PRIMEIRA COLUNA. MAIORES ADVERSÁRIOS DO FUTEBOL DE PATROCÍNIO

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Regra. A boa rivalidade sustenta o bom futebol. Nada de violência, nada de mau-caratismo. A rivalidade é saudável quando se restringe à competitividade esportiva. Ou quando estimula hilárias zoeiras. A cidade, nos últimos oitenta anos, teve quatro clubes que marcaram suas épocas. Ipiranga E.C. (anos 30 e 40), Associação Atlética Flamengo (anos 1950-1962), Patrocínio E.C. (1967-1975) e Clube Atlético Patrocinense-CAP (anos 1962-1965 e 1985 – até o presente). Nesse longo período, quais os seus grandes adversários? Quem era ou é “gostoso” vencer. E se perdia ou perde para esse mesmo “inimigo” dava/dá vontade de nem sair de casa. Esta análise sobre os maiores “rivais” surgiu de recente bate-papo entre o versátil Luiz Antônio Costa e este escriba, verdadeira “testemunha ocular da história”, como dizia o jargão do memorável Repórter Esso.

 

O MAIS LONGEVO ADVERSÁRIO – Na atualidade, a União Recreativa dos Trabalhadores-URT, é o maior rival do CAP. Porém, em outras ocasiões não deixou de sê-lo. Nos anos 40, o clube patense já praticava a medição de força esportiva com o Ipiranga. Entretanto, o clube patrocinense possuía também outros ferrenhos oponentes como o Najá de Araxá e o Paranaíba, de Carmo do Paranaíba. A URT foi fundada em 09/07/1939.

 

ANOS 50 – A equipe celeste de Patos de Minas era um grande adversário da então academia do futebol regional, A.A. Flamengo. Mas, esse clube de Patrocínio considerava também o Paranaíba (Carmo do Paranaíba), Clube do Cem, de Monte Carmelo e até o time do bispo de Paracatu, o Santana, como “inimigos esportivos” a serem sempre vencidos.

 

O PORQUÊ DAS RIVALIDADES – Nos anos 40 e 50, provavelmente o Paranaíba tornou-se o maior “inimigo”. Uma das explicações disso era o intenso intercâmbio entre Patrocínio e Carmo, hoje praticamente inexistente. O Ginásio Dom Lustosa e a Escola Normal acolheram, durante anos, inúmeros jovens carmenses. A família da maioria mudou-se para o Município, onde essas escolas eram as melhores da região. Para estudar, vieram o histórico goleiro Blair, Múcio (o mais completo atleta que vestiu as camisas dos clubes patrocinenses) e seu irmão Angú, dentre outros. Para trabalhar, veio gente como Véio do Didino (líder do Flamengo). Assim, criou-se o espírito de competição no futebol entre as duas cidades.

 

E MAIS... – Já o confronto com o Clube do Cem era devido à proximidade entre Monte Carmelo e Patrocínio e também à interação urbana. Por sua vez, a adversidade com o Santana deveu-se à história. Pois, nos anos 40/50, a relação sociocultural Patrocínio-Paracatu era intensa (exemplo: Linha de ônibus pelo Expresso Rocha, uma das poucas linhas de Patrocínio naquela ocasião).

 

ANOS 60 – O Clube do Cem ainda era um “inimigo” a ser batido. Em 1960/61/62 pelo Flamengo. Em 1963/64/65 pelo CAP, que praticamente, o venceu, diversas vezes, na então Segunda Divisão de Minas (hoje, Módulo 2). Porém, o mais temido, o “bom gladiador”, foi o Araguari Atlético Clube (fundado em 1944) de Luiz Silva, Pombo e Pacuzinho. Tanto é que o maior “sururu” do futebol rangeliano (Estádio Júlio Aguiar) ocorreu em 1962, com tiros para o alto pela polícia e invasão total de campo. Pouco tempo depois, houve o “troco” no Estádio Vasconcelos Montes (Araguari). Componentes da saudosa charanga podem contar o que aconteceu. O folclórico Inácio Verdureiro (por entrevista gravada à Rede Hoje) e os irmãos Joca e Líbio, felizmente vivos, que também integraram à União Operária e Escola de Samba Brasil Mulato, naquele tempo.

 

ANOS 70 – O Patrocínio Esporte já era visto como um “bicho-papão” do Triângulo. Inclusive foi campeão do Triângulo. Nesse cenário, surgiram os “inimigos” Uberaba Sport, Nacional e Uberlândia.

 

ANOS 80 ATÉ AGORA – Na opinião da voz marcante grená (o narrador que mais transmitiu jogos do CAP), Luiz Antônio, os maiores adversários foram e são o Araxá Esporte (fundado em 20/09/1958) e a União Recreativa dos Trabalhadores(URT). Opinião que este amador escriba comunga.

 

RESUMO (I) – Ponderando as épocas, medindo as intensidades, o maior adversário do CAP é a URT. Completando, é um dos três maiores confrontos, clássicos, do Triângulo (inclusive Alto Paranaíba): CAP x URT, Uberaba x Uberlândia e URT x Mamoré.

 

RESUMO (II) – Sob a visão da história do futebol patrocinense, além da URT, acrescenta-se o Araxá, Araguari, Paranaíba e até o Mamoré. Como se diz na gíria esportiva: “mão cheia de adversários!” Cinco “inimigos” no gramado. Cinco amigos da região. E do coração.


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