O SOM DA MEMÓRIA. Filhos e pais

O segundo domingo de agosto é o dia de um gesto de carinho, de presentear os pais. Ao contrário do que muitos afirmam, o Dia dos Pais não foi criado apenas para estimular o comércio. As professoras Fernanda Braga Chaveiro de Assis e Leia Almeida da Silva Costa, contaram em uma reportagem publicada no portal Terra, que a  data surgiu mesmo para homenagear os pais. Fernanda explica que, em 1909, uma menina americana chamada Sonora Louise Dodd resolveu criar a data em Washington, nos Estados Unidos, para mostrar a seu pai, John Bruce Dodd, que ela tinha orgulho de sua superação. Ele havia perdido a esposa em 1898, que faleceu ao dar à luz o sexto filho. John criou todos sozinho, sendo sempre carinhoso e responsável, o que motivou Sonora. A menina escolheu o dia do aniversário do pai, 19 de junho, como a data comemorativa. Em 1924, o presidente Calvin Coolidge apoiou a ideia nacionalmente. Mas foi só em 1966 que o então presidente Lyndon Johnson oficializou o terceiro domingo de junho como Dia dos Pais nos Estados Unidos.

O Dia dos Pais no Brasil é festejado desde 1953, quando o publicitário Sylvio Bhering importou a ideia. De acordo com a professora Leia, o primeiro Dia dos Pais brasileiro foi comemorado no dia 14 de agosto, coincidindo com o aniversário de São Joaquim, considerado o patriarca da família. Desde então, oficializou-se homenagear os pais no segundo domingo de agosto.

Se a data é comercial ou não, não importa. O que conta é como as pessoas a vêm. Tenho quatro filhos(André, Patrícia, Alexandre e Luiz Costa Jr) e genro, noras e netos e acho uma data importante, porque é um momento que a maioria celebra com orgulho.

Por isso tirei dos meus guardados uma mensagem escrita pela minha filha Patrícia, em 12 de agosto de 2001 - portanto há 17 anos - e compartilho com vocês. Lembrando que os filhos tratam os país como heróis. Não é aquilo que as pessoas de fora sentem, mas o fato de provocar este tipo de sentimento em alguém que você ama já vale a vida:

Pai,

Como eu queria ter oito anos de idade novamente! Sentar no seu colo, dizer que te amo, enchê-lo de marcas de batom, contar-lhe que é meu herói e assistir TV até de madrugada juntos. Tenho muitas saudades de minha infância. Onde a casa era só alegria e quando sua voz anunciava lá fora que havia chegado, escondíamos todos para “assustá-lo”e você fingia aquele susto enorme.

Lembro dos nossos domingos, como eram bons. Você nos acordava para ver o Senna. Depois da corrida íamos arrumar a casa enquanto mamãe preparava o almoço. Você tentava convencer os meninos a arrumar as camas e guardar os tênis e chinelos no devido local. A enceradeira era por sua conta. Almoçávamos em clima de festa, porque tê-lo conosco no almoço era prazeroso e muitas vezes raro(como locutor esportivo, você tinha que ir aonde o CAP estivesse).

Á tarde íamos ao clube, para nós uma alegria enorme, e obrigávamos você( e mamãe) a ver nossos “saltos ornamentais”. Outras vezes passávamos a tarde ao som de Renato eu Seus Blue Caps, Beatles, Fevers, fazendo teatrinho no quintal ou íamos ao aeroporto contemplar os aviões(quando tinha). Voltávamos para casa e às 7 horas da noite em ponto, nos reuníamos na sala para assistir “Os Trabalhões”.

Tudo isso, pai, é para que saiba que aqueles momentos nunca se apagarão de nossa memória, porque estão gravados não só em nossa mente, mas em nossos corações.

Sem perceber, nesses momentos, vocês estavam moldando nossa personalidade e nos ensinando a dar valor nas pequenas coisas e o quanto a cumplicidade e a amizade são maravilhosas.

O tempo passou como um feroz carrossel, como num piscar de olhos. Os meninos se tornaram homens, eu, mulher. Cada um de nós escolheu seu caminho, foi procurar a felicidade além das portas de nossa casa. Hoje estamos muito felizes porque podemos colocar em prática em nossos lares, tudo o que de melhor nos ensinou.

Muitos dizem você venceu na vida e conseguiu dar a “volta por cima” financeiramente, mas poucos sabem do legado moral e de vida que você nos deu. Esse foi o muito mais importante que o conforto sempre tivemos. Tenho muito orgulho de ser sua filha e quero que todos saibam quem é meu pai, a pessoa maravilhosa transpõe obstáculos dia após dia com uma doçura no olhar que nunca encontrei igual.

Você já parou para pensar quantas pessoas você faz felizes durante o seu programa? São pessoas desconhecidas, anônimas, certamente não chegarão nunca conhecê-lo, mas que esquecem seus problemas, dificuldades, solidão e riem de você. Você consegue alegrá-los e tocá-los de uma forma muito sua, porque você não usa somente sua voz, mas também o coração, e isso é que o diferencia de outros profissionais.

Hoje nossos domingos são diferentes, sua casa novamente se enche de crianças. Mas, não são mais seus filhos e sim seus netos. E é gratificante observar o carinho, a atenção e o amor que você dedica a eles, repetindo o ciclo da vida.

Queria muito lhe dizer que é um exemplo de garra, dedicação e muito amor e temos muita sorte por você ter encontrado essa mulher também guerreira e maravilhosa e com ela formar esse lar que nos acolheu e nos transformou no que hoje somos.

Amamos muito você, por tudo que é e por aquelas inesquecíveis tardes de domingo…

Felicidades hoje e sempre.

Patrícia”

Preciso acrescentar algo?

familia-costa1

 

 A família

  

Até a próxima.


radio-hoje-banner-686x113