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Esporte em Debate | Raça antiga x cera moderna: o futebol vai parar de fingir com as novas regras?

Da Redação da Rede Hoje

A partir desta semana, a Rede Hoje passa a publicar regularmente um espaço dedicado à análise e reflexão sobre o esporte, especialmente o futebol. O conteúdo recebe o nome “Esporte Hoje em Debate” e será publicado pelo menos 1 vez por semana. A proposta é reunir textos da equipe da Rede Hoje que discutam fatos atuais, mudanças nas regras e situações que envolvem o esporte. O espaço não terá colunista fixo. A participação vai incluir diferentes colunistas da casa – André Luiz, Alexandre Costa, Luiz Costa Júnior e Luiz Fellipe Dias Costas; e colaboradores convidados, como Carlos Ibrahim Daura. Na abertura da série Luiz Antônio Costa, publisher da Rede Hoje, com atuação ligada ao esporte, com trajetória de 45 anos como locutor esportivo.

Luiz Antônio Costa

Alô, leitores. Para iniciar este debate, utilizarei como ponto de partida a crônica “Pastelão no Gramado”, escrita por Ruy Castro e publicada no jornal Folha de S.Paulo. O texto aborda as diferenças entre o futebol de outras décadas e o cenário atual.

Na crônica, o autor relembra jogadores como Pelé, Garrincha, Didi, Jairzinho, Zico e Roberto Dinamite. Segundo o texto, esses atletas atuavam contra zagueiros conhecidos pela força física e pelo jogo duro. A crônica apresenta uma reflexão nostálgica e bem-humorada sobre o futebol de antigamente, que o autor afirma acompanhar desde tempos remotos — em tom de brincadeira, desde o “Terciário”. Naquele período, os jogadores eram mais resistentes, as bolas de couro eram pesadas e as faltas frequentemente violentas. Zagueiros realizavam marcações com entradas ríspidas, divididas fortes e até travas nas canelas, com nomes como Pavão, Jadir, Bellini e Bigode, entre outros dos grandes clubes cariocas. Já os atacantes — como Pelé, Garrincha, Tostão, Reinaldo e Zico — precisavam suportar o jogo duro. Muitas vezes, limitavam-se a limpar o sangue e seguir jogando, sem simulações ou dramatizações.

Um episódio emblemático citado é o de Pelé na Copa do Mundo FIFA de 1970. Na semifinal entre Seleção Brasileira de Futebol e Seleção Uruguaia de Futebol, o uruguaio Fontes teria pisado propositalmente na perna de Pelé após derrubá-lo. O brasileiro teria marcado o número do adversário e, na disputa de bola seguinte, acertado uma cotovelada no rosto de Fontes enquanto este corria atrás dele. O uruguaio cambaleou, mas não caiu, continuou na jogada e posteriormente afirmou que suportou a dor para não demonstrar fraqueza. O árbitro não percebeu o lance e Fontes não apresentou reclamação.

Ruy Castro contrasta esse cenário com o futebol atual, que define como um “pastelão”, marcado por simulações teatrais em que um contato leve faz o jogador cair como se estivesse gravemente ferido, batendo no gramado e tentando induzir o árbitro ao erro. Nesse contexto, o autor menciona Neymar como um “campeão mundial” dessa prática. Ele critica o que chama de “canastronice” — um fingimento exagerado — afirmando que puniria tais atitudes com cartão vermelho, não apenas pela simulação, mas também pela falta de honestidade esportiva.

Além disso, cresce entre os torcedores a impaciência com determinadas práticas que retardam o andamento das partidas. Situações como o goleiro que demora excessivamente para cobrar um tiro de meta, o jogador que “faz hora” antes de executar um lateral, as sucessivas simulações de contusão ou substituições realizadas de forma demasiadamente lenta são cada vez mais alvo de críticas. Esse comportamento costuma se intensificar quando uma equipe está com o resultado que lhe favorece, utilizando esses recursos para gastar tempo e quebrar o ritmo do jogo.

Diante dessas discussões, surgem também mudanças recentes nas regras do futebol. Alterações aprovadas pela International Football Association Board e pela FIFA deverão entrar em vigor em 1º de julho de 2026. As medidas buscam reduzir atrasos nas reposições de bola e aumentar o tempo efetivo de jogo. Entre elas está o limite de cinco segundos para cobranças de laterais e tiros de meta. Caso o prazo seja ultrapassado, a posse de bola poderá ser revertida ao adversário e, em determinadas situações, poderá ser marcado escanteio.

Outra mudança estabelece que os goleiros poderão segurar a bola por até oito segundos. Se esse tempo for excedido, a equipe adversária poderá receber um escanteio ou tiro livre, conforme a situação. As substituições também passarão a ter controle de tempo, com limite de dez segundos para a saída do jogador substituído. Em caso de demora, o atleta que entrará deverá aguardar antes de participar da partida, medida que busca reduzir interrupções durante o jogo.

As novas regras também determinam que jogadores atendidos fora do campo permaneçam afastados por pelo menos um minuto antes de retornar. O árbitro de vídeo poderá atuar em mais tipos de lances, incluindo escanteios e cartões amarelos que resultem em expulsão. Além disso, apenas os capitães poderão questionar decisões da arbitragem.

Essas alterações deverão impactar competições internacionais, entre elas a Copa do Mundo FIFA de 2026, que contará com 48 seleções e 104 partidas.

Diante dessas decisões da FIFA, resta observar o que o futebol nos reserva: se haverá mudanças reais no comportamento dentro de campo ou se continuaremos, como espectadores, a conviver com essa “canastronice”, como define Ruy Castro. ⚽

@redehoje
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