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Pacote inclui redução de tributos federais e subvenção direta para mitigar impactos de conflitos internacionais no mercado de combustíveis.
Da Redação da Rede Hoje
O Governo do Brasil oficializou nesta quinta-feira 12 de março um pacote de ações emergenciais voltado ao mercado de combustíveis. As medidas visam neutralizar a alta internacional do petróleo causada por conflitos entre Estados Unidos Israel e Irã. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou atos que alteram a tributação e a fiscalização do setor energético. O objetivo central é evitar que a volatilidade externa pressione a inflação de alimentos e transportes. A estratégia econômica busca proteger caminhoneiros e consumidores finais de aumentos excessivos nas bombas.
O Decreto 12.875/2026 estabelece a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o óleo diesel no território nacional. Esta decisão elimina os únicos tributos federais que ainda eram cobrados sobre este tipo específico de combustível fóssil. A estimativa oficial indica uma redução direta de 0,32 real por litro com a retirada destas contribuições. O governo classificou a iniciativa como um sacrifício econômico para blindar a população de crises externas. A medida possui aplicação imediata para aliviar os custos operacionais do setor de logística.
A Medida Provisória 1.340/2026 institui o pagamento de uma subvenção de 0,32 real por litro de diesel produzido. O benefício financeiro será destinado a produtores e importadores que deverão realizar o repasse integral do valor. Somada à isenção tributária a redução total projetada pelo governo alcança o montante de 0,64 real por litro. Esta engenharia financeira busca conter o efeito cascata nos preços de fretes e produtos básicos. O presidente Lula solicitou publicamente que governadores estaduais também avaliem reduções nas alíquotas do ICMS local.
O ministro da Fazenda Fernando Haddad ressaltou que as intervenções possuem caráter temporário e estritamente emergencial. Ele afirmou que as decisões não interferem na política interna de preços praticada atualmente pela Petrobras. Haddad destacou que as medidas respondem à falta de previsibilidade causada pelas tensões no Estreito de Ormuz. O fluxo de 20% do petróleo mundial passa por aquela região estratégica do Oriente Médio. O governo brasileiro defende a atuação de organismos internacionais para buscar a paz e estabilidade.
Ações de mercado e controle
A nova legislação prevê a criação de um imposto regulatório sobre a exportação de petróleo bruto. O mecanismo visa incentivar o aumento do refino dentro do país e assegurar o abastecimento doméstico. A arrecadação excedente gerada pela valorização da commodity será compartilhada com a sociedade através dessas políticas. O governo pretende desestimular o envio de óleo cru para fora enquanto houver risco de escassez interna. Esta ferramenta tributária serve como contrapeso aos lucros extraordinários obtidos pelas empresas exportadoras no cenário atual.
A Medida Provisória amplia as competências de atuação da Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis. A ANP terá instrumentos mais rígidos para combater o aumento abusivo de preços em postos e distribuidoras. A fiscalização será intensificada para evitar a retenção especulativa de estoques por parte de agentes privados. O governo quer impedir que o produto seja estocado propositalmente para ser vendido por valores elevados. Práticas que provoquem escassez artificial serão alvo de sanções administrativas e multas severas pela agência.
O fortalecimento da regulação busca garantir que a renúncia fiscal chegue efetivamente ao bolso do consumidor brasileiro. A equipe econômica monitorará as margens de lucro de toda a cadeia de distribuição de derivados. O governo federal argumenta que a estabilidade do diesel é vital para a segurança alimentar do país. A maior parte do transporte de cereais e hortifrutis depende diretamente do modal rodoviário de cargas. Por isso o controle de preços é visto como uma medida de proteção social.
O pacote emergencial entra em vigor em um momento de incerteza global sobre a oferta de energia. O Palácio do Planalto mantém diálogo com setores produtivos para avaliar a eficácia das medidas nos próximos meses. Não há um prazo definitivo para o encerramento das subvenções vinculadas ao estado de guerra internacional. O governo monitora diariamente as cotações do barril de petróleo nos principais mercados financeiros do mundo. A prioridade máxima informada pela presidência é manter a previsibilidade econômica para as famílias brasileiras.
Impacto esperado na economia nacional

Presidente Lula reafirma que as ações buscam mitigar apenas os efeitos externos e não questões estruturais internas. Foto: Ricardo Stuckert / PR
A redução de 0,64 real no preço do diesel deve refletir na composição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Economistas do governo projetam que a medida ajudará a ancorar as expectativas de inflação para o ano 2026. A desoneração tributária exige uma compensação orçamentária que será suprida pelo novo imposto sobre exportações de óleo. Esta troca de fontes de receita visa manter a responsabilidade fiscal sem prejudicar as metas de arrecadação. O setor de agronegócio e as transportadoras de carga manifestaram apoio inicial às medidas anunciadas.
O governo federal reafirmou que as ações buscam mitigar apenas os efeitos externos e não questões estruturais internas. A expectativa é que o preço final nos postos apresente queda gradual conforme os estoques antigos forem renovados. A rede de fiscalização contará com o apoio de órgãos de defesa do consumidor em todos os estados. O sucesso do plano depende da colaboração de todos os elos da cadeia de suprimentos. O presidente Lula concluiu afirmando que o governo fará o necessário para garantir a comida no prato.





