
Luiz Antônio Costa (de pé o garotinho da família Araújo), Moacir Franco, Joaquim Assis Filho e Pedro Alves Nascimento. Foto: Lucas Marques/Foto Patrocínio
Luiz Antônio Costa
Há lembranças que não envelhecem. Apenas ganham mais brilho com o tempo. E quando a memória toca, ela vem embalada em risos, vozes e histórias que parecem ainda ecoar pelos corredores da cidade.
Lembro bem de dois momentos marcantes dos anos 1980: um show no Catiguá, outro no PTC. Dois gigantes da música brasileira passaram por aqui — Moacir Franco e Jair Rodrigues — e deixaram muito mais que apresentações: deixaram histórias.
Com Moacir Franco, a lembrança começa antes mesmo do show. Foi em uma entrevista que fiz para a Difusora, no restaurante do Hotel Santa Luzia. Ao meu lado estavam os saudosos Pedro Alves Nascimento, dono da emissora, e o companheiro de rádio Joaquim Assis Filho.
Moacir, como todos sabem, era um espetáculo à parte. Entre uma resposta e outra, vinha sempre uma tirada bem-humorada. Perguntei sobre a expectativa de público para o show. Ele, com aquele jeito inconfundível, respondeu sério — ou quase:
— Vai ser espetacular. Já estou sabendo que o pessoal está comprando muito ingresso… Inclusive, quem quiser garantir o seu tem que correr, porque já venderam mais de 15!
A mesa caiu na risada. E assim foi por quase 40 minutos: uma entrevista leve, divertida, mas também cheia de conteúdo. Ele falou da carreira, da estreia na televisão, das origens em Ituiutaba… Um artista completo, simples e genial.
Dias depois, veio o show no Ginásio do Catiguá. E Moacir não ficou parado no palco. Caminhava, conversava, interagia. Subia nas arquibancadas, sentava ao lado das pessoas — principalmente dos mais velhos, por quem demonstra um carinho especial. Ainda é um artista que transforma o público em parte do espetáculo.
E como se não bastasse, na mesma época tivemos Jair Rodrigues no PTC.
Jair era energia pura. Comunicativo, vibrante, dono de uma presença de palco impressionante. E repetiu, à sua maneira, a mesma proximidade com o público: subiu arquibancadas, sentou entre as pessoas, cantou no meio delas. Não havia distância entre artista e plateia — era tudo uma grande roda de alegria.
O show fazia parte da programação de inauguração do ginásio do PTC, um marco para a cidade. Houve de tudo: atrações esportivas, eventos e até um jogo de basquete memorável entre o Sírio e a Francana, dois times de São Paulo em grande fase na época.

Inauguração do PTC (Foto: Renata Ferreira: “essa de vermelho ao lado Jair Rodrigues era minha avó”/ Facebook)
Mas nem tudo saiu exatamente como planejado…
A quadra, recém-construída e toda em taco, foi preparada para a ocasião. Só que alguém teve a brilhante — e desastrosa — ideia de encerar o piso para deixá-lo mais bonito. Resultado: virou um verdadeiro sabão.
Os jogadores mal conseguiam se manter de pé. A cada lance mais intenso, alguém escorregava. Foi preciso improvisar, jogar água, dar um jeito às pressas para que a partida pudesse acontecer.
Entre risos e sustos, o episódio virou história.
E é disso que a memória é feita: de grandes nomes, momentos simples e acontecimentos inesperados. De artistas que desciam do palco para abraçar o público. De cidades que vibravam com cada evento.
O tempo passa, mas certos sons — e certas lembranças — continuam tocando. Sempre.





