franjas que quase todos usaram, ombreiras, neon, exagero sem medo de errar. Era uma época que dizia: se é pra sonhar, sonha grande.
A magia dessas décadas está muito na autenticidade. Nada parecia padronizado demais. As pessoas se reconheciam por gostos, tribos, estilos. A música marcava fases da vida, os filmes viravam clássicos eternos, e tudo tinha tempo para virar memória.
Talvez o encanto venha disso: eram anos imperfeitos, intensos, cheios de identidade. E até hoje, quando uma música toca ou uma imagem aparece, dá aquela sensação boa de nostalgia como se o passado ainda piscasse pra gente .
Os anos 80 Foi uma década riquíssima. O rock se expandiu em várias direções: Led Zeppelin, Pink Floyd e Queen criaram sons épicos; ao mesmo tempo, o soul e o funk trouxeram groove e consciência social. A disco music dominou as pistas, com batidas envolventes e clima de celebração. Era música pra sentir, dançar, viajar.
Aqui tudo ficou mais eletrônico e pop. Os sintetizadores deram o tom, e as músicas ficaram mais diretas, grudentas e emocionais. Surgiram hinos que até hoje atravessam gerações. O videoclipe virou tão importante quanto a canção, e a MTV transformou artistas em ícones visuais. Amor, rebeldia, liberdade e sonhos gigantes eram temas constantes.
E filmes nos anos 80 pura imaginação, aventuras, fantasia, ficção científica e comédias inesquecíveis. Filmes para toda a família, trilhas sonoras marcantes e personagens carismáticos. Era o cinema que fazia você sair da sala querendo ser o herói, a heroína ou pelo menos ter aquela jaqueta estilosa.
Aqui entrou o exagero com orgulho Ombreiras, cores vibrantes, leggings, brilho, maquiagem forte. A moda dizia: olhe pra mim. Era poder, atitude e identidade. Errar fazia parte do estilo.
O encanto dessas décadas é que tudo parecia feito com alma. Música, filmes e roupas não eram só produtos, eram experiências, símbolos de uma época que não tinha medo de sentir demais.
Naquela época, ser jovem era quase um ato de coragem. Os anos 70 herdaram o espírito de liberdade: questionar regras, experimentar novos caminhos, viver com mais intensidade emocional. Os jovens buscavam sentido, não só sucesso. Havia uma alegria mais coletiva rodas de amigos, festivais, encontros longos sem pressa. O comportamento mudava: falar de sentimentos, de política, de identidade começava a ser mais comum. Amar, errar e tentar de novo fazia parte do aprendizado.
Já nos anos 80, a alegria ficou mais explosiva e visível . Os jovens queriam se destacar, aparecer, criar sua própria imagem. Dançar, cantar alto, se vestir de forma ousada era uma maneira de dizer “eu existo”. A juventude passou a ocupar mais espaço na cultura: filmes, músicas e propagandas giravam em torno dela. Ser jovem virou sinonimo de energia, atitude e sonho.
Mais independência: jovens saindo cedo de casa, buscando identidade própria.Mais expressão pessoal: cabelo, roupas e música como linguagem.Relações mais abertas ao diálogo, menos silêncio sobre emoções.
Um desejo forte de viver o agora, mas com esperança no futuro. Havia uma sensação de que tudo estava sendo construído pela primeira vez.
Mesmo com medos e crises, existia otimismo. A alegria não vinha da perfeição, mas da descoberta de si, do outro, do mundo.Talvez por isso essas décadas ainda encantem tanto: foi uma juventude que dançou, sonhou, ousou… e deixou marcas que até hoje influenciam o jeito de ser jovem.
O que se pode concluir dessas duas décadas, principalmente para quem viveu esse tempo intensamente, é que foram dias perfeitos, onde se cultivavam amizades verdadeiras que duravam para sempre, as músicas se eternizaram mais do que em qualquer outra época. Filmes inesquecíveis que são vistos até hoje, e sabe se lá por quanto mais tempo, as modas ainda são copiadas, ainda que com uma nova leitura, mas inspiradas naquele tempo.
Tempo de felicidade, de inocência, de bom gosto, de amor à cultura e arte como um todo.
*Elza Lima é empresária e escritora; mora em São Matheus, Espírito Santo e escreve regularmente para a Rede Hoje





